Registo que o governo anda um bocado à deriva com as notícias menos boas que vêm chegando relativamente à alta de preços de matérias- primas.
A declaração do congelamento do preço dos passes dos transportes públicos até ao final do corrente ano foi um erro elementar deste governo, ainda por cima cometido por um indivíduo do mesmo partido político que Guterres, o qual, como todos nos lembramos, garantiu a não-subida do preço dos combustíveis. O facto de esse congelamento se aplicar apenas a Lisboa e Porto demonstrou uma lamentável falta de entendimento da importância da cultura local. Um primeiro-ministro de "todos os portugueses" não pode agir assim.
A existência de preços especiais de combustíveis para determinados sectores em tempo de vacas magras constitui um terrível precedente (o tal que é mais importante que o presidente). Qual será o próximo sector a exigir condições especiais? Note-se que isto é exactamente aquilo que o governo se comprometeu a combater, no início do seu mandato, relativamente às situações de privilégio.
A maneira como o comportamento da ASAE se tem mantido, cego quanto a determinados aspectos que entram no campo da cultura tradicional, demonstra falta de tacto político do governo. Contra faltas de higiene, sim - evidentemente - mas não esta sanha persecutória destruidora de conhecidas indústrias caseiras. É caso para divórcio, a ser assinado na mesa de voto.
Entretanto, isto não quer dizer que o governo, por estar maduro, deva amolecer, como frequentemente sucede às pessoas de idade e aqui aconteceria devido ao aproximar do ano eleitoral. A economia pode beneficiar ou prejudicar a política, mas a política eleitoralista tende sempre a prejudicar a economia.
5/31/2008
5/27/2008
Estau?
Uma pequena viagem pela rota da ortografia, a qual continua na berra por causa do akordo, leva-nos a um edifício mandado construir nos meados do século XV em Lisboa pelo Infante D. Pedro, que foi regente do Reino. D. Pedro possuía a educação esmerada que a corte da mãe Lencastre lhe proporcionara e, entre outras coisas importantes, viajou demoradamente pelo estrangeiro. Por este facto chamaram-lhe o Infante das Sete Partidas. Viu muito, teve numerosos contactos lá fora e notou, como não podia deixar de ser, que Lisboa carecia de um edifício condigno para alojar as embaixadas estrangeiras e viajantes ilustres que nos visitassem. Esse edifício, que acabou durante a sua longa vida por ter vários usos – até chegou a albergar na estrebaria elefantes e girafas! – ardeu no século XIX. No local foi erguido o Teatro Nacional D. Maria II, que todos conhecemos.
Entretanto, o curioso é que o nome dado ao tal edifício do Infante D. Pedro era Palácio dos Estaus. Hoje não se usa a palavra "estau", mas será interessante saber que ela vem do português antigo "hostau". Como tiraram o "h-" inicial, o entendimento do termo complica-se, naturalmente (ai, a ortografia!). Contudo, se dissermos que o étimo latino é "hospitale-", que inicialmente significava "habitação para hóspedes" (daí a palavra "hospitalidade"), começamos a entender melhor que com a queda da sílaba medial -pi- tenha ficado "hostau", que então redundou no tal Estaus do palácio.
Ao dizermos "hostau" lembramo-nos, possivelmente, da palavra "hostal", que conhecemos do castelhano moderno. E, se aprendemos algum francês, recordamos que os franceses engoliram o -s- em muitas palavras. Para indicarem que o -s- foi suprimido, colocaram um auxiliador acento circunflexo. Assim é que em vez de "festa" dizem "fête", em lugar de "asno" dizem "âne" e "hôpital" traduz o nosso "hospital". Chegados aqui, vejamos o que fizeram os franceses ao -s- do nosso "hostau" ou do "hostal" castelhano. Fizeram o mesmo: suprimiram-no e colocaram lá o circunflexo da praxe: "hôtel". Vai daí os ingleses, que juraram não usar quaisquer acentos nas suas palavras, aceitaram o termo mas tiraram-lhe o chapéu. Assim chegámos ao "hotel" dos nossos dias, afinal directamente ligado ao nosso antigo hostau (estau).
