9/09/2008

Alvíssaras

Dão-se alvíssaras a quem der informações sobre este texto ou aproximado, cujo original me foi roubado recentemente:

"Vamos pensar num Portugal melhor, mais inovador, aberto ao mundo e pleno de confiança; num Portugal de gente que acredita num futuro melhor e para isso trabalha laboriosamente. Ponhamos de lado todo aquele auto-flagelante pessimismo tão típico de alguns portugueses, aqueles a quem a acção confunde e que procuram através de palavras, não de actos, destruir o que outros tão denodadamente realizam. Ao invés, festejemos o triunfo de todos os que labutam diariamente, estudando, investigando e concretizando. Hoje em dia, não somos mais o Portugal de antanho, acanhado e com medo da concorrência. Pelo contrário, esta incentiva-nos a fazer mais e melhor para sermos competitivos não só no mercado nacional como também no europeu e mundial. É sempre com imenso prazer que deparamos com empresas portuguesas de sucesso a colocarem os seus produtos de topo nos Estados Unidos, na China e em toda a Europa. É esse o Portugal que queremos: um país de vanguarda, que olhe o mundo de frente e, sem complexos, avance. Quando um país quer, o homem sonha e a obra nasce."

9/07/2008

A raiz dos conflitos

Tomemos o recente caso da Geórgia ou, numa escala infinitamente menor, disputas entre irmãos, discussões entre colegas, guerrilhas num casal, quezílias entre miúdos. Será possível encontrarmos algum ponto que seja comum aos conflitos que se geram? Existirá algo que, coincidentemente, seja presença constante na origem dos conflitos?
Creio que, se deixarmos o nosso pensamento fluir sem peias, acharemos uma resposta que será satisfatória pelo menos para alguns. Essa "descoberta" reveste-se da vantagem de, através do seu conhecimento, podermos evitar o deflagrar de discussões que por vezes acabam por ir mais longe do que o desejável, ou até de uma guerra que pode atingir proporções totalmente fora de controlo.
De qualquer forma, tudo depende muito da natureza e do bom-senso das pessoas envolvidas. Estas são passíveis de ser divididas em dois grandes grupos com enormes gradações entre si e forte probabilidade de variância: os pacíficos e os belicosos, ou, como na gíria militar se costuma dizer, as pombas e os falcões.
Quando é que duas adoráveis criancinhas se guerreiam? Quando uma delas entra no espaço da outra, v.g. quando se quer apoderar de um brinquedo, uma bola, uma bicicleta, etc. que não são propriamente seus.
Quando é que dois adolescentes se travam de razões? Quando, por exemplo, um pretende roubar ao outro a namorada, ou fabrica mentiras para o deitar abaixo, quedando-se ele, assim, por cima.
Quando é que dois (ou mais) familiares adultos entram em guerra? Quando, por exemplo numa questão de partilhas, não se entendem cordialmente quanto à divisão do território que cada um deve ocupar e discutem acaloradamente quem fica com quê, o que os leva frequentemente a incompatibilizarem-se - não raramente para o resto das suas vidas.
Quando é que um colega de trabalho se incompatibiliza com outro? Quando esse outro penetra no seu espaço e se insinua perfidamente junto das chefias para lhe ocupar o lugar.
Quando é que dois países se guerreiam? Quando um deles não respeita o espaço do outro, físico ou espiritual, i.e. quando um deles quer fazer valer os seus direitos sobre algo que não lhe pertence. Podem ser as águas de um rio, uma fronteira, uma região, um sistema de governo ou mesmo uma religião. Aí inicia-se um conflito, que é geralmente ganho pelo mais forte. O mais fraco pode chamar os seus amigos, que neste caso são designados como "aliados", e estes acudir-lhe-ão ou não, mediante os seus próprios interesses.
De qualquer forma, quando um conflito estala, existe geralmente um acumulado de situações anteriores que contribuem para a sua deflagração. Antagonismos enraizados, rivalidades mais ou menos ancestrais e ressentimentos do passado estão frequentemente por detrás de guerreamentos entre nações e pessoas: aspectos sociológicos e culturais que não são de modo nenhum despiciendos.
O mais curioso de tudo é o facto de a partilha do território do outro - sem invasão! - poder ser, pelo contrário, o início de uma longa amizade ou de um amor duradouro. Aí temos a comunhão de interesses comuns, com uma invasão pacífica e consentida por cada um dos intervenientes do seu próprio território, tanto física como espiritualmente. Essencial, depois, é que nenhum dos parceiros se proponha roubar a liberdade do outro, sendo prepotente, i.e. se lhe invadir o território, estala o conflito!
A conclusão desta despretensiosa e básica cogitação é que um conflito resulta essencialmente da ocupação indevida de um espaço ou território. A intromissão, que é tão vulgar entre os humanos, ocorre entre cidadãos comuns e entre países. É aqui que reside o cerne de qualquer conflito. Se os territórios individuais de cada um, do espaço físico à crença religiosa e à ideologia de uma maneira geral, forem respeitados por outros, haverá paz. A ânsia de conquista, de enriquecimento ou uma noção de superioridade sobre o outro levam à violação do espaço e à consequente conflitualidade.
Poderá e deverá questionar-se se uma paz constante, sem quaisquer conflitos de permeio, é conveniente. Poderá perguntar-se se a natural ambição do homem não traz mais benefícios do que desvantagens e, se por mor dela, os conflitos não acabam por ser benéficos. Estas são outras questões, a que cada um responderá da maneira que melhor entender e mais se coadune com o seu carácter e temperamento. De qualquer forma, a conclusão acima parece-me importante e útil como chamada de atenção. Pedir a outrem para "dar espaço" ou "dar tempo" faz bastante sentido.

