Vai hoje a leilão uma série de objectos pessoais do confesso burlão americano Bernard Madoff e de sua mulher. É um leilão algo estranho, onde estarão, lado a lado com peças de arte, pranchas de surf, casacos, blazers, malas e jóias, num total que ronda as 200 peças. A empresa que vai conduzir o leilão estima que conseguirá arrecadar perto de meio milhão de dólares. Não é muito, e é certamente muito pouco para indemnizar as vítimas da maior fraude financeira de todos os tempos. Calcula-se que Madoff recebeu, ao longo de 20 anos, 65 biliões de dólares.
Seja como for, o que me interessa salientar neste caso é a relativa celeridade com que tudo se está a processar em termos de justiça. Madoff foi preso a 11 de Dezembro de 2008. Menos de 365 dias depois, a mulher de Madoff já concordou em entregar bens no valor de 80 milhões de dólares ao Estado. Só uma casa que o financeiro possuía numa praia está avaliada em 9 milhões.
Entretanto, Madoff não mais sairá da situação de preso em que se encontra. Foi condenado a um cúmulo de 150 anos. É possível que algumas das suas vítimas financeiras tenham já recebido alguma compensação pelos danos sofridos. Sabem, pelo menos, que alguma coisa irão receber. A isto chama-se justiça rápida, principalmente se compararmos com o andamento da justiça no nosso país. Estamos perante uma questão de boa governação, algo que naturalmente se reflecte na produtividade da vida no seu geral. Fica o registo.
11/14/2009
11/10/2009
Taxas do Multibanco
Há anos que oiço falar da apetência da banca portuguesa pela imposição de taxas pelo uso do Multibanco. Sempre me custou a acreditar que essa medida fosse avante, dado que o sistema permitiu uma substancial redução do número de funcionários por agência, com o consequente aumento de produtividade. As simples operações de levantamento ou de depósito, além das transferências e dos muito usados pagamentos das compras nos supermercados e outras lojas tornaram-se imensamente comuns e obrigam, naturalmente, à existência de uma conta bancária com saldos que, somados, dão quantias razoáveis, o que favorece a banca, a qual cobra às empresas pela instalação e uso do Multibanco.
Agora, contudo, começo a acreditar que a medida vai mesmo ser posta em vigor. Por um lado, porque já foi publicada a legislação correspondente, por sinal mais permissiva para os comerciantes e a banca do que sucede na maioria dos países europeus. Mas o que me atemoriza verdadeiramente é a garantia (verbal) do Ministro das Finanças de que vai fazer todo o possível para que a situação não se altere. É que me vem imediatamente à cabeça um dos mais famosos conselhos de Sir Humphrey na clássica série Sim, Sr. Ministro: "Nunca devemos acreditar numa coisa até ouvirmos o respectivo desmentido oficial."
Agora, contudo, começo a acreditar que a medida vai mesmo ser posta em vigor. Por um lado, porque já foi publicada a legislação correspondente, por sinal mais permissiva para os comerciantes e a banca do que sucede na maioria dos países europeus. Mas o que me atemoriza verdadeiramente é a garantia (verbal) do Ministro das Finanças de que vai fazer todo o possível para que a situação não se altere. É que me vem imediatamente à cabeça um dos mais famosos conselhos de Sir Humphrey na clássica série Sim, Sr. Ministro: "Nunca devemos acreditar numa coisa até ouvirmos o respectivo desmentido oficial."
11/08/2009
Alcateias
Costuma dizer-se, a respeito dos filhos de um casal, que não são tanto as palavras de recomendação e conselho que os seus progenitores lhes dão as que verdadeiramente contam, mas sim o exemplo prático que os pais lhes revelam através dos seus actos. Traduzido em sabedoria popular, temos o "Bem prega Frei Tomás: faz o que ele diz, não o que ele faz."
