Infelizmente, constata-se que um número significativo de sinais aponta para um mesmo facto: a liberalização do aborto não passará de novo desta vez. Assumo-me claramente a favor do "sim", mas não posso deixar de verificar a existência de uma enorme onda de "nãos" e outra de abstenções pelos mais diversos motivos.
A condenação pela Ordem dos Médicos - embora não disciplinar - dos clínicos que "sujem" as suas mãos é um entrave de tomo. Tem estado na base de procedimentos opostos em Portugal e Espanha com base em leis muito idênticas. Já o posicionamento da Igreja não surpreende ninguém. Tem sido conservadora e assim continuará. Um bispo das remotas regiões do nordeste ousou comparar o aborto à execução de Saddam Hussein. Saberá o bispo em questão que o ridículo mata? Existem mesmo assim numerosas excepções nalguns sectores dos católicos praticantes, mas aparentemente as outras vozes soam mediaticamente mais fortes. Convém sempre não esquecer que não se pode destruir com a razão convicções que derivam da fé, seja esta qual for. A razão é geralmente impotente perante a paixão.
Oiço, aqui e ali, argumentos que não ajudam. "Então não há assuntos mais importantes para debater neste país do que o aborto? Ponham mas é a economia a funcionar melhor, que isto está uma desgraça!" Outros clamam: "Já somos poucos, o país está cheio de imigrantes, se vamos liberalizar o aborto qualquer dia ainda somos menos."
O aborto é algo estritamente do foro individual. Pretende-se apenas que, para uma mulher que está com uma gravidez que não deseja, exista a possibilidade de ser legalmente atendida num hospital antes de findo um prazo de dez semanas. Escreve-me uma boa amiga: "Nenhuma mulher aborta de ânimo leve. É uma decisão muito dificil que só acontece em último caso. O peso dessa decisão já é um fardo difícil de carregar. Pelo menos que lhe sejam dadas as condições para fazê-lo em segurança e não lhe ponham ainda em cima a carga de um processo judicial."
É nestes temas que surge o lado conservador da sociedade portuguesa em toda a sua intolerância, com o seu indisfarçável autoritarismo e anti-liberalismo. Quer impor tudo a todos. A sua intolerância revela-se exactamente em casos como este do aborto, da liberalização das drogas leves e até das touradas (não das guerras, que essas serão necessárias para purificar o planeta). Deixar o aborto ao livre arbítrio da mulher, mesmo que dentro de um determinado número de semanas de gravidez, é intolerável para essas pessoas. É a sociedade virtuosa que assim fala. Que pretende impor o medo aos outros. Que gosta de falar em termos de vingança divina e de inferno. A sociedade virtuosa, que não se importa de enganar o fisco por múltiplas razões, mas que nisto é implacável. Na realidade, pouco mudou no seu moralismo desde o 25 de Abril. Muitos ficaram até mais encarniçados na sua luta. A religião continua a ser uma das instituições que definem este lado conservador da sociedade. E não se julgue que, em termos partidários, este conservadorismo é apanágio do CDS. Será muito do CDS, de facto, mas também muitíssimo do PSD, além de ser igualmente de uma parte significativa do PS.
Quer queiramos, quer não, estamos em face do mesmo Portugal hipócrita de Salazar, que exige dos outros o cumprimento de preceitos que os próprios nem sempre cumprem. O Portugal da justiça dúbia do caso Casa Pia. O tema do aborto inclui todos estes ingredientes. É a cultura funda, o povo sem máscara, o Salazar do catecismo e dos bons costumes. Se, nas votações políticas, os candidatos não sabem em quem se votou secretamente, num caso como este do aborto, é Deus quem tudo vigia! E tudo muda de figura. É por isso que se torna tão difícil fazer passar em referendo o aborto em Portugal. "Atentar contra a vida humana, nunca!" Depois, algo contraditoriamente com a violência demonstrada nas palavras e possivelmente pensando que os próprios ou seus familiares podem um dia ser apanhados nas mesmas malhas, "mas fazer as mulheres ir para a prisão! Não, isso não!" Uma no cravo, outra na ferradura. O país do "nim" e do "talvez".
