11/08/2005
Uma questão
11/07/2005
Histórias à volta de um teimoso défice
A crise económica que agora aí está não era exactamente esperada. Mas está aí. Você entrou em dificuldades. Tem um fundo de reserva mas, se as coisas continuarem assim, ele esgotar-se-á num ápice. Você tem os seus compromissos fixos: a casa, o carro, a escola dos garotos. Até a mesada! "Quem é que me mandou aumentá-la? Devia estar a dormir quando fiz isso!"
São assim as coisas nas famílias. Podem ser assim, também, no governo de uma nação. Quando não se aproveita os anos das vacas gordas para juntar umas reservas que dêem para os anos maus e, pelo contrário, se assinam compromissos que há que cumprir, a coisa pode tornar-se preta. É verdade que os governos têm que apresentar todos os anos um orçamento aos deputados e que estes o devem aprovar. Mas, com votos contra e abstenções, ele passa na mesma. Por outro lado, um orçamento nunca diz tudo. Tem muita coisa encapotada, coisas que só anos depois, quando já são outros os governantes, se vêm a descobrir.
A pergunta mais importante a colocar é: pode gastar-se mais do que aquilo que se arrecada? Pode, claro que sim, mas não se deve. A excepção será quando aquilo que se gasta a mais irá ter um valor reprodutivo certo num futuro próximo. É o chamado défice virtuoso. Outra pergunta que deve ser colocada: por que razão se irá gastar de mais? No seu caso, acima, era para dar satisfação à família. E no caso do Estado? Bem, será muitas vezes para parecer mais um Midas do que um verdadeiro gestor, que quer agradar a um maior número possível de pessoas para que essas mesmas pessoas, como votantes, possam garantir a sua reeleição. O poder é algo que um governo detesta perder.
Publicou há dias o jornal Público uma interessante análise dos défices registados entre 1980 e 2004. Não houve ano que não apresentasse défice. Para começar, deverá estranhar-se a existência invariável desse défice. Então não é verdade que, para mais, fomos o país mais ajudado pela União Europeia através de diversos fundos? É. Mas quando se trata de dinheiro fácil, também fácil se torna gastá-lo. Além daquela história das reeleições. História que é decisiva.
Nestes últimos 24 anos, os défices mais baixos ocorreram em 1999 e 2000. Foi aquando da nossa candidatura ao euro. O governo declarou défices de 2,9 por cento, resvés com o máximo permitido: 3 por cento. E os mais elevados? Bem, esses chegaram aos 9 por cento (!) e ocorreram em 1981 e 1985. Em 1981, na sequência da morte de Sá Carneiro houve várias eleições. Em 1985 foram concedidas múltiplas benesses. Dois anos depois, com importantes eleições legislativas a realizarem-se, o défice atingiu outro número elevado: 7,2 por cento. Em 1991, quatro anos depois, com novas eleições para o parlamento, o défice pulou para 7,6 por cento. Este pai a gastar o que não podia nem devia! E ele que, como primeiro-ministro, até devia saber, porque a sua formação era em Finanças e gabava-se disso. Dir-se-á: não se seja injusto! Então, e as crises económicas? Qual crise económica! As condições de escudo baixo e petróleo barato até davam para produzir e vender mais! E, na realidade, verifiquemos que houve sempre um saldo positivo do lado económico, o famoso PIB: em 1981 foi de 1,6 por cento, número que em 1985 cresceu para 2,8 por cento, em 1987 cresceu ainda mais para 6,4 e em 1991 desceu, mas para uns ainda confortáveis 4,4 por cento. Pois mesmo assim o Estado gastou mais do que arrecadou!
Quando chegar a factura para pagar, o que virá a suceder a partir do ano que vem, ela será pesada. E longa na sua duração.
Esta é uma breve história que ilustra como o amor é cego. Tanto o amor aos filhos como ao poder. Um tem laços sanguíneos e desculpa-se mais. O outro não tem perdão. É também um dos pontos fracos do regime democrático.
11/06/2005
Falta de notícias que incomoda
11/04/2005
Matriz de Acontecimentos (3 Novembro 2005)

Continuo a aceitar inscrições para uma visita aos bastidores de São Carlos, a efectivar às 12h15 do domingo 13 de Novembro.
