1/30/2010

A pronúncia em inglês do –s- intervocálico

"Estou aqui a ler um texto espanhol e vejo que a palavra masoneria, correspondente à nossa maçonaria, se escreve com –s-. Em português é com um –ç-, não é verdade?” À pergunta que me fizeram, respondi afirmativamente. E lembrei-me imediatamente das minhas aulas de linguística na Faculdade, onde aprendi que, em tempos antigos, na língua portuguesa havia quatro pronúncias diferentes para o s. Por exemplo, paço distinguia-se claramente de passo, o que presentemente não sucede.
Na língua portuguesa a pronúncia do –s- entre duas vogais ou entre um ditongo e uma vogal não oferece quaisquer problemas: lê-se z. Exemplos: casa, liso, teso, tosa, grosa, griso, fuso, coisa. Este facto leva a maioria dos alunos portugueses que estudam inglês a crer que o mesmo se passa na língua inglesa. É por vezes com surpresa que se apercebem, apenas ao fim de alguns anos de aprendizagem, que não é exactamente assim. Em inglês, a pronúncia do –s- intervocálico tanto pode ser igual à portuguesa (z), como diferente (ss). Da lista abaixo, que contém apenas palavras bastante comuns, quais diria que são pronunciadas z e quais as outras em que –s- se pronuncia –ss-?
Comecemos pela palavra inglesa que está na origem de maçonaria: mason. É pronunciada (meizn) ou (meissn)?
E estas: house, houses, base, basic, visitor, museum, casino, resort, case, crusade, geese, I’m used to using the computer with a mouse.
(Prometo escrever aqui a solução dentro de dias. O leitor poderá entretanto encontrar a pronúncia correcta em qualquer dicionário ou na própria Net. Quem aprende por si acaba por fazer a mais sólida das aprendizagens.) Este texto é basicamente um alerta.

P.S. E aqui está a prometida solução. Por vezes, pode haver palavras que possuam uma diferença na pronúncia do -s- consoante se trate de substantivo ou de verbo. Indico as formas mais vulgares, que são as de substantivos.
Mason = ss; House = ss; Houses = z; Base = ss; Basic = ss; Visitor = z; Museum = z;
Casino = ss; Resort = z; Case = ss; Crusade = ss; Geese = ss; Used to = ss; Using = z; Mouse = ss
De minha experiência, diria que há muitos estudantes a errarem em palavras tão comuns como house e mouse; também em basic, que os portugueses gostam (erradamente) de pronunciar bázique e em case. Casino é também geralmente pronunciado à portuguesa. Quanto a used to (= costumar) igual a ss; used (utilizar) igual a z. Não é difícil, mas convém estar atento à pronúncia.

1/27/2010

Prepotência


O assinante da ZON recebe uma brochura na sua caixa do correio, que lhe anuncia "Novos Canais na sua TV a partir de 1 de Fevereiro". Como não é a primeira vez que tal sucede, depois de ver quais são esses novos canais – BIGGS e FOX – o assinante procura com muito maior ansiedade quais são aqueles que vão ser eliminados. "Ninguém dá nada a ninguém" é um provérbio exagerado nalguns casos, mas quando se trata de empresas nos seu relacionamento com clientes já se sabe que ele não podia ser mais certo. Quais são então os canais que vão ser eliminados? Dois que davam prazer em ver e eram frequentemente escolhidos: TV5 MONDE e SKY NEWS. Ora, é exactamente por isso, por terem procura que a ZON os coloca numa grelha diferente, a pagar suplementarmente, claro. Unilateralmente. Quem pediu um Biggs e um Fox? Ninguém. Quem roubou dois canais à assinatura regularmente paga todos os meses? A ZON.
Quem é ZON está tudo menos ON. Está OFF.