Junte-se a isto o facto de o referendo só ser válido com a afluência às urnas de mais de 50 por cento dos eleitores. Atente-se que, apesar de as listas eleitorais já terem sido expurgadas de muitos mortos e emigrantes, continuam naturalmente a contar com mais eleitores nominais do que os reais. E é relativamente aos nominais que é preciso chegar aos 50 por cento!
Por tudo isto, parece difícil que o "sim" ganhe. Uma vez que os dirigentes do PS votam oficialmente "sim", uma abstenção ou um "não" até constituem uma boa maneira de mostrar descontentamento para com a governação.
Este conjunto de factores leva-me a crer que vai suceder ao "sim" do referendo sobre o aborto o mesmo que sucedeu à Constituição Europeia: não passará. Tudo vem mostrar que, apesar de Portugal ter mudado muito no aspecto das suas vilas e cidades, nas suas estradas e transportes, manteve-se muito perto do que era antigamente na sua mentalidade mais profunda. Será esta, possivelmente, a única vantagem do referendo: dar-nos o retrato real do nosso país. Triste consolação para um problema que há muito deveria ter deixado de o ser.
1/18/2007
1/14/2007
O descalçar da bota
Calçar uma bota é geralmente mais simples do que descalçá-la. Há mulheres e homens que recorrem frequentemente ao auxílio de outrem para retirar da perna e do pé uma bota de cano alto que já tenha entrado com algum custo.
De minha experiência pessoal, o caso mais gritante - e este qualificativo tem significado real - foi o do Brito, soldado de um pelotão que eu comandava na guerra colonial em Angola. Estando nós já muito em vésperas de embarcar de regresso a Lisboa depois de mais de dois anos em África, meteu-se na cabeça do referido soldado que aquela última patrulha que íamos fazer pelo mato lhe iria ser fatal. Após tantas situações de fogo de que felizmente escapara ileso!
De madrugada, estávamos todos prontos para partir quando de súbito ouvimos um tiro imediatamente seguido de um grito desesperado. Acorremos e vimos o pobre do Brito no chão, a contorcer-se com dores e a dizer mal da sua vida. Apurar de pronto exactamente o que se passara não foi de todo fácil, mas acabou por se descobrir. Para evitar ir à patrulha que pretendíamos fazer, o soldado tinha mentalmente urdido um esquema que só tinha que dar certo. Não deu. Encostou o cano da espingarda à bota do pé direito, calculando o espaço entre o dedo grande e o que está a seu lado. Era aí que a bala devia passar, causando-lhe um ferimento ligeiro mas suficiente para o impedir de andar. As coisas correram-lhe mal. A bala acabou por penetrar-lhe num dos dedos.
Agora, havia que descalçar-lhe a bota, o que se provou impossível pelas dores que ele manifestamente tinha. A bota teve que ser rapidamente cortada o melhor que pudemos, até que acabou por sair. O pé, todo ensanguentado, recebeu um primeiro tratamento. Restou-nos depois evacuar o soldado para o hospital, onde esteve internado alguns dias.
Este caso da auto-infligida bota-difícil-de-descalçar ocorre-me frequentemente a propósito dos americanos no Iraque. O cego e auto-assumido superiorismo americano à escala mundial fez a América entrar unilateralmente na sua grande aventura do Médio Oriente rico em recursos energéticos que lhe são essenciais. E agora, George? Mesmo rasgando-a, a bota sairá? E a que preço? Infelizmente, muito sangue, demasiado sangue já correu. Quanto tempo demorará o internamento hospitalar até o pé ficar definitivamente curado aos olhos do mundo? E terá cura?
