A RTP1 passou ontem o primeiro episódio de uma série que se prolongará até Dezembro sobre a guerra colonial portuguesa. A série, realizada por Joaquim Furtado e apresentada todas as terças-feiras logo a seguir ao Telejornal, promete. O primeiro episódio, chocante em muitos aspectos, terá sido uma surpresa para muitas pessoas, atendendo pelo menos às reacções a que já assisti. As imagens foram espantosas e os comentários muito elucidativos. Tive, entretanto, pena que uma coisa não tivesse sido dita com toda a clareza, apesar de se ter falado da Igreja e das reuniões em igrejas. É que se tratava das missões protestantes americanas e inglesas, as quais fomentavam claramente a revolta, ao serviço dos seus respectivos países. Tanto durante o meu trabalho como oficial miliciano especializado nos assuntos de Angola na secção de Informações do Estado-Maior do Exército, como meses mais tarde no próprio terreno, tive provas muito claras da actividade dessas missões, que aliás desempenharam bem o seu papel.
Aguardo com interesse os próximos episódios, esperando que seja mencionado o extraordinário relatório que o General Beleza Ferraz teve a coragem de escrever após uma visita ao norte de Angola para o seu Ministro da Defesa, Botelho Moniz. É que nunca vi as 17 páginas desse relatório referidas fosse onde fosse, apesar de as ter lido atentamente e aprendido imenso com a sua leitura. Foi o documento mais sincero que li sobre o que de facto se passava em Angola em 1960/61.
10/17/2007
10/14/2007
Ouro e Platina
Tenho um apontamento datado de 1996 em que me classifico como truth-seeker. É mais uma naiveté da minha parte. Leio nesse escrito que - perdoem-me a longa transcrição - "o que mais me toca é o desvirtuar deliberado da verdade para servir causas próprias. Incluo dentro deste desvirtuamento a propositada ocultação de factos, o que conduz, pelo desconhecimento objectivo das situações na sua globalidade, a um conhecimento truncado, frequentemente a servir a causa de determinados interesses. É contra esta situação que luto, seja a nível de notícias claramente manipuladas na imprensa ou na televisão, seja a nível da educação transmitida oficialmente nas escolas. O amante da verdade que sou não se importa de ir contra valores pré-estabelecidos e virtualmente intocáveis. Assim, posso aparentemente ir contra a noção de pátria, contra um membro do clã familiar, contra o meu próprio clube desportivo, contra a empresa em que trabalho. Na realidade, não estou contra uma coisa; estou apenas a favor da verdade, e esta é que pode ser incompatível com certas noções geralmente aceites no seio do clube, da empresa, da família ou da nação. Daí que a minha posição seja sempre de um certo distanciamento, de recusa absoluta de ser incondicionalmente por uma pessoa, por uma coisa. Admito como lógico e natural que várias pessoas me considerem, devido a isto, frio para com as instituições. Contudo, a minha posição é, a meus olhos e muito pelo contrário, de ardente defesa, pois só com uma base sólida, assente na verdade, se pode caminhar em frente. Tanto a instituição como eu. (Que a verdade se divulgue ou não é um aspecto diferente, que pode ter a ver com estratégias; há, como é óbvio, segredos militares, por exemplo, que não podem ser divulgados pois serviriam uma parte contrária; mas, fora estes casos que são do senso comum, que não se minta deliberadamente, enganando a sociedade e preparando-a defeituosamente para o futuro.)"
