Não é com o intuito de fazer trocadilhos, que são fáceis, que se diz que o Presidente, que durante meses e meses não deu cavaco, resolveu ultimamente lançar os primeiros cavacos para a fogueira do governo. "Trata-se de manobra de distanciamento de um político que não quer ficar associado a maus resultados governamentais e, principalmente, a medidas impopulares", dirão alguns. "É a concordância com a base de apoio que o elegeu", dirão outros. "Um certo populismo para poder sorrir para dentro quando membros do governo a seu lado são assobiados e ele é aplaudido", dirão uns terceiros.
Seja o que for, Cavaco mudou a sua táctica nas últimas semanas. Continua vago e indefinido, professor de professores como gosta de se ver, e formulando desejos que todos gostariam de ver concretizados mas que a realidade não permite. Ora, é essa realidade que o presidente não quer admitir.
Longe de mim fazer a apologia de Sócrates, que no entanto tem mostrado mais aspectos positivos do que negativos. Temos que nos lembrar que foram dois primeiro-ministros re-eleitos, Cavaco e Guterres, que acabaram por ser responsáveis por grande parte do descalabro das contas públicas nacionais. Sócrates propôs-se endireitá-las e, pela primeira vez, houve alguém que conseguiu bater o pé ao obreiro, mas despesista, Jardim. A reforma da Segurança Social está em marcha, o défice tem baixado, têm sido introduzidas reformas controversas na educação destinadas a aumentar a produtividade e a combater um facilitismo que raiava o escandaloso. É também verdade que têm sido cometidas algumas injustiças graves e que, como um amigo meu refere, Sócrates lembra um Putin à la portugaise. Mas este é, afinal, o problema de ir ao talho comprar carne e termos de pagar pelo osso quando só estamos verdadeiramente interessados na vianda.
Cavaco tem falado, sempre em meias-palavras e tom doutoral, sobre a Segurança Social, o desemprego, a demografia, a pobreza, o novo aeroporto, o emprego dos jovens, a educação, a saúde, e agora sobre os sinais de retoma económica que, nas suas palavras, são fracos. Ora, o Presidente sabe muito bem que Portugal, apesar dos fartos proventos de Bruxelas, foi um dos países da União mais afectados pela globalização, a qual levou à entrada nos nossos mercados externos de produtos a preços baixíssimos, com os quais é impossível competir devido a condições que são à partida bem diversas. Cavaco sabe também que o preço do petróleo praticamente triplicou desde que ele foi primeiro-ministro, pelo que a nossa balança comercial fica naturalmente afectada. Cavaco sabe que agora não é com um estalido de dedos que se aumentam as exportações portuguesas através de preços mais baixos - Portugal já não tem a sua moeda nacional própria que lhe permita baixar os preços artificialmente através de desvalorizações. Cavaco sabe que o endividamento das famílias portuguesas está em estreita correlação com os lucros bancários, que são fabulosos. Sabe, ainda, que Roma e Pavia não se fizeram num dia e, se fosse totalmente honesto nas suas palavras, não esqueceria de referir que os problemas da educação, que são de facto cruciais, não foram melhorados nos seus dois mandatos. Muito pelo contrário, agravaram-se: aumentou a quantidade, não melhorou a qualidade.
Por tudo isto, deve entender-se que o Governo não pode contar mais com o apoio e até os elogios de Cavaco. Porém, se virmos bem, existe congruência na atitude presidencial e respeito pela base que o elegeu. Esperemos, atentos, o desenrolar dos próximos episódios.
6/11/2007
6/08/2007
Leitura traz-nos boas notícias
Um estudo recente da OCDE chegou à conclusão de que, pelo puro prazer da leitura, as raparigas têm mais tendência para ler do que os rapazes: 78 por cento contra 65 por cento. Suponho que estas percentagens não são atingidas em Portugal, mas mesmo assim creio que estamos a enveredar por um bom caminho através do Plano Nacional de Leitura e de acções que incentivam os pais a oferecerem livros aos filhos, livros que eles verdadeiramente leiam e não sejam apenas bonecada para olhar e deitar fora.