Perguntará o leitor atento: O.K., estará tudo bem até aqui. Mas como é que se explica o -u de "estau" e o -l de "hotel"? É fácil: O -u e o -l estão foneticamente tão próximos que, se não se podem considerar irmãos, pelo menos primos são. Note-se que nós, portugueses, dizemos Brasil e ouvimos os brasileiros dizer "Brasíu". Nós falamos do nosso (Álvares) Cabral e eles chamam-lhe "Cabrau". É só isto.
Entretanto, o curioso é que o nome dado ao tal edifício do Infante D. Pedro era Palácio dos Estaus. Hoje não se usa a palavra "estau", mas será interessante saber que ela vem do português antigo "hostau". Como tiraram o "h-" inicial, o entendimento do termo complica-se, naturalmente (ai, a ortografia!). Contudo, se dissermos que o étimo latino é "hospitale-", que inicialmente significava "habitação para hóspedes" (daí a palavra "hospitalidade"), começamos a entender melhor que com a queda da sílaba medial -pi- tenha ficado "hostau", que então redundou no tal Estaus do palácio.
Ao dizermos "hostau" lembramo-nos, possivelmente, da palavra "hostal", que conhecemos do castelhano moderno. E, se aprendemos algum francês, recordamos que os franceses engoliram o -s- em muitas palavras. Para indicarem que o -s- foi suprimido, colocaram um auxiliador acento circunflexo. Assim é que em vez de "festa" dizem "fête", em lugar de "asno" dizem "âne" e "hôpital" traduz o nosso "hospital". Chegados aqui, vejamos o que fizeram os franceses ao -s- do nosso "hostau" ou do "hostal" castelhano. Fizeram o mesmo: suprimiram-no e colocaram lá o circunflexo da praxe: "hôtel". Vai daí os ingleses, que juraram não usar quaisquer acentos nas suas palavras, aceitaram o termo mas tiraram-lhe o chapéu. Assim chegámos ao "hotel" dos nossos dias, afinal directamente ligado ao nosso antigo hostau (estau).
Perguntará o leitor atento: O.K., estará tudo bem até aqui. Mas como é que se explica o -u de "estau" e o -l de "hotel"? É fácil: O -u e o -l estão foneticamente tão próximos que, se não se podem considerar irmãos, pelo menos primos são. Note-se que nós, portugueses, dizemos Brasil e ouvimos os brasileiros dizer "Brasíu". Nós falamos do nosso (Álvares) Cabral e eles chamam-lhe "Cabrau". É só isto.
5/26/2008
Simples trocadilho?
Na sociedade portuguesa fala-se demasiado na ética dos valores, mas a que é geralmente implementada é a ética dos favores. (Lembra muito o preâmbulo doce da lei versus o seu articulado puro e duro.)
5/23/2008
E agora, José?
O acordo ortográfico da língua portuguesa foi aprovado no passado dia 16 na Assembleia da República por deputados que cumpriram ordeiramente a habitual disciplina partidária. Honra seja feita a Manuel Alegre, o único socialista que votou contra. Votaram no mesmo sentido apenas três outros deputados, cujo posicionamento apreciei. Abstiveram-se, seguindo também a tradicional linha de obediência partidária, todos os deputados comunistas e os Verdes. É uma votação que mostra, com forte dose de probabilidade, algo que há muito se sabia: que os deputados estão longe de representar com verdade o povo deste país. Uma mudança ortográfica desta dimensão mereceria sem dúvida um referendo - democracia directa - , mas se o próprio Tratado Europeu não foi referendado, como é que alguém poderia pretender isso?
Foram utilizados argumentos de "facto consumado" e, logo à partida, tratava-se de algo que estava na realidade consumado. Prova evidente foi a preparação durante mais de um ano do dicionário da Texto Editores já com o novo léxico ortográfico acordado. A sua publicação antecedeu a votação. Lindo!