Isto era aquilo que eu escrevia e verdadeiramente sentia. Continuo a senti-lo, e por isso reproduzi aqui este passo. Nas duas instituições onde mais tempo trabalhei procurei sempre encontrar o máximo de verdade no campo da pedagogia. Produzi relatórios onde estudei ambas as escolas, embora mais a privada do que a pública. Os relatórios que produzi continham dados interessantes, que proporcionavam visões de conjunto alicerçadas em informação concreta e real. Recordo-me que o director da instituição particular, que era sempre a primeira pessoa a ler o relatório que eu fazia motu proprio com periodicidade anual, me dizia frequentemente: "Não se esqueça de que estes relatórios são confidenciais". Por outras palavras: eu fazia os estudos, retirava as ilações, e depois não deveria divulgar nada. De facto, eu não divulgava tudo, mas por uma razão que era diferente da do director: não estava interessado em criar conflitos institucionais, que inevitavelmente acarretam custos bastante onerosos para todos. Aquilo que divulgava em reuniões nada tinha de confidencial. A lição maior que retirei foi a de que alguma da informação contida naqueles apanhados de cento e tal páginas, com vários quadros, cruzamento de dados, resultados de sondagens a centenas de alunos, etc. era preciosa. Mas em que medida era preciosa para o director? Na exacta medida em que ninguém mais conhecesse na íntegra o seu conteúdo. "Esta informação é ouro", chegou a dizer-me. E eu concluí que o controlo dessa informação era platina.
Recordo, a este propósito, a importância da confissão na Igreja católica. O padre fica na posse de informação valiosa em muitos aspectos. Pode usá-la? Não, pelo menos teoricamente. Existe a proibição de revelar os segredos da confissão. No passado, o cargo de confessor do rei, assim como o de confessor da rainha, eram deveras importantes. Pelo menos um desses confessores (Frei Miguel Contreiras) passou para a história. E cá temos o mesmo: informação e respectivo controlo.
Sem o controlo, a informação de pouco vale. Tudo aquilo que é acessível a todos tem pouco ou nenhum valor. Recordemos a história do pai que dá ao filho uma série de conselhos avisados para ele ter sucesso, incluindo alguns truques inteligentes. Depois de lhe ensinar aquilo que julga ser vital e que é fruto da sua experiência, adverte o filho: "Agora não vás contar a outros o que te disse! Se o fazes, o efeito destas técnicas que te ensinei é nulo.” Cá temos mais do mesmo: informação importante, logo seguida do seu controlo.
O post recente que intitulei "imperdível" fala-nos destas coisas. O julgamento do caso de pedofilia popularmente conhecido como "da Casa Pia", a história da forma como a licenciatura de Sócrates terá sido obtida, o aparente conluio, há uns anos, entre o Ministério do Ambiente, o Banco Espírito Santo e o CDS para a obtenção de favores especiais, a que se junta a informação que veio a lume de Rui Pereira e Abel Pinheiro (CDS) serem membros do mesmo grupo maçónico, mais a pretendida demissão de Souto Moura e a alegada intervenção de Sócrates - tudo nos traz informação de valor, que a lei recentemente revista tenta controlar. Os homens de confiança de uns são cada vez mais os homens de desconfiança dos demais. É aqui que a democracia exige transparência de processos, dirá o naïf. Então e a segurança, a necessidade de manter as coisas secretas, porque o segredo é a alma do negócio?, dirá o político experiente.
Ora, é aqui que entram os checks e os counterchecks característicos de um bom sistema democrático. Ter uma pessoa a verificar uma coisa não chega. É necessário que haja alguém independente a checar a forma como a verificação foi feita. É neste domínio que uma imprensa livre e com capacidade de investigação é essencial. É também por isso que manter-lhe a boca tapada pode ser muito conveniente.
Dizia Bertrand Russell já não sei onde que o famoso oráculo de Delfos que nós tínhamos aprendido no liceu como sendo o grande conselheiro do governo de Atenas era, afinal, manipulado pelos lobbies. Tudo bate certo. Convém não abrir a caixa de Pandora para que os segredos não voem com o vento. Entende-se melhor assim. A partir de agora, graças às novas disposições legais, não vamos ter mais reprodução de conversas telefónicas nos jornais como até aqui. Everything is under control. O ouro e a platina. Tudo me lembra uma ilustração clássica que mostra um indivíduo a dizer para outro, que está amordaçado: "És livre de dizer aquilo que quiseres. Fala!"