De minha experiência pessoal, o caso mais gritante - e este qualificativo tem significado real - foi o do Brito, soldado de um pelotão que eu comandava na guerra colonial em Angola. Estando nós já muito em vésperas de embarcar de regresso a Lisboa depois de mais de dois anos em África, meteu-se na cabeça do referido soldado que aquela última patrulha que íamos fazer pelo mato lhe iria ser fatal. Após tantas situações de fogo de que felizmente escapara ileso!
De madrugada, estávamos todos prontos para partir quando de súbito ouvimos um tiro imediatamente seguido de um grito desesperado. Acorremos e vimos o pobre do Brito no chão, a contorcer-se com dores e a dizer mal da sua vida. Apurar de pronto exactamente o que se passara não foi de todo fácil, mas acabou por se descobrir. Para evitar ir à patrulha que pretendíamos fazer, o soldado tinha mentalmente urdido um esquema que só tinha que dar certo. Não deu. Encostou o cano da espingarda à bota do pé direito, calculando o espaço entre o dedo grande e o que está a seu lado. Era aí que a bala devia passar, causando-lhe um ferimento ligeiro mas suficiente para o impedir de andar. As coisas correram-lhe mal. A bala acabou por penetrar-lhe num dos dedos.
Agora, havia que descalçar-lhe a bota, o que se provou impossível pelas dores que ele manifestamente tinha. A bota teve que ser rapidamente cortada o melhor que pudemos, até que acabou por sair. O pé, todo ensanguentado, recebeu um primeiro tratamento. Restou-nos depois evacuar o soldado para o hospital, onde esteve internado alguns dias.
Este caso da auto-infligida bota-difícil-de-descalçar ocorre-me frequentemente a propósito dos americanos no Iraque. O cego e auto-assumido superiorismo americano à escala mundial fez a América entrar unilateralmente na sua grande aventura do Médio Oriente rico em recursos energéticos que lhe são essenciais. E agora, George? Mesmo rasgando-a, a bota sairá? E a que preço? Infelizmente, muito sangue, demasiado sangue já correu. Quanto tempo demorará o internamento hospitalar até o pé ficar definitivamente curado aos olhos do mundo? E terá cura?
1/05/2007
Númaros
É de todos os tempos o maior gosto das pessoas pelos números ou pelas letras. Feliz aquele que gosta de ambas as áreas, na medida em que entende melhor a realidade.
Esta questão dos "númaros" vem aqui a propósito dos maus resultados a Matemática dos alunos do 9º Ano. Os resultados do exame nacional ficam, na generalidade, abaixo das classificações internas das escolas. Verifica-se, ainda, que os alunos apresentam grandes dificuldades na resolução de problemas.
Relativamente à discrepância entre as notas internas e as do exame oficial, ocorreram-me imediatamente as reservas que todos os professores do meu curso de liceu faziam quanto às notas que nos davam no final dos períodos. Era ponto de honra para eles que as notas do exame à escala nacional não fossem inferiores - a não ser em casos excepcionais, sempre de admitir - às das suas próprias classificações. Pareceria que estavam a beneficiar os alunos e a enganar-se a si mesmos. Seria um descrédito para a escola. Outros tempos!
Já quanto às dificuldades em resolver problemas, lembrei-me de fazer um pequeníssimo teste - que admito não ser representativo - com um miúdo meu vizinho que frequenta o 8º Ano. Fui buscar um velhíssimo (1947) livro de exercícios do Ensino Primário Elementar, da autoria do Prof. Tomás de Barros. Tratava-se, portanto, de exercícios da antiga 4ª classe e preparação para o exame de admissão. Coloquei-lhe meia dúzia de exercícios, tal como lá se encontravam. Os três primeiros eram para simples cálculo mental (CM).
1.(CM) Foi distribuído 1/2 dum pão por cada pobre. Foram contemplados 150 pobres. Quantos pães se gastaram?
2.(CM) Um aluno duma escola gasta por mês dois cadernos de papel. Quantos cadernos gasta em 5 trimestres?
3.(CM) Quantos segundos há em 2/4 de hora?