Ora, o facto de esta situação se encontrar na sabedoria popular ilustra bem a frequência do abismo que não raramente existe entre as palavras e os actos das pessoas. Quando essas pessoas ocupam lugares de poder, a distância entre aquilo que lhes sai dos lábios e a sua acção concreta tende a aumentar. A revelação pública de actos pouco próprios é sempre chocante, pelo que constitui inegavelmente uma boa notícia. Um elevado número de leitores da notícia ou de ouvintes regozija-se por duas razões principais: (1) eles não estão envolvidos, o que lhes dá alguma superioridade moral e um posicionamento de juízes a distância e (2) os indivíduos que são postos em causa não são membros do seu grupo social, entendendo-se este "social" no sentido lato de família política, empresarial ou clubista (os leitores e ouvintes que são do mesmo grupo sentem-se chocados e tristes).
O que se tem registado em Portugal, à semelhança de outros países,é que os agentes de poder envolvidos actuam em cadeia de ética de favores, a qual tem a sua lógica mas está em clara oposição com a muito mais recomendável ética de valores. Por seu lado, constituindo o segredo a alma do negócio, todos os praticantes da ética de favores tendem naturalmente a confiar mais no amigo do seu próprio agrupamento social do que em qualquer outra pessoa não arregimentada. Daí surgirem escândalos que, quando são de natureza política, não só incidem sobre indivíduos como abrangem os partidos ao mostrarem a natureza dos tentáculos que unem os seus elementos.
Praticamente todos os partidos que em Portugal têm sido poder foram alvo de escândalos desta ordem a vários níveis, mas invariavelmente com aspectos de negócios materiais englobados. Infelizmente, as correspondentes punições ficaram geralmente adiadas para as calendas. Ora, pancadas em número excessivo no edifício democrático provocam naturais fissuras, que tendencialmente alastram a brechas e depois a buracos maiores que podem causar a queda de toda a estrutura. Para o público que é governado, as palavras dos seus governantes passam a soar a falso e a tentação de fugir aos impostos aumenta na exacta medida em que os cobradores desses impostos não se revelam exemplares no seu comportamento.
Se a justiça não actuar inexorável e celeremente, ou, pior ainda, se ela se mostrar envolvida na rede tentacular de interesses, a corrupção alastrará descontroladamente e o Estado de Direito passará a ser uma farsa. Res non verba é o que, mais uma vez, se pede. Antes que seja demasiado tarde.
Ora, o facto de esta situação se encontrar na sabedoria popular ilustra bem a frequência do abismo que não raramente existe entre as palavras e os actos das pessoas. Quando essas pessoas ocupam lugares de poder, a distância entre aquilo que lhes sai dos lábios e a sua acção concreta tende a aumentar. A revelação pública de actos pouco próprios é sempre chocante, pelo que constitui inegavelmente uma boa notícia. Um elevado número de leitores da notícia ou de ouvintes regozija-se por duas razões principais: (1) eles não estão envolvidos, o que lhes dá alguma superioridade moral e um posicionamento de juízes a distância e (2) os indivíduos que são postos em causa não são membros do seu grupo social, entendendo-se este "social" no sentido lato de família política, empresarial ou clubista (os leitores e ouvintes que são do mesmo grupo sentem-se chocados e tristes).
O que se tem registado em Portugal, à semelhança de outros países,é que os agentes de poder envolvidos actuam em cadeia de ética de favores, a qual tem a sua lógica mas está em clara oposição com a muito mais recomendável ética de valores. Por seu lado, constituindo o segredo a alma do negócio, todos os praticantes da ética de favores tendem naturalmente a confiar mais no amigo do seu próprio agrupamento social do que em qualquer outra pessoa não arregimentada. Daí surgirem escândalos que, quando são de natureza política, não só incidem sobre indivíduos como abrangem os partidos ao mostrarem a natureza dos tentáculos que unem os seus elementos.
Praticamente todos os partidos que em Portugal têm sido poder foram alvo de escândalos desta ordem a vários níveis, mas invariavelmente com aspectos de negócios materiais englobados. Infelizmente, as correspondentes punições ficaram geralmente adiadas para as calendas. Ora, pancadas em número excessivo no edifício democrático provocam naturais fissuras, que tendencialmente alastram a brechas e depois a buracos maiores que podem causar a queda de toda a estrutura. Para o público que é governado, as palavras dos seus governantes passam a soar a falso e a tentação de fugir aos impostos aumenta na exacta medida em que os cobradores desses impostos não se revelam exemplares no seu comportamento.