Custa-me a mim, e a milhares de outras pessoas que não se revêem na medida, reparar na insensibilidade demonstrada quanto à ortografia do nosso idioma, despachada como se fosse coisa de somenos. Nalguns casos, não terá sido insensibilidade mas puro desconhecimento. O que se fez foi cortar raízes algo à toa - não para servir alguma causa nobre mas, basicamente, para criar alguma uniformidade ortográfica com o português já usado na antiga colónia lusa do Brasil. Como se este acto fosse dar verdadeira uniformidade à língua! As raízes de uma língua são, em parte, como as raízes das plantas. As que são inúteis e provadamente desadequadas podem cortar-se, mas não assim. Sempre quero ver se os brasileiros adoptam as poucas mudanças que o acordo lhes ordena.
Ainda há dias encontrei a palavra "suntuoso" num texto com origem do lado de lá do Atlântico. Confesso que à primeira vista não entendi o significado. Depois, compreendi que se tratava de "sumptuoso". Parecia-me que era de unto que se falava! A partir de agora - o dicionário Universal da Texto Editores dixit - nenhum professor pode considerar que o aluno erra ao escrever "suntuosidade". Mas se escrever "sumptuosidade" também estará bem. Ora bolas para a uniformidade! Com medidas deste tipo, sucede que uma língua de estrutura anglo-saxónica como o inglês passa a transcrever mais fielmente a etimologia das palavras latinas na sua ortografia que o nosso português, que é uma língua neo-latina! A partir de agora passamos a usar na nossa escrita centenas de palavras tropicalizadas. É uma tribalização completa e uma situação verdadeiramente ridícula!
No início do prefácio do novo dicionário da Texto Editores leio, e pasmo: "O português era, até aos dias de hoje, a única língua viva e expandida no mundo ocidental que, surpreendentemente, mantinha duas ortografias oficiais." Não só isto não é verdade - as substanciais diferenças ortográficas entre o inglês britânico e o inglês americano atestam-no à saciedade -, como sucede uma outra coisa: o português passa a ser, ortograficamente, a única língua - tanto quanto eu sei - em que a antiga mãe-pátria curva a cerviz perante o jugo de uma ex-colónia, que no nosso caso é o Brasil.
Pelo meu lado, tenho tentado mostrar neste blog que as línguas são algo de belo, interessante e mesmo apaixonante. Ousar mexer-se num idioma como se estivéssemos a falar de uma lei fiscal é demonstrativo de um enorme desrespeito pelo povo. E vêm depois falar em valores! Respeito todos aqueles deputados que, convictamente, aprovaram uma medida com a qual concordavam. Contra esses, nada tenho. Para todos os outros que actuaram como correia de transmissão das ordens dos respectivos partidos, vai o meu total desprezo. O frete que terão feito leva-me a descrer ainda mais desta alegada democracia.
Para colocar a estrela ditatorial no topo do edifício, o novel Ministro da Cultura portuguesa declarou à imprensa que o propalado prazo de diferimento de seis anos para consolidação do processo não tinha qualquer razão de ser. Aprovada a lei, esta é para ter efeitos imediatos! O Brasil já declarou a sua efectividade a partir de Janeiro de 2009. Está consumada uma parte significativa da vingança brasileira pelos ultrajes da nossa colonização.
Foram utilizados argumentos de "facto consumado" e, logo à partida, tratava-se de algo que estava na realidade consumado. Prova evidente foi a preparação durante mais de um ano do dicionário da Texto Editores já com o novo léxico ortográfico acordado. A sua publicação antecedeu a votação. Lindo!
Custa-me a mim, e a milhares de outras pessoas que não se revêem na medida, reparar na insensibilidade demonstrada quanto à ortografia do nosso idioma, despachada como se fosse coisa de somenos. Nalguns casos, não terá sido insensibilidade mas puro desconhecimento. O que se fez foi cortar raízes algo à toa - não para servir alguma causa nobre mas, basicamente, para criar alguma uniformidade ortográfica com o português já usado na antiga colónia lusa do Brasil. Como se este acto fosse dar verdadeira uniformidade à língua! As raízes de uma língua são, em parte, como as raízes das plantas. As que são inúteis e provadamente desadequadas podem cortar-se, mas não assim. Sempre quero ver se os brasileiros adoptam as poucas mudanças que o acordo lhes ordena.