9/04/2008

Electrocutar moscas


A coisa não é exactamente nova no mercado, mas foi nova para mim este ano. No Verão, as moscas são tão chatas quanto a gripe o é no Inverno, pelo que um mata-moscas é, em muitos locais de férias, uma peça de equipamento imprescindível para a nossa felicidade. Com pernas e braços naturalmente expostos ao ar para não alimentarmos o calor, só se formos masoquistas a sério é que tiraremos prazer do facto de sermos atacados por moscas que nos utilizam como campos de aterragem. Portanto, com excepção dos produtos químicos que são tóxicos para os bichos mas também para nós, tudo o que venha à mão para o extermínio dessas máquinas voadoras vem a calhar.
Mas raquetes alimentadas a pilhas destinadas a abater moscas no ar?! É chinesice certa, ou pelo menos made in China. Devo dizer que a primeira vez que me deparei com o estranho artefacto, à venda por uns substantivos três euros, me lembrei da ideia das lides tauromáquicas praticadas pelos cavaleiros nobres da Idade Média para assim se treinarem para batalhas contra inimigos humanos: conseguir, do alto do cavalo, que a farpa entrasse no cachaço do bravo touro implicava que, na altura certa e noutro local, o cavaleiro seria suficientemente dextro para cravar a sua espada nas costas ou no peito do inimigo e assim despachá-lo.
Da mesma maneira, pensei, estas raquetes exterminadoras de moscas constituem um óptimo treino para o ténis. Quem acerta num desses insectos voadores ao mesmo tempo que prime o interruptor que faz accionar a pilha e leva à electrocussão da infeliz mosca, está apto a apanhar o bolar seja de um Nadal, seja de um Federer.
Até agora, entretanto, a nossa raquete não apanhou uma única mosca. O motivo é simples: por um lado, matá-las com um mata-moscas clássico enquanto estão pousadas é bem mais simples; por outro, dentro de casa fazer esses gestos amplos, plenos de velocidade e força, contém o elevado risco de levar, para além da mosca, umas tantas molduras com fotos de pessoas sorridentes, a que se juntarão facilmente mais uns tantos berloques de adorno ou mesmo a jarra querida que a tia Sofia nos ofereceu com tanto gosto.
Mas como objecto de museu ou tema para post no blogue, a raquete electrocutadora vale!