Isto era aquilo que eu escrevia e verdadeiramente sentia. Continuo a senti-lo, e por isso reproduzi aqui este passo. Nas duas instituições onde mais tempo trabalhei procurei sempre encontrar o máximo de verdade no campo da pedagogia. Produzi relatórios onde estudei ambas as escolas, embora mais a privada do que a pública. Os relatórios que produzi continham dados interessantes, que proporcionavam visões de conjunto alicerçadas em informação concreta e real. Recordo-me que o director da instituição particular, que era sempre a primeira pessoa a ler o relatório que eu fazia motu proprio com periodicidade anual, me dizia frequentemente: "Não se esqueça de que estes relatórios são confidenciais". Por outras palavras: eu fazia os estudos, retirava as ilações, e depois não deveria divulgar nada. De facto, eu não divulgava tudo, mas por uma razão que era diferente da do director: não estava interessado em criar conflitos institucionais, que inevitavelmente acarretam custos bastante onerosos para todos. Aquilo que divulgava em reuniões nada tinha de confidencial. A lição maior que retirei foi a de que alguma da informação contida naqueles apanhados de cento e tal páginas, com vários quadros, cruzamento de dados, resultados de sondagens a centenas de alunos, etc. era preciosa. Mas em que medida era preciosa para o director? Na exacta medida em que ninguém mais conhecesse na íntegra o seu conteúdo. "Esta informação é ouro", chegou a dizer-me. E eu concluí que o controlo dessa informação era platina.
Recordo, a este propósito, a importância da confissão na Igreja católica. O padre fica na posse de informação valiosa em muitos aspectos. Pode usá-la? Não, pelo menos teoricamente. Existe a proibição de revelar os segredos da confissão. No passado, o cargo de confessor do rei, assim como o de confessor da rainha, eram deveras importantes. Pelo menos um desses confessores (Frei Miguel Contreiras) passou para a história. E cá temos o mesmo: informação e respectivo controlo.
Sem o controlo, a informação de pouco vale. Tudo aquilo que é acessível a todos tem pouco ou nenhum valor. Recordemos a história do pai que dá ao filho uma série de conselhos avisados para ele ter sucesso, incluindo alguns truques inteligentes. Depois de lhe ensinar aquilo que julga ser vital e que é fruto da sua experiência, adverte o filho: "Agora não vás contar a outros o que te disse! Se o fazes, o efeito destas técnicas que te ensinei é nulo.” Cá temos mais do mesmo: informação importante, logo seguida do seu controlo.
O post recente que intitulei "imperdível" fala-nos destas coisas. O julgamento do caso de pedofilia popularmente conhecido como "da Casa Pia", a história da forma como a licenciatura de Sócrates terá sido obtida, o aparente conluio, há uns anos, entre o Ministério do Ambiente, o Banco Espírito Santo e o CDS para a obtenção de favores especiais, a que se junta a informação que veio a lume de Rui Pereira e Abel Pinheiro (CDS) serem membros do mesmo grupo maçónico, mais a pretendida demissão de Souto Moura e a alegada intervenção de Sócrates - tudo nos traz informação de valor, que a lei recentemente revista tenta controlar. Os homens de confiança de uns são cada vez mais os homens de desconfiança dos demais. É aqui que a democracia exige transparência de processos, dirá o naïf. Então e a segurança, a necessidade de manter as coisas secretas, porque o segredo é a alma do negócio?, dirá o político experiente.
Ora, é aqui que entram os checks e os counterchecks característicos de um bom sistema democrático. Ter uma pessoa a verificar uma coisa não chega. É necessário que haja alguém independente a checar a forma como a verificação foi feita. É neste domínio que uma imprensa livre e com capacidade de investigação é essencial. É também por isso que manter-lhe a boca tapada pode ser muito conveniente.
Dizia Bertrand Russell já não sei onde que o famoso oráculo de Delfos que nós tínhamos aprendido no liceu como sendo o grande conselheiro do governo de Atenas era, afinal, manipulado pelos lobbies. Tudo bate certo. Convém não abrir a caixa de Pandora para que os segredos não voem com o vento. Entende-se melhor assim. A partir de agora, graças às novas disposições legais, não vamos ter mais reprodução de conversas telefónicas nos jornais como até aqui. Everything is under control. O ouro e a platina. Tudo me lembra uma ilustração clássica que mostra um indivíduo a dizer para outro, que está amordaçado: "És livre de dizer aquilo que quiseres. Fala!"