Ainda há dias encontrei a palavra "suntuoso" num texto com origem do lado de lá do Atlântico. Confesso que à primeira vista não entendi o significado. Depois, compreendi que se tratava de "sumptuoso". Parecia-me que era de unto que se falava! A partir de agora - o dicionário Universal da Texto Editores dixit - nenhum professor pode considerar que o aluno erra ao escrever "suntuosidade". Mas se escrever "sumptuosidade" também estará bem. Ora bolas para a uniformidade! Com medidas deste tipo, sucede que uma língua de estrutura anglo-saxónica como o inglês passa a transcrever mais fielmente a etimologia das palavras latinas na sua ortografia que o nosso português, que é uma língua neo-latina! A partir de agora passamos a usar na nossa escrita centenas de palavras tropicalizadas. É uma tribalização completa e uma situação verdadeiramente ridícula!
No início do prefácio do novo dicionário da Texto Editores leio, e pasmo: "O português era, até aos dias de hoje, a única língua viva e expandida no mundo ocidental que, surpreendentemente, mantinha duas ortografias oficiais." Não só isto não é verdade - as substanciais diferenças ortográficas entre o inglês britânico e o inglês americano atestam-no à saciedade -, como sucede uma outra coisa: o português passa a ser, ortograficamente, a única língua - tanto quanto eu sei - em que a antiga mãe-pátria curva a cerviz perante o jugo de uma ex-colónia, que no nosso caso é o Brasil.
Pelo meu lado, tenho tentado mostrar neste blog que as línguas são algo de belo, interessante e mesmo apaixonante. Ousar mexer-se num idioma como se estivéssemos a falar de uma lei fiscal é demonstrativo de um enorme desrespeito pelo povo. E vêm depois falar em valores! Respeito todos aqueles deputados que, convictamente, aprovaram uma medida com a qual concordavam. Contra esses, nada tenho. Para todos os outros que actuaram como correia de transmissão das ordens dos respectivos partidos, vai o meu total desprezo. O frete que terão feito leva-me a descrer ainda mais desta alegada democracia.
Para colocar a estrela ditatorial no topo do edifício, o novel Ministro da Cultura portuguesa declarou à imprensa que o propalado prazo de diferimento de seis anos para consolidação do processo não tinha qualquer razão de ser. Aprovada a lei, esta é para ter efeitos imediatos! O Brasil já declarou a sua efectividade a partir de Janeiro de 2009. Está consumada uma parte significativa da vingança brasileira pelos ultrajes da nossa colonização.
5/21/2008
A escada do sótão
A casa onde nasci, na província, não era exactamente como a maioria dos apartamentos citadinos de hoje. Posuía uma área comercial ao longo de todo o rés-do-chão, um 1º andar amplo com numerosas divisões e um sótão que impressionava pelo seu vasto espaço - sem qualquer divisão. A este sótão acedia-se por uma escada de dois lanços, dos quais o primeiro tinha um número maior de degraus. "A escada do sótão" era uma expressão usada com relativa frequência lá em casa para este primeiro lanço. Porquê? Porque os seus largos degraus de madeira permitiam que lá se efectuasse o depósito de algumas pequenas coisas, nomeadamente sapatos que, tendo sido já usados, não estavam exactamente em bom estado mas que, pensando bem, ainda suportariam algum uso se isso se tornasse necessário. Verdade se diga que o princípio não era errado. Mais do que uma vez fui lá buscar sapatos de ténis que, em comparação com os que eu tinha calçados naquela altura, estavam em francamente melhor estado.