A parte porventura mais interessante do trabalho da OCDE é a indicação de que o gosto pelos livros pode ter um impacto maior no sucesso escolar dos jovens do que o status económico das famílias. Este é um dado relevante. Todos sabemos que a condição económica dos pais tem uma enorme influência no desenvolvimento dos filhos. Pais educados e sem problemas financeiros possuem normalmente uma boa casa, uma biblioteca bem apetrechada, dispõem de computadores e de toda uma parafernália de elevada tecnologia, possibilitam aos filhos viagens no país e ao estrangeiro e têm conversas entre si e com os seus amigos a um nível linguístico que é naturalmente assimilado pelos filhos. Estas são vantagens indesmentíveis relativamente a outras crianças que não possuem as mesmas condições e chegam, não tão raramente como se possa pensar, a sofrer de carências alimentares.
Daí que não seja despicienda a notícia de que a leitura pode ser um factor compensatório de um baixo status económico. Quem lê, viaja. Viaja através de palavras, de poemas e de boa prosa nas asas da imaginação. Quem lê, tem a ortografia e a sintaxe da língua a passarem-lhe pela mente e, necessariamente, a deixarem um rasto positivo e crucial. Quem lê, acorda para outros mundos, fica com a curiosidade desperta, vê aguçado o seu sentido crítico.
Se é uma verdade que os membros da nossa sociedade-de-imagem estão a começar demasiado tarde a ler, vamos tentar inverter a situação. Conclusões como esta da OCDE são um bálsamo. Assim elas cheguem ao conhecimento das pessoas que têm filhos e gostariam de os ver bem-educados, ambiciosos q.b., ponderados nas suas decisões e, como corolário, a usar com desenvoltura a sua própria língua.
A parte porventura mais interessante do trabalho da OCDE é a indicação de que o gosto pelos livros pode ter um impacto maior no sucesso escolar dos jovens do que o status económico das famílias. Este é um dado relevante. Todos sabemos que a condição económica dos pais tem uma enorme influência no desenvolvimento dos filhos. Pais educados e sem problemas financeiros possuem normalmente uma boa casa, uma biblioteca bem apetrechada, dispõem de computadores e de toda uma parafernália de elevada tecnologia, possibilitam aos filhos viagens no país e ao estrangeiro e têm conversas entre si e com os seus amigos a um nível linguístico que é naturalmente assimilado pelos filhos. Estas são vantagens indesmentíveis relativamente a outras crianças que não possuem as mesmas condições e chegam, não tão raramente como se possa pensar, a sofrer de carências alimentares.
Daí que não seja despicienda a notícia de que a leitura pode ser um factor compensatório de um baixo status económico. Quem lê, viaja. Viaja através de palavras, de poemas e de boa prosa nas asas da imaginação. Quem lê, tem a ortografia e a sintaxe da língua a passarem-lhe pela mente e, necessariamente, a deixarem um rasto positivo e crucial. Quem lê, acorda para outros mundos, fica com a curiosidade desperta, vê aguçado o seu sentido crítico.
Se é uma verdade que os membros da nossa sociedade-de-imagem estão a começar demasiado tarde a ler, vamos tentar inverter a situação. Conclusões como esta da OCDE são um bálsamo. Assim elas cheguem ao conhecimento das pessoas que têm filhos e gostariam de os ver bem-educados, ambiciosos q.b., ponderados nas suas decisões e, como corolário, a usar com desenvoltura a sua própria língua.