9/02/2008

O "jardim oriental" da Quinta dos Loridos







As férias de Agosto, passadas como habitualmente na calma Praia da Areia Branca, proporcionaram-me curtas saídas aos arredores. Destas saídas tenho de salientar a visita que fiz à zona do Carvalhal (concelho do Bombarral), incluindo uma quinta que pela primeira vez conheci quando ela ainda pertencia aos Sepúlvedas.
Foi no final da década de 70 que aconteceu eu ter numa das minhas turmas uma aluna daquela família, que me convidou insistentemente a ir visitar a quinta. Acabei por aceitar o convite, que aliás me proporcionou um belo dia. A área ocupada pela propriedade era a mesma de agora. O sustentáculo da quinta provinha sobretudo da produção de vinho e de fruta. Recordo-me que o que mais impressionava na Quinta dos Loridos (há quem escreva "Louridos") era a mansão, um belo solar de grandes dimensões, brasonado. Além disso, para mim os Sepúlvedas eram uma família que me evocava o império português do Oriente (Índia), sobretudo através de um dilacerante episódio da nossa história trágico-marítima. Na minha memória subsistia uma impressão, ainda forte, do que tinha lido na compilação feita por Bernardo de Brito dos relatos de naufrágios ocorridos com naus portuguesas vindas da Índia entre o século XVI e o XVII. Naus que vinham carregadas de pimenta e várias outras especiarias. O caso do galeão S. João, em que viajava de regresso a Lisboa o Capitão Manuel de Sousa Sepúlveda, tinha sido o mais impressionante. Depois de o galeão, batido pelas alterosas vagas do oceano, se ter afundado, o capitão e toda a sua família foram barbaramente mortos por nativos. O "fidalgo mui nobre e bom cavaleiro" foi, assim, mais uma vítima da ousadia de enfrentar mares nunca dantes navegados, como Camões lembra nos Lusíadas. A ânsia portuguesa de trazer nos barcos tanta carga quanto possível, mesmo se em excesso, para assim aumentar os lucros, a que se juntava o fraco estado de conservação de algumas das embarcações, como era o caso do galeão, também são factos concretos. Para mim foi interessante estar ali com outros Sepúlvedas, descendentes dos que possuíam a quinta desde o século XIX.
Mas os Loridos têm uma história bem mais antiga. Depois de estarem englobados nos coutos da Abadia de Alcobaça, tinham no século XV passado para as mãos de João Annes Lorido. No início do século XVI, o rei D. Manuel cedeu os terrenos da quinta a banqueiros italianos de Cremona (um dos portões da quinta tem grandes semelhanças com o portão da casa-mãe dos Lafeta em Cremona). Mais tarde, em meados do século XVIII, a quinta entrou na posse da família Sanches de Baena, que nela deixou o brasão que ainda hoje se mantém. Foi em meados do século XIX que os Sepúlvedas herdaram a quinta de um familiar que entretanto a tinha adquirido. Mantiveram-na até 1989, altura em que o agora comendador Joe Berardo a comprou e nela introduziu - e continua a introduzir - profundas alterações.
Deixando de lado a conhecida controvérsia sobre a figura de Joe Berardo, que alguns consideram já o Gulbenkian português e que tem a sua vastíssima colecção de arte espalhada pela ilha da Madeira, Centro Cultural de Belém, Quinta da Bacalhôa (Azeitão), Sintra e, itinerantemente, por outros locais como presentemente o Centro Cultural das Caldas da Rainha, não é sem alguma surpresa que agora visitamos a Quinta dos Loridos. O antigo solar dos Lafeta, dos Baena e dos Sepúlvedas, ainda a receber benfeitorias, está convertido em hotel. A quinta recebeu novas vinhas e, dada a excelência de alguns dos solos para as várias castas de novas videiras, espera-se naturalmente uma boa produção, na linha do que Joe Berardo já conseguiu na Bacalhôa.
Porém, acima de tudo, o mais bizarro e insólito para o visitante desprevenido é, sem sombra de dúvida, o "Jardim Oriental" que está ainda em fase de construção mas já oferece características únicas no nosso país. Joe Berardo declarou à imprensa que pretende que aquele "espaço de paz" se transforme no maior jardim oriental da Europa. Segundo o comendador, a ideia ocorreu-lhe aquando da destruição pelos taliban dos monumentais budas existentes no Afeganistão. Do seu ponto de vista, enquanto as religiões cristã e muçulmana são expansionistas, os budistas estão mais interessados em evitar guerras e quesílias de toda a ordem. Criam espaços de paz, onde se pode meditar e reflectir sobre a vida. A ideia de Berardo é a de futuramente denominar o local de Jardim da Paz.
Ocupando uma vasta área de 35 hectares, a quinta possui já um lago artificial, que empresta alguma beleza a uma terra algo poeirenta de vinhas, pinheiros, azinheiros e sobreiros. A dimensão da estatuária que se encontra pelo "jardim" é, de longe, o que mais impressiona o visitante. O arquitecto português José Cornélio, com trabalhos em vários locais do estrangeiro e amigo pessoal do comendador, tem tido um larguíssimo campo de ensaio para algo de novo e único em Portugal. O gosto pode ser duvidoso, mas acaba por deixar uma marca. Espera-se que, no final da construção, o local venha a possuir qualquer coisa como seis mil toneladas de estatuária, numa evocação do oriente feita por ocidentais.
Atrevo-me a aconselhar uma visita ao local, cujas portas estão por enquanto franqueadas a todos os visitantes (não há bilhetes a pagar, até porque há muita coisa em construção, mas não deixa de ser verdade que tudo poderia estar fechado ao público). Talvez seja melhor visitar este lugar ainda in the making, antes de tudo ter sido inagurado, o que é provável que aconteça no próximo ano. É que Joe Berardo, no seu "sonho de paz", gostaria de pôr os visitantes a envergar sobre as suas roupas uma capa "igual para todos".
As fotos mostram aspectos do vasto "jardim", que nada tem a ver, note-se, com buxos cuidadosamente aparados ou lindos canteiros de flores. É de facto algo diferente, mostrando por exemplo em amplos espaços um sorridente Buda no meio de pinheiros lusitaníssimos e duas longas filas de figuras de homens com cavalos por detrás, meio-ocultos na vegetação. Para quem quiser comprar vinhos do comendador, há, como seria previsível, uma loja à entrada. Para os que se dispuserem a almoçar ou jantar, eu recomendaria o restaurante Mãe-d’Água, que fica na estrada junto ao Senhor Jesus do Carvalhal e (ainda) nada tem a ver com o comendador.