Se a justiça não actuar inexorável e celeremente, ou, pior ainda, se ela se mostrar envolvida na rede tentacular de interesses, a corrupção alastrará descontroladamente e o Estado de Direito passará a ser uma farsa. Res non verba é o que, mais uma vez, se pede. Antes que seja demasiado tarde.
11/02/2009
Sucata
Chegou hoje mesmo à cidade de Nova Iorque um novo navio, baptizado com o nome da cidade. Trata-se de um vaso de guerra que possui a curiosidade de ter sido construído com sete toneladas e meia do aço recolhido dos salvados das Torres Gémeas da cidade, destruídas pelo atentado de 11 de Setembro de 2001. Do rio Hudson, o barco fez disparar uma salva de 21 tiros em memória das vítimas.
Menciono esta notícia fresquinha a pensar que, se fosse no nosso país, todas aquelas toneladas de aço iriam provavelmente parar às mãos do maior sucateiro cá do sítio. Qual barco, qual carapuça! A carapuça seria de muitos de nós, contribuintes, veneradores e obrigados.
Menciono esta notícia fresquinha a pensar que, se fosse no nosso país, todas aquelas toneladas de aço iriam provavelmente parar às mãos do maior sucateiro cá do sítio. Qual barco, qual carapuça! A carapuça seria de muitos de nós, contribuintes, veneradores e obrigados.
10/31/2009
Pode o trabalho matar?
A resposta à pergunta do título é, certamente, afirmativa. Sempre o foi. Há trabalhos tão perigosos que bastarão pequenos descuidos para que um ou mais trabalhadores percam a vida: desabamento de terras, queda de pontes em contrução, explosões em minas, etc. São acidentes, uns mais fortuitos do que outros, uns com elevada responsabilidade de quem dirige, outros com responsabilidade diminuta.
E pode o trabalho conduzir trabalhadores à morte através do suicídio? Embora aqui o número dos que perdem a vida seja muito inferior, bastaria o muito propalado exemplo da France Telecom, empresa na qual nos últimos 20 meses 25 trabalhadores não conseguiram resistir a pôr termo à sua própria vida, para obtermos uma resposta igualmente afirmativa. O stress sob o qual trabalham pode atingir proporções tais que a única saída entrevista por aqueles a quem os gestores contabilisticamente chamam "recursos humanos" é o de terminar com uma existência que ainda teria um longo caminho a percorrer, com direito a bons momentos de felicidade. Porque é que isso está a suceder na France Telecom - e igualmente noutras empresas em que os casos são menos mediáticos mas também extremamente stressantes?
Neste mesmo blog elogiei há tempos o livro de João Ermida intitulado Verdade, Humildade e Solidariedade. Os meus encómios não foram para o pendor literário revelado pelo autor, mas sim para a franqueza como expõs a sua experiência de gestor com a responsabilidade global da Tesouraria e Mercados Financeiros do Grupo Santander. O livro, como o autor afirma, terá sido a sua melhor terapia contra o stress que continuamente experimentava, ele que decidiu abandonar o seu trabalho aos 38 anos. Não é propriamente contra o Grupo que João Ermida se revolta, mas sim contra a metodologia usada pelas cúpulas naquela e noutras empresas semelhantes. É a este propósito que transcrevo um passo do seu livro: "Vivemos num mundo onde é exigido aos homens e mulheres que não adormeçam em nenhum momento, pois se não estiverem preparados para o próximo desafio, este pode passar por eles sem que eles reajam. É esse medo da oportunidade perdida que nos leva a sermos cada vez mais egocêntricos, e é precisamente este egocentrismo a causa de tanto desespero no mundo actual, levando-nos a viver duas vidas bem distintas: a profissional e a pessoal. Na primeira, tudo nos é exigido e exigimos tudo de todos; na segunda, ansiamos por chegar a casa para viver segundo o código de valores que aprendemos. Na nossa vida profissional, somos chamados a desenvolver capacidades de resposta a problemas e situações onde a nossa ética tem de ser posta de lado. Somos treinados para sermos ambiciosos, gananciosos e deixar de lado qualquer tipo de comportamento que revele complacência. Quando saímos do trabalho, tentamos recuperar os valores éticos que nos ensinaram desde crianças, mas esses já dificilmente conseguem aparecer. Disto se ressente cada vez mais o nosso casamento e as relações com os nossos filhos."