6/05/2007
Patrocínios, mecenato e imagem
É normal que os membros mais ricos da sociedade sintam um dever moral de partilhar a sua riqueza com os mais desfavorecidos. Essa partilha pode traduzir-se em acções em determinadas épocas do ano (especialmente no Natal), em patrocínios de festas com presentes especiais para as crianças, na construção de uma creche, em contributos para a Igreja com donativos relevantes, na oferta de uma nova ambulância para a corporação dos bombeiros, etc. Após essas oferendas, os ricos passam a ser mais bem vistos e é frequente que o seu nome seja dado a uma instituição, a um campo de futebol ou mesmo a uma rua. Para além do facto de que o acto de dar alimenta o ego do dador, o benemérito possui plena consciência de que um bom nome abre numerosas portas para futuros negócios e provoca alguma facilitação por parte de poderes públicos sempre que lhes é pedido um favor.
Por seu lado, as empresas há muito que entenderam a enorme vantagem do patrocínio de determinadas actividades. O BES, por exemplo, comentou publicamente que os seus investimentos na selecção nacional de futebol lhe tinham granjeado uma enorme popularidade e criado um aumento significativo de notoriedade da marca, com o correspondente retorno rápido do dinheiro investido. Outras instituições apostam no mecenato, chamando a si as custas, totais ou parciais, de exposições de arte e espectáculos de vária ordem. Se o Ministério das Finanças concordar que se trata de acções compagináveis com a lei do Mecenato, haverá importantes vantagens fiscais para as empresas em questão.
Sou a favor de acções deste tipo, embora exista uma óbvia necessidade de distinguir entre campanhas puramente comerciais e acções de interesse público. Enquanto empresas como a Louis Vuitton e a Rolex tentam, através do respectivo patrocínio de regatas e de golfe, ganhar uma boa imagem junto das camadas da população com maior poder de compra, lojas de desconto como a Lidl aconselham, através de anúncios ao longo das estradas, os automobilistas a usarem o cinto de segurança. Na generalidade, são formas inteligentes de criar uma imagem favorável na mente de reais e potenciais clientes.
Ora, aqui creio que cabe uma palavra especial para a EDP. Para além da sua tentativa de fomentar uma imagem de interesse real no cliente através da organização de corridas populares de atletismo e de patrocínio de espectáculos diversos, a EDP aliou-se à Quercus na defesa do meio-ambiente e no aconselhamento à poupança de energia. E, aqui, eu paro um instante. Não sou capaz de imaginar empresas de comunicações telefónicas, móveis ou fixas, a incitar os seus clientes a falarem pouco. Isso seria um contra-senso em companhias que vivem do consumo das chamadas telefónicas. Da mesma forma, será difícil de imaginar um banco a aconselhar os seus clientes a retirarem o dinheiro dos seus depósitos para gozarem melhor a vida. Ora, a EDP não só incita as pessoas a pouparem nos seus gastos de energia, como lhes fornece avisados conselhos sobre as melhores maneiras de realizarem essa poupança. Embora tendo presente os vultosos lucros da empresa, admito que é uma forma diferente e muito saudável de relacionamento com o público.
Por seu lado, as empresas há muito que entenderam a enorme vantagem do patrocínio de determinadas actividades. O BES, por exemplo, comentou publicamente que os seus investimentos na selecção nacional de futebol lhe tinham granjeado uma enorme popularidade e criado um aumento significativo de notoriedade da marca, com o correspondente retorno rápido do dinheiro investido. Outras instituições apostam no mecenato, chamando a si as custas, totais ou parciais, de exposições de arte e espectáculos de vária ordem. Se o Ministério das Finanças concordar que se trata de acções compagináveis com a lei do Mecenato, haverá importantes vantagens fiscais para as empresas em questão.
Sou a favor de acções deste tipo, embora exista uma óbvia necessidade de distinguir entre campanhas puramente comerciais e acções de interesse público. Enquanto empresas como a Louis Vuitton e a Rolex tentam, através do respectivo patrocínio de regatas e de golfe, ganhar uma boa imagem junto das camadas da população com maior poder de compra, lojas de desconto como a Lidl aconselham, através de anúncios ao longo das estradas, os automobilistas a usarem o cinto de segurança. Na generalidade, são formas inteligentes de criar uma imagem favorável na mente de reais e potenciais clientes.