8/20/2008

Instada pelo grande animador deste blogue a não deixar o deixar parado durante a sua ida "a banhos", confesso que, sem a facilidade de escrita do nosso escrivão-mor, tenho dado voltas à cabeça, sem encontrar tema a que me atreva.
Contudo, li há dias uma notícia que acho interessante e útil divulgar. Eu, pelo menos, ignorava o facto.

Refiro-me a uma campanha de recolha de óleos domésticos usados, levada a cabo pela AMI com a colaboração de um sem-número de estabelecimentos comerciais (quase todos restaurantes, mas não só) espalhados por todo o país.


Através deste projecto da AMI, que conta já com a participação de milhares
de restaurantes, hotéis, cantinas, escolas, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, vai passar a existir, em Portugal, uma resposta de âmbito nacional para o destino dos óleos alimentares usados, evitando assim a contaminação das águas residuais, em resultado do seu despejo na rede pública de esgotos, e a deposição do óleo em aterro.

Os óleos alimentares usados poderão assim ser transformados em biodiesel,fornecendo uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis, e contribuindo desta forma para reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE).

Segundo a notícia, são produzidos todos os anos em Portugal, 120 milhões de litros de óleos alimentares usados, quantidade suficiente para fabricar 170 milhões de litros de biodiesel.

Acresce que as receitas resultantes da valorização dos óleos alimentares usados serão angariadas pela AMI e aplicadas no financiamento das Equipas de Rua que fazem acompanhamento social e psicológico aos sem-abrigo .

Sabia? Eu, não. Mas acho uma grande ideia e tenciono aderir.