1/26/2010

Brain gain

Há cerca de 15 anos que a China está a tentar compensar o seu anterior brain drain com o brain gain. Traduzido por miúdos, o que significa este jargão? Vários países desenvolvidos do mundo têm sido peritos em conseguir atrair bons cérebros estrangeiros para estudar nas suas universidades. Os Estados Unidos têm sido, sem dúvida, os grandes campeões neste domínio. Graças às suas esplêndidas universidades, de forte credibilidade a nível mundial, e ao efectivo know-how que os melhores estudantes adquirem, não se torna difícil que muitos países estrangeiros concedam bolsas aos seus melhores alunos para estudarem nos Estados Unidos. Aliás, mais de 50 por cento dos doutoramentos nos EUA são realizados por estudantes não nascidos na América. Posteriormente, um número substancial desses cérebros excepcionais realiza investigação nos EUA, publica livros, lecciona, etc. As nações que os perderam ficaram sem a melhor seiva que possuíam. É frequente, porém, que os doutorados não se sintam atraídos pela hipótese de regressarem ao seu país de origem devido aos salários elevados que conseguem auferir nos EUA. Por seu lado, a América rentabiliza de várias formas a capacidade desses grandes cérebros.
Contudo, neste momento existe já um número interessante de países a competirem com os EUA quanto ao regresso desses investigadores, professores cientistas. Depois do brain drain (fuga de cérebros) vem agora o brain gain , que é basicamente a recuperação desses cérebros. O país que presentemente oferece melhores condições para o retorno dessa elite intelectual é a China. É uma aposta importante. Com uma garantia: se os melhores talentos estiverem livres das teias burocráticas que tradicionalmente emperram trabalhos inovadores em países ditatoriais, poderão ocorrer significativas melhorias a médio prazo.
De 1979 até 2009, cerca de 1,4 milhões de chineses conseguiram vistos de estudo para saírem do país. Desses, apenas 400 mil regressaram. Actualmente, a parada para o regresso das melhores cabeças subiu. É tudo uma questão de horizontes.

1/24/2010

RAÍCES



Por preciosa sugestão de um amigo, assisti ontem a um espectáculo diferente de tudo aquilo que até agora tinha visto.
Tratou-se de uma apresentação do grupo espanhol “RAÍCES” interpretando cantos tradicionais judéo-espanhóis com o mui sugestivo título de “Palavricas de amor, canticas y romanzas sefardíes”.
Música fabulosa e a simpatia e boa voz da vocalista do grupo (na fotografia, sentada ao meio) fizeram da hora e tal de espectáculo um encantamento. Devo confessar que não tinha conhecimento da música sefardita, e que a que ontem ouvi me transportou para um mundo de beleza, ora alegre, ora melancólica, mas sempre muito bonita. Senti-me nalguma festa de corte do século XV (enquanto houve judeus em Portugal os reis não dispensaram os seus cantos e danças nas festas palacianas), ou numa das típicas cenas de casamentos judeus que vemos em filmes americanos.
A cada música, a vocalista do grupo dava uma pequena explicação do que se ia ouvir: a origem (marroquina, turca, argelina...) e as circunstâncias em que a mesma era cantada (casamento ou outra cerimónia)
Os restantes cinco elementos do grupo tocavam todos eles instrumentos de cordas: uma bandúrria, um laúd (ambos tìpicamente espanhóis com origens na Idade Média), um violino, uma guitarra acústica e outra semi-acústica.
Sinto-me mais rica, hoje!
Quando souber de outra digressão por Portugal, além de garantir lugar para mim, avisarei quem agora ficou com pena de não ter ido.

1/22/2010

Um argumento de peso


Creio que todos nós achamos perfeitamente justificado que um excesso de bagagem transportada de avião seja sujeito a um pagamento extra. Se não fosse assim, em breve os passageiros quereriam que os aviões onde viajam transportassem este mundo e o outro. Tudo bem com a bagagem, portanto. E se a questão se colocar com os próprios passageiros? Será que o Obélix, devido ao seu peso, deverá pagar mais pelo bilhete do que o seu amigo Astérix? Ou deverá comprar um segundo bilhete, na medida em que poderá vir na realidade a ocupar dois lugares?
Esta é uma questão que, se foi já várias vezes colocada pelas companhias de aviação nas suas reuniões de trabalho, nunca transpirou cá para fora. Nunca, isto é: até esta semana. A Air France que, em associação com a KLM, forma a maior companhia de aviação europeia, anunciou esta semana que iria oferecer um lugar vago a passageiros obesos. Como? Passageiros com peso considerado excessivo podem a partir de agora comprar um segundo assento com o desconto especial de 25 por cento. Se o voo não estiver cheio, o dinheiro pago será posteriormente reembolsado.
O porta-voz da companhia informou que, em consonância com o praticado por outras linhas aéreas, existe sempre a possibilidade de passageiros obesos serem impedidos de embarcar. Por que razão? Porque "as companhias querem ter a garantia de que um avião pode ser totalmente evacuado no tempo máximo de 90 segundos".
Acrescentou o mesmo porta-voz que, no caso de um passageiro obeso não ter adquirido um bilhete extra, o pessoal do check-in não levantará qualquer objecção. Por sua vez, já dentro do aparelho os assistentes de bordo tentarão encontrar uma solução, uma vez que "em 99 por cento" dos casos os aviões não esgotam a sua lotação.
Um pormenor importante para evitar discriminações absolutas: qualquer outro passageiro sem problemas pessoais de peso poderá igualmente adquirir um segundo bilhete com os mesmos 25 por cento de desconto. Neste caso, porém, não terá direito a qualquer reembolso depois de efectuada a viagem.