Ora, aqui creio que cabe uma palavra especial para a EDP. Para além da sua tentativa de fomentar uma imagem de interesse real no cliente através da organização de corridas populares de atletismo e de patrocínio de espectáculos diversos, a EDP aliou-se à Quercus na defesa do meio-ambiente e no aconselhamento à poupança de energia. E, aqui, eu paro um instante. Não sou capaz de imaginar empresas de comunicações telefónicas, móveis ou fixas, a incitar os seus clientes a falarem pouco. Isso seria um contra-senso em companhias que vivem do consumo das chamadas telefónicas. Da mesma forma, será difícil de imaginar um banco a aconselhar os seus clientes a retirarem o dinheiro dos seus depósitos para gozarem melhor a vida. Ora, a EDP não só incita as pessoas a pouparem nos seus gastos de energia, como lhes fornece avisados conselhos sobre as melhores maneiras de realizarem essa poupança. Embora tendo presente os vultosos lucros da empresa, admito que é uma forma diferente e muito saudável de relacionamento com o público.
6/04/2007
Incógnito
Numa experiência inédita realizada em Janeiro deste ano, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas da actualidade, tocou incógnito durante 45 minutos na estação L’Enfant Plaza, do Metro de Washington. De manhã e em hora de ponta. Das 1097 pessoas que passaram por ele, só uma o reconheceu, e foram pouquíssimas as que foram atraídas pela sua música. Esta provocatória iniciativa foi da responsabilidade do jornal Washington Post, que pretendeu lançar um debate sobre arte, beleza e contextos. Ninguém notou que o violinista tocava num Stradivarius de 1713, que vale 3,5 milhões de dólares.
Três dias antes, Bell tinha actuado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam mais de 100 dólares. Na estação do Metro foi ostensivamente ignorado pela maioria. A excepção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, indicará que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.
"Foi estranho ser ignorado", disse Bell, que é uma espécie de sex symbol da música clássica. Envergando jeans, uma t-shirt e boné de basebol, Joshua Bell, que tem presentemente 39 anos, interpretou Chaconne, de Bach, que é, na sua opinião, "não só uma das melhores peças musicais de sempre, mas também um inegável sucesso". Executou, ainda, Ave Maria, de Schubert, e Estrellita, de Manuel Ponce. Recebeu das pessoas que passavam um total de 32 dólares e 17 cêntimos, sem contar com os 20 dólares da pessoa que o reconheceu.
"Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado aos aplausos das salas de espectáculo. "Num concerto, irrita-me ouvir tosses ou um telemóvel a tocar. Mas no Metro as minhas expectativas diminuíram substancialmente. Fiquei agradecido pelo mínimo reconhecimento, mesmo um simples olhar", acrescentou.
Terá sido este um caso típico de "pérolas a porcos"? Será a beleza algo objectivo, que se pode medir, ou tão-somente uma opinião? Mark Leitahuse, director da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar no seu contexto próprio. Se, por exemplo, retirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém lhe prestará atenção."
Para outros, como o escritor John Lane, o que aconteceu na estação do Metro não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante".
E o que acham da experiência os meus amigos?
P.S. Este texto, que adaptei ligeiramente, foi-me enviado por um amigo. Achei interessante incluí-lo no blogue.
Três dias antes, Bell tinha actuado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam mais de 100 dólares. Na estação do Metro foi ostensivamente ignorado pela maioria. A excepção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, indicará que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.
"Foi estranho ser ignorado", disse Bell, que é uma espécie de sex symbol da música clássica. Envergando jeans, uma t-shirt e boné de basebol, Joshua Bell, que tem presentemente 39 anos, interpretou Chaconne, de Bach, que é, na sua opinião, "não só uma das melhores peças musicais de sempre, mas também um inegável sucesso". Executou, ainda, Ave Maria, de Schubert, e Estrellita, de Manuel Ponce. Recebeu das pessoas que passavam um total de 32 dólares e 17 cêntimos, sem contar com os 20 dólares da pessoa que o reconheceu.
"Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado aos aplausos das salas de espectáculo. "Num concerto, irrita-me ouvir tosses ou um telemóvel a tocar. Mas no Metro as minhas expectativas diminuíram substancialmente. Fiquei agradecido pelo mínimo reconhecimento, mesmo um simples olhar", acrescentou.
Terá sido este um caso típico de "pérolas a porcos"? Será a beleza algo objectivo, que se pode medir, ou tão-somente uma opinião? Mark Leitahuse, director da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar no seu contexto próprio. Se, por exemplo, retirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém lhe prestará atenção."
Para outros, como o escritor John Lane, o que aconteceu na estação do Metro não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante".
E o que acham da experiência os meus amigos?
P.S. Este texto, que adaptei ligeiramente, foi-me enviado por um amigo. Achei interessante incluí-lo no blogue.
6/02/2007
Tudo menos um fait d'hiver!
Saí de casa ajoujado com dois grandes sacos de jornais velhos e revistas para colocar no Ecoponto a trinta metros da minha porta. A tarde está muito quente e cheia de sol, com um calor que, diga-se, tem tardado a aparecer. Hoje irrompeu em força. A minha atenção recai sobre uma dezena de indivíduos em T-shirt que, junto dos seus dois ou três carros parados ao lado dos que estão mesmo estacionados espreitam curiosos um carro da polícia, que parou à sua frente. As pessoas sentadas nas duas esplanadas da rua agitam-se também, ansiosas por saber o que se passa. Por que motivo viria ali a polícia? E eis que chega um segundo carro, com mais dois agentes. Pára perto do outro. Numa rua pacata como a minha, que farão estes dois carros da polícia, que aliás entraram sem fazer soar qualquer sirene? Dois polícias, um deles muito jovem ainda, saem da última viatura a chegar. Uma moça que está à minha frente no passeio encaminha-se exactamente para o mais novo e beija-o. "Demoraste tanto! O que é que andaste a fazer?" A resposta, bem-humorada, foi a de que tinham tido de ir a um lado. E de braço dado com a rapariga, ele e a moça entraram, juntamente com o colega, na única loja aqui da rua que está aberta aos sábados à tarde: a loja dos gelados! Os polícias da outra viatura não demoraram a fazer o mesmo.
Feliz a rua que atrai os agentes da autoridade só porque tem ainda nos dias de hoje um pequeno estabelecimento que faz óptimos gelados. Aliás, nos dias quentes como o de hoje a lojinha é procurada logo de manhã pelos carrinhos dos vendedores que depois vão fazer o seu negócio por essa cidade fora. São gelados de confecção caseira. Tão bons que fazem as delícias dos polícias e dos muitos miúdos da escola primária aqui da rua. Ah, é verdade, os tais indivíduos de T-shirt, desiludidos com o desenrolar da cena, meteram-se nos respectivos carros e desandaram, com os rádios em altos berros. Eu voltei aqui num instante para escrever estas linhas e, afinal, para me felicitar por morar numa rua que ainda vai tendo uma casa que fabrica gelados à moda antiga. Baunilha, caramelo ou chocolate?
Feliz a rua que atrai os agentes da autoridade só porque tem ainda nos dias de hoje um pequeno estabelecimento que faz óptimos gelados. Aliás, nos dias quentes como o de hoje a lojinha é procurada logo de manhã pelos carrinhos dos vendedores que depois vão fazer o seu negócio por essa cidade fora. São gelados de confecção caseira. Tão bons que fazem as delícias dos polícias e dos muitos miúdos da escola primária aqui da rua. Ah, é verdade, os tais indivíduos de T-shirt, desiludidos com o desenrolar da cena, meteram-se nos respectivos carros e desandaram, com os rádios em altos berros. Eu voltei aqui num instante para escrever estas linhas e, afinal, para me felicitar por morar numa rua que ainda vai tendo uma casa que fabrica gelados à moda antiga. Baunilha, caramelo ou chocolate?
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