Se ainda não viu, não perca o filme que está em exibição (até dia 9, para já?) no Nimas, na 5 de Outubro. Eu segui, e confirmo, a opinião de Carvalho de Oliveira no nosso blog no dia 28.
Acaba no domingo, dia 6, o XXV Festival Nacional de Gastronomia de Santarém, o XVI Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e os XIII Encontros de Coros Amadores do Concelho de Oeiras.
De 8 a 13, Festival Internacional de Chocolate de Óbidos (fecha às 23h, último dia 20h). Aproveite para ver a exposição do José Aurélio.
Sexta-feira, dia 4:
às 21h30, no Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras, Música de Câmara com o Moscow Piano Quartet, integrado no Festival Península de Músicas.
Sábado, dia 5:
às 15h00, início dos circuitos de autocarro para visita às Galerias com inaugurações no âmbito da LISBOARTE (marcação pelo 21 356 78 00)
às 15h00, nas novas instalações do Museu da Música Portuguesa (na Casa Verdades Faria, no Monte-Estoril) conferência por Teresa Cascudo ?Por que é que a Nona Sinfonia é o hino da União Europeia";
às 21h30, no Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras, recital de canto e piano com Ana Ester Neves (soprano) e João Paulo Santos, integrado no Festival Península de Músicas.
Domingo, dia 6:
às 10h00, na Rádio Baía, 98,7 MHz, Carlos Pinto Coelho entrevista Pedro Almeida Vieira.
às 12h00, no CAMJAP (?Centro Arte Moderna da Gulbenkian?) visita temática do ciclo ?Primeiro Contacto? ?Uma Introdução à Colecção do CAMJAP - Arte Portuguesa na Segunda Metade do Século XX? por Hilda Frias.
Segunda-feira, dia 7:
às 18h00, na Gulbenkian, ciclo de conferências ?Ao Encontro da Medicina?, Duarte Nuno Vieira (Faculdade de Medicina de Coimbra) ?Como Saber Quem Éramos: Identificação e ADN, História e Catástrofe?;
às 19h30, no Trem Azul Store Jazz (Rua do Alecrim, 21 A), concerto de aniversário
às 23h30, na 2:, Ana Sousa Dias vai conversar com Marco Martins e Nuno Lopes.
Quarta-feira, dia 9:
às 10h00, na Gulbenkian, ciclo de conferências ?8º Fórum Gulbenkian de Saúde?, Debora Spar ?Os Ganhos da Promoção em Saúde?;
às 18h00, na Gulbenkian, ?As Forças da Natureza?, por João Paulo Silva, do ciclo ?À Luz de Einstein 1905-2005?;
às 18h00, na Culturgest, conferência do ciclo ?Óperas (mal) amadas do Século XX?: Der ferne Klang (1912) de Krank Schreker (1878-1934), por Carlos de Pontes Leça.
A seguir:
11 a 29 de Novembro, Guimarães Jazz
11 a 20 de Novembro, London Jazz Festival
13 de Novembro, Teatro de São Carlos segundo dia do ciclo ?Europa em Música?, dedicado a Itália!!! Por 5?, poderá assistir a um, a dois ou a todos os concertos programados: 11h00 no Salão Nobre, 15h00 no Foyer e 17h00 no Salão Nobre.
25 de Novembro, às 22h45, na Aula Magna: Jacinta
Download do ficheiro das Sugestôes (03 Novembro 2005)
Bom fim-de-semana
JMiguel
11/03/2005
Dantes havia apenas a Travessa do Fala-Só
Ultimamente, a situação tem-se alterado. Desconheço se a tecnologia usada é bluetooth com um auricular, o certo é que cada vez encontro mais fala-sós. Estarão obviamente a falar com alguém, mas a falta do télelé na mão desorienta o espectador à primeira vista. Ainda hoje, num autocarro meio-vazio, deparei com uma senhora que, de uma situação de quietude total, passou a certa altura a falar desalmadamente alto e a fazer montes de gestos, enquanto olhava de soslaio para a sua própria imagem reflectida na vidraça. Acredito que tenha havido pessoas no transporte que duvidaram da sanidade mental daquela fala-só. O problema é que qualquer dia, ao vermos alguém nas proximidades do Júlio a falar sozinho, vai-nos assaltar a terrível dúvida: cliente do JM ou apenas um telesolitário?