Noutro passo, que considero também significativo, João Ermida elucida-nos: "Aquilo de que me apercebo é que, no mundo de hoje dos negócios, a verdade foi perdendo interesse. É mais importante fazer promessas que nunca serão cumpridas do que tentar vender a realidade dura em que se vive. Este facto leva a que empregados sejam postos em situações de total insegurança no seu trabalho, devido aos enormes objectivos que lhes são impostos, os quais só por sorte serão cumpridos."
Peço desculpa pela extensão das citações, mas sei que elas dizem mais do que aquilo que eu, felizmente sem esta experiência, poderia alguma vez descrever. Flexibilidade no trabalho e adaptabilidade a novas funções são dois conceitos muito comuns na gestão dos dias de hoje. Eles destroem equipas de trabalho como se isso fosse insignificante para os trabalhadores. Estes sentem-se obrigados pelas circunstâncias a entrar em concorrência com os seus colegas para evitar um despedimento que pode chegar a qualquer hora. Um ambiente inquisitorial é propício a denúncias pouco leais da parte de colegas. É o salve-se quem puder, "a corrosão do carácter", como Richard Sennet lhe chamou. O trabalhador não sabe geralmente quais são os verdadeiros objectivos da empresa em que labora, embora de antemão compreenda que o aumento dos lucros é o objectivo número um. Sabe também que é controlado nas suas pausas de trabalho e admoestado – ou alvo de delação – se eventualmente as excede por necessidade de descanso cerebral. Sabe também que existe no ar um clima de medo, de ausência de solidariedade, de humilhação. Sabe que a sua liberdade desapareceu. A auto-estima de que os livros teoricamente falam esvaiu-se também. Se ele sente que é a sua própria identidade que está em jogo, que apego pode ter à vida?
Apercebemo-nos de que muitos gestores de topo esqueceram a maior parte dos valores da sua cultura. Semelhantemente à maneira como vêem capitais serem aplicados de forma quase esclavagista em países asiáticos como a China, a Índia, o Paquistão e a Indonésia, pretendem impor na Europa sistemas que são por demais aviltantes para quem há muito deixou a selva para viver na urbe. Estamos a voltar a tempos e práticas que se julgavam mortas, enterradas pelo tempo e para sempre ultrapassadas pela civilização. Que tudo isto seja aceite sem grandes movimentos de revolta é também claramente um sinal dos tempos.
Os ricos devem tratar dos pobres, para que não sejam os pobres a tratar dos ricos.
E pode o trabalho conduzir trabalhadores à morte através do suicídio? Embora aqui o número dos que perdem a vida seja muito inferior, bastaria o muito propalado exemplo da France Telecom, empresa na qual nos últimos 20 meses 25 trabalhadores não conseguiram resistir a pôr termo à sua própria vida, para obtermos uma resposta igualmente afirmativa. O stress sob o qual trabalham pode atingir proporções tais que a única saída entrevista por aqueles a quem os gestores contabilisticamente chamam "recursos humanos" é o de terminar com uma existência que ainda teria um longo caminho a percorrer, com direito a bons momentos de felicidade. Porque é que isso está a suceder na France Telecom - e igualmente noutras empresas em que os casos são menos mediáticos mas também extremamente stressantes?