10/11/2007
Palavras
Esta é uma secção com apontamentos diversos, que em princípio não fazem nem bem nem mal a ninguém. São meras curiosidades. Têm a vantagem de poder dar origem a outras curiosidades da parte de algum leitor, no sistema aqui várias vezes enunciado de comunicação e partilha.
Não resisto a contar-vos algo que desconhecia até há meia-dúzia de dias: o significado de "emérito". Para mim, emérito era um adjectivo que me dizia algo como "ilustre" ou "insigne", v.g. O emérito professor brindou-nos com uma aula magnífica. O que me escapava era o outro significado da palavra: jubilado. E então, dirão, o que tem isso? Se achei interessante, foi porque aprendi - com o emérito José Leite de Vasconcellos - que os "emeriti" eram as pessoas que no antigo Império Romano tinham direito à reforma pelos altos serviços prestados. A certa altura, o Imperador Augusto fundou na Península Ibérica uma colónia para esses reformados de luxo. Daí nasceu Emerita Augusta, que é hoje a cidade de Mérida. Assim compreendemos melhor a existência do belo teatro e de tantas outras construções romanas que a cidade outrora possuiu. E também compreendemos que as reformas de luxo já vêm de muito longe.
Mas este foi apenas um parágrafo introdutório a que não consegui resistir. O pequeno apontamento de hoje levanta uma questão, que nunca vi formulada. Falando de marcas comerciais, lembram-se de um automóvel alemão conhecido pela abreviatura DKW? Nunca encontrei ninguém que me explicasse por que motivo lemos essa marca como DêKáVê, mas em BMW lemos BêEmeDoubleyou e não BêEmeVê. ("belle merde vendue" costumavam dizer os franceses, com o seu ódio a tudo o que não é gaulês, principalmente se vem da Alemanha ou da Inglaterra).
A questão das marcas é engraçada. Pronunciamos Colgate muito bem, mas depois dizemos a marca italiana Chicco como se fosse um diminutivo de Francisco (Chico) (originalmente é Kiko). Chamamos Levi’s (lévis) aos jeans que originalmente são Livaize, lemos Maggi como se tivesse apenas um -g- , a marca alemã Miele sai da boca dos portugueses como "mil" (originalmente soa como Mila) e dizemos Volkswagen sem pronunciar o V- inicial como "f" (como muitos sabem, Volk está presente na palavra portuguesa "folclore" - as tradições, usos e costumes de um povo - e também no "that’s all folks" que conhecemos dos desenhos animados). OK, OK, tudo isto está muito bem. Entende-se. Quem manda são os homens do marketing e eles é que consideram qual é a melhor forma de o público comprar o seu produto. Period!
Entretanto, tudo isto vem a propósito de uns novos anúncios que estão agora a enxamear Lisboa com a filha do Luandino Vieira, a Cláudia, a mostrar o seu corpo, tapado aqui e ali com umas peças mais ou menos eróticas da Triumph. Meus caros amigos: por que razão é que a mesmíssima palavra, inglesa, se pronuncia aportuguesadamente (triunfe) quando se trata de lingerie e recebe a pronúncia original (traiânf) se nos referimos aos automóveis Triumph?
Não resisto a contar-vos algo que desconhecia até há meia-dúzia de dias: o significado de "emérito". Para mim, emérito era um adjectivo que me dizia algo como "ilustre" ou "insigne", v.g. O emérito professor brindou-nos com uma aula magnífica. O que me escapava era o outro significado da palavra: jubilado. E então, dirão, o que tem isso? Se achei interessante, foi porque aprendi - com o emérito José Leite de Vasconcellos - que os "emeriti" eram as pessoas que no antigo Império Romano tinham direito à reforma pelos altos serviços prestados. A certa altura, o Imperador Augusto fundou na Península Ibérica uma colónia para esses reformados de luxo. Daí nasceu Emerita Augusta, que é hoje a cidade de Mérida. Assim compreendemos melhor a existência do belo teatro e de tantas outras construções romanas que a cidade outrora possuiu. E também compreendemos que as reformas de luxo já vêm de muito longe.