Por que motivo me ocorre várias vezes na situação política a história da escada do sótão? Porque geralmente os políticos que nos governam não são substituídos por outros impecavelmente novos e claramente melhores, mas sim por carreiristas partidários de nível algo mais baixo. Quando Cavaco Silva saiu de primeiro-ministro, incapaz de cumprir as promessas que tinha feito e de conduzir o país à prometida salvação, não foi deitado fora de vez mas sim colocado na escada do sótão. Em reserva e com tabu. Foi substituído por um Guterres inteligente e bem-falante, que a certo momento, porém, se viu envolvido nas malhas do seu próprio partido e um dia abalou, desanimado e desgostoso. Mais um para a escada do sótão. Durão Barroso, que lhe tomou o lugar por voto do povo devido ao sentimento anti-guterrista que se tinha criado, não se deu bem com a governação. Quando foi convidado para Bruxelas, só na aparência terá hesitado. Nomeou então o seu lugar-tenente Santana Lopes para lhe suceder, continuando assim a dinastia partidária. Santana já se tinha mostrado também como elemento bem-falante. Governou alguns meses como primeiro-ministro, o suficiente para comprovar à saciedade que um indivíduo no poder com inexperiência e criatividade se torna um elemento perigoso. Foi demitido ao fim de um tempo que foi objectivamente curto, mas pareceu uma eternidade para muitos. Mais um para a escada do sótão! Sócrates, igualmente com verve televisiva e discurso fácil, sucedeu-lhe e, em razão da péssima prestação do seu antecessor, logrou até obter maioria absoluta. Surpreendendo muitos de início com medidas acertadas mas dolorosas, está presentemente confrontado com fortes oposições populares depois de um relativamente longo estado de graça. Será que as próximas eleições o atirarão também para a escada do sótão? Desta, entretanto já foram retirados Cavaco Silva, actual Presidente da República, Guterres, que foi nomeado Alto-Comissário para os Refugiados pelas Nações Unidas, e Santana Lopes, que se está a candidatar para líder do principal partido da oposição.
Acho que lá em casa tiveram razão quando instituíram aquele lanço de escada como alternativa ao caixote do lixo. Caso a situação piorasse muito, mesmo o sapato semi-gasto acabava por estar melhor do que o que tínhamos calçado. Lamentavelmente, é tudo uma questão de plano inclinado.
Por que motivo me ocorre várias vezes na situação política a história da escada do sótão? Porque geralmente os políticos que nos governam não são substituídos por outros impecavelmente novos e claramente melhores, mas sim por carreiristas partidários de nível algo mais baixo. Quando Cavaco Silva saiu de primeiro-ministro, incapaz de cumprir as promessas que tinha feito e de conduzir o país à prometida salvação, não foi deitado fora de vez mas sim colocado na escada do sótão. Em reserva e com tabu. Foi substituído por um Guterres inteligente e bem-falante, que a certo momento, porém, se viu envolvido nas malhas do seu próprio partido e um dia abalou, desanimado e desgostoso. Mais um para a escada do sótão. Durão Barroso, que lhe tomou o lugar por voto do povo devido ao sentimento anti-guterrista que se tinha criado, não se deu bem com a governação. Quando foi convidado para Bruxelas, só na aparência terá hesitado. Nomeou então o seu lugar-tenente Santana Lopes para lhe suceder, continuando assim a dinastia partidária. Santana já se tinha mostrado também como elemento bem-falante. Governou alguns meses como primeiro-ministro, o suficiente para comprovar à saciedade que um indivíduo no poder com inexperiência e criatividade se torna um elemento perigoso. Foi demitido ao fim de um tempo que foi objectivamente curto, mas pareceu uma eternidade para muitos. Mais um para a escada do sótão! Sócrates, igualmente com verve televisiva e discurso fácil, sucedeu-lhe e, em razão da péssima prestação do seu antecessor, logrou até obter maioria absoluta. Surpreendendo muitos de início com medidas acertadas mas dolorosas, está presentemente confrontado com fortes oposições populares depois de um relativamente longo estado de graça. Será que as próximas eleições o atirarão também para a escada do sótão? Desta, entretanto já foram retirados Cavaco Silva, actual Presidente da República, Guterres, que foi nomeado Alto-Comissário para os Refugiados pelas Nações Unidas, e Santana Lopes, que se está a candidatar para líder do principal partido da oposição.
Acho que lá em casa tiveram razão quando instituíram aquele lanço de escada como alternativa ao caixote do lixo. Caso a situação piorasse muito, mesmo o sapato semi-gasto acabava por estar melhor do que o que tínhamos calçado. Lamentavelmente, é tudo uma questão de plano inclinado.
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