Neste mesmo blog elogiei há tempos o livro de João Ermida intitulado Verdade, Humildade e Solidariedade. Os meus encómios não foram para o pendor literário revelado pelo autor, mas sim para a franqueza como expõs a sua experiência de gestor com a responsabilidade global da Tesouraria e Mercados Financeiros do Grupo Santander. O livro, como o autor afirma, terá sido a sua melhor terapia contra o stress que continuamente experimentava, ele que decidiu abandonar o seu trabalho aos 38 anos. Não é propriamente contra o Grupo que João Ermida se revolta, mas sim contra a metodologia usada pelas cúpulas naquela e noutras empresas semelhantes. É a este propósito que transcrevo um passo do seu livro: "Vivemos num mundo onde é exigido aos homens e mulheres que não adormeçam em nenhum momento, pois se não estiverem preparados para o próximo desafio, este pode passar por eles sem que eles reajam. É esse medo da oportunidade perdida que nos leva a sermos cada vez mais egocêntricos, e é precisamente este egocentrismo a causa de tanto desespero no mundo actual, levando-nos a viver duas vidas bem distintas: a profissional e a pessoal. Na primeira, tudo nos é exigido e exigimos tudo de todos; na segunda, ansiamos por chegar a casa para viver segundo o código de valores que aprendemos. Na nossa vida profissional, somos chamados a desenvolver capacidades de resposta a problemas e situações onde a nossa ética tem de ser posta de lado. Somos treinados para sermos ambiciosos, gananciosos e deixar de lado qualquer tipo de comportamento que revele complacência. Quando saímos do trabalho, tentamos recuperar os valores éticos que nos ensinaram desde crianças, mas esses já dificilmente conseguem aparecer. Disto se ressente cada vez mais o nosso casamento e as relações com os nossos filhos."
Noutro passo, que considero também significativo, João Ermida elucida-nos: "Aquilo de que me apercebo é que, no mundo de hoje dos negócios, a verdade foi perdendo interesse. É mais importante fazer promessas que nunca serão cumpridas do que tentar vender a realidade dura em que se vive. Este facto leva a que empregados sejam postos em situações de total insegurança no seu trabalho, devido aos enormes objectivos que lhes são impostos, os quais só por sorte serão cumpridos."
Peço desculpa pela extensão das citações, mas sei que elas dizem mais do que aquilo que eu, felizmente sem esta experiência, poderia alguma vez descrever. Flexibilidade no trabalho e adaptabilidade a novas funções são dois conceitos muito comuns na gestão dos dias de hoje. Eles destroem equipas de trabalho como se isso fosse insignificante para os trabalhadores. Estes sentem-se obrigados pelas circunstâncias a entrar em concorrência com os seus colegas para evitar um despedimento que pode chegar a qualquer hora. Um ambiente inquisitorial é propício a denúncias pouco leais da parte de colegas. É o salve-se quem puder, "a corrosão do carácter", como Richard Sennet lhe chamou. O trabalhador não sabe geralmente quais são os verdadeiros objectivos da empresa em que labora, embora de antemão compreenda que o aumento dos lucros é o objectivo número um. Sabe também que é controlado nas suas pausas de trabalho e admoestado – ou alvo de delação – se eventualmente as excede por necessidade de descanso cerebral. Sabe também que existe no ar um clima de medo, de ausência de solidariedade, de humilhação. Sabe que a sua liberdade desapareceu. A auto-estima de que os livros teoricamente falam esvaiu-se também. Se ele sente que é a sua própria identidade que está em jogo, que apego pode ter à vida?
Apercebemo-nos de que muitos gestores de topo esqueceram a maior parte dos valores da sua cultura. Semelhantemente à maneira como vêem capitais serem aplicados de forma quase esclavagista em países asiáticos como a China, a Índia, o Paquistão e a Indonésia, pretendem impor na Europa sistemas que são por demais aviltantes para quem há muito deixou a selva para viver na urbe. Estamos a voltar a tempos e práticas que se julgavam mortas, enterradas pelo tempo e para sempre ultrapassadas pela civilização. Que tudo isto seja aceite sem grandes movimentos de revolta é também claramente um sinal dos tempos.
Os ricos devem tratar dos pobres, para que não sejam os pobres a tratar dos ricos.
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