Mas este foi apenas um parágrafo introdutório a que não consegui resistir. O pequeno apontamento de hoje levanta uma questão, que nunca vi formulada. Falando de marcas comerciais, lembram-se de um automóvel alemão conhecido pela abreviatura DKW? Nunca encontrei ninguém que me explicasse por que motivo lemos essa marca como DêKáVê, mas em BMW lemos BêEmeDoubleyou e não BêEmeVê. ("belle merde vendue" costumavam dizer os franceses, com o seu ódio a tudo o que não é gaulês, principalmente se vem da Alemanha ou da Inglaterra).
A questão das marcas é engraçada. Pronunciamos Colgate muito bem, mas depois dizemos a marca italiana Chicco como se fosse um diminutivo de Francisco (Chico) (originalmente é Kiko). Chamamos Levi’s (lévis) aos jeans que originalmente são Livaize, lemos Maggi como se tivesse apenas um -g- , a marca alemã Miele sai da boca dos portugueses como "mil" (originalmente soa como Mila) e dizemos Volkswagen sem pronunciar o V- inicial como "f" (como muitos sabem, Volk está presente na palavra portuguesa "folclore" - as tradições, usos e costumes de um povo - e também no "that’s all folks" que conhecemos dos desenhos animados). OK, OK, tudo isto está muito bem. Entende-se. Quem manda são os homens do marketing e eles é que consideram qual é a melhor forma de o público comprar o seu produto. Period!
Entretanto, tudo isto vem a propósito de uns novos anúncios que estão agora a enxamear Lisboa com a filha do Luandino Vieira, a Cláudia, a mostrar o seu corpo, tapado aqui e ali com umas peças mais ou menos eróticas da Triumph. Meus caros amigos: por que razão é que a mesmíssima palavra, inglesa, se pronuncia aportuguesadamente (triunfe) quando se trata de lingerie e recebe a pronúncia original (traiânf) se nos referimos aos automóveis Triumph?
10/09/2007
Elites políticas
Este assunto já foi abordado aqui no blog, embora haja um ponto que tem escapado e me parece importante. Após o 25 de Abril, perfilaram-se na nossa cena política algumas personalidades bem conhecidas, de que hoje não vemos continuidade. É um facto. São geralmente os seus nomes que temos em mente quando falamos em elites políticas. Em vagas sucessivas, entraram no mundo dos partidos, com assento na Assembleia da República e noutros órgãos, pessoas como Henrique Barrilaro Ruas, Natália Correia, Salgado Zenha, Mota Pinto, Maria de Lurdes Pintasilgo, Sottomayor Cardia, Magalhães Mota, Sousa Franco – infelizmente todos já falecidos -, mas restam outros nomes de pessoas ainda válidas e que só muito remotamente se pressente que voltarão à ribalta política. São nomes como os de Freitas do Amaral, Pinto Balsemão, Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite, António Guterres, Vítor Constâncio, Rui Machete, Pacheco Pereira, Ernâni Lopes, Ângelo Correia, Rui Vilar, João Salgueiro, Álvaro Barreto, Dias Loureiro e vários outros que sobressaíram na cena partidária e parlamentar ou ministerial e que depois se "encaixaram" no mundo das empresas, da banca, e em instituições de índole diversa. A pergunta que se deverá fazer não é "Por que razão não voltam?", mas sim "Que motivação terão eles para voltar?". Olhando do ponto de vista dessas pessoas que estão mais out do que in, a pergunta é pertinente. Seria lógico que Vítor Constâncio se retirasse do governo do Banco de Portugal para se embrenhar na selva política? Que motivo suicida tiraria Rui Machete da Fundação Luso-Americana para se misturar na turba dos poluíticos? Será que a obrigatoriedade de muitos detentores de cargos oficiais declararem o seu património - que poderá depois ser consultado, v.g. por jornalistas, e discutido na praça pública - constitui um incentivo ou um desincentivo a que eles regressem? Quem vai deixar o cómodo pelo incómodo? Em nome de um regime fortemente desacreditado?!
Creio que estava a faltar este breve apontamento para a discussão.
Creio que estava a faltar este breve apontamento para a discussão.
10/07/2007
A terceira estação florida de Lisboa

Parte das árvores ainda estão jovens, mas se os paisagistas quiserem plantar mais e as autoridades concordarem, elas podem criar uma terceira estação florida de uma cidade que já tem as olaias cronologicamente como a primeira estação, os jacarandás como segunda, e está a mostrar desejo de ter a Chorizia speciosa como a terceira. Se ter a cidade a florir em Fevereiro/Março/Abril e depois em Maio/Junho já é espectacular, conseguir floração bem visível em Outubro/Novembro torna-a ainda mais atraente. A Chorizia é uma árvore da família do embondeiro e pode ser de grande porte. O seu habitat natural é na parte sul do Brasil e no nordeste da Argentina. O tronco, com picos, tem a forma de um frasco mais bojudo na parte de baixo. As flores são vermelhas e brancas. Lisboa já está há muitos anos embelezada com exemplares destas árvores, v.g. no Jardim Botânico, na Praça da Alegria, no largo do Museu Vieira da Silva, na parte lateral dos Jerónimos, no Parque Eduardo VII, junto à Casa dos Bicos, e agora, já a florirem, em frente ao Centro Cultural de Belém. Dado que o CCB tem quinze anos, as cerca de 20 corízias que foram plantadas ao longo da sua fachada são relativamente recentes, mas vão constituir uma álea muito atraente no futuro, a dar o verdadeiro mote para a terceira estação de árvores em flor na cidade.
Pessoalmente, admiro os arquitectos paisagistas pelos seus conhecimentos e elevado sentido estético, sobretudo quando têm de jogar com a componente temporal. Quem planeia um grande jardim com uma mansão situada no topo de um terreno de encosta não pode gizar algo que vá encobrir a paisagem aos proprietários passados alguns anos. Todas as árvores crescem, como é óbvio, mas umas crescem mais, ou mesmo muito mais do que outras. Saber a altura média que essas árvores irão atingir de forma a embelezar a paisagem sem perturbar a vista inicial faz parte do engenho do arquitecto. Igualmente, todo o paisagista que se preze deve procurar que o jardim que planeia tenha flores praticamente todo o ano. Umas serão de canteiro, outras de arbustos como os hibiscos ou os aloendros, e outras de espécies arbóreas como as olaias, os jacarandás e as corízias, com tempos de floração claramente marcados e espaçados ao longo do ano.
Pessoalmente, admiro os arquitectos paisagistas pelos seus conhecimentos e elevado sentido estético, sobretudo quando têm de jogar com a componente temporal. Quem planeia um grande jardim com uma mansão situada no topo de um terreno de encosta não pode gizar algo que vá encobrir a paisagem aos proprietários passados alguns anos. Todas as árvores crescem, como é óbvio, mas umas crescem mais, ou mesmo muito mais do que outras. Saber a altura média que essas árvores irão atingir de forma a embelezar a paisagem sem perturbar a vista inicial faz parte do engenho do arquitecto. Igualmente, todo o paisagista que se preze deve procurar que o jardim que planeia tenha flores praticamente todo o ano. Umas serão de canteiro, outras de arbustos como os hibiscos ou os aloendros, e outras de espécies arbóreas como as olaias, os jacarandás e as corízias, com tempos de floração claramente marcados e espaçados ao longo do ano.
Permito-me sugerir a quem lê estas linhas que dê um passeio pela cidade, deitando uma olhadela para as corízias em flor. Estas (jovens) do CCB, nas quais admito nunca ter reparado anteriormente, acabaram de ser para mim uma agradável surpresa.
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