4. Um galinheiro tinha numa feira 17 dúzias de galinhas que despachou depois para Lisboa ao preço de 114$00 cada dúzia. A como vendeu cada par dessas aves?
5. Um negociante falido ficou a dever aos seus credores 2/3 da sua dívida, correspondente a 40 contos. De quanto era a dívida?
6. Uma obra pode ser feita por um só homem em 40 horas, 42 minutos e 27 segundos. Mas, se trabalhassem nela 3 homens, em que tempo se acabaria o trabalho?
O aluno em questão mostrou-se incapaz de resolver as primeiras três questões apenas através de cálculo mental e, quanto aos problemas, usando papel e lápis, acertou no nº 5.
Não estou com isto a defender o ensino antigo em todas as suas áreas, como é evidente. Sobre a parte de indoutrinação, então nem é bom falar! (A este propósito, aliás, gostaria de recomendar, a quem ainda o conseguir encontrar, um livrinho da D. Quixote publicado nos anos 70 (antes do 25 de Abril) com o título Ensino Primário e Ideologia. A autora, minha colega de curso, é Maria de Fátima Bívar, que mais tarde adoptou o nome literário de Maria Velho da Costa. O livro é um mimo. A não perder!)
Se têm miúdos vizinhos, ou familiares, em idade de 10 a 14, coloquem-lhes as mesmas questões. Espero que os resultados que venham a obter sejam melhores do que aqueles que consegui apurar.
Esta questão dos "númaros" vem aqui a propósito dos maus resultados a Matemática dos alunos do 9º Ano. Os resultados do exame nacional ficam, na generalidade, abaixo das classificações internas das escolas. Verifica-se, ainda, que os alunos apresentam grandes dificuldades na resolução de problemas.
Relativamente à discrepância entre as notas internas e as do exame oficial, ocorreram-me imediatamente as reservas que todos os professores do meu curso de liceu faziam quanto às notas que nos davam no final dos períodos. Era ponto de honra para eles que as notas do exame à escala nacional não fossem inferiores - a não ser em casos excepcionais, sempre de admitir - às das suas próprias classificações. Pareceria que estavam a beneficiar os alunos e a enganar-se a si mesmos. Seria um descrédito para a escola. Outros tempos!
Já quanto às dificuldades em resolver problemas, lembrei-me de fazer um pequeníssimo teste - que admito não ser representativo - com um miúdo meu vizinho que frequenta o 8º Ano. Fui buscar um velhíssimo (1947) livro de exercícios do Ensino Primário Elementar, da autoria do Prof. Tomás de Barros. Tratava-se, portanto, de exercícios da antiga 4ª classe e preparação para o exame de admissão. Coloquei-lhe meia dúzia de exercícios, tal como lá se encontravam. Os três primeiros eram para simples cálculo mental (CM).
1.(CM) Foi distribuído 1/2 dum pão por cada pobre. Foram contemplados 150 pobres. Quantos pães se gastaram?
2.(CM) Um aluno duma escola gasta por mês dois cadernos de papel. Quantos cadernos gasta em 5 trimestres?
3.(CM) Quantos segundos há em 2/4 de hora?
4. Um galinheiro tinha numa feira 17 dúzias de galinhas que despachou depois para Lisboa ao preço de 114$00 cada dúzia. A como vendeu cada par dessas aves?
5. Um negociante falido ficou a dever aos seus credores 2/3 da sua dívida, correspondente a 40 contos. De quanto era a dívida?
6. Uma obra pode ser feita por um só homem em 40 horas, 42 minutos e 27 segundos. Mas, se trabalhassem nela 3 homens, em que tempo se acabaria o trabalho?
O aluno em questão mostrou-se incapaz de resolver as primeiras três questões apenas através de cálculo mental e, quanto aos problemas, usando papel e lápis, acertou no nº 5.
Não estou com isto a defender o ensino antigo em todas as suas áreas, como é evidente. Sobre a parte de indoutrinação, então nem é bom falar! (A este propósito, aliás, gostaria de recomendar, a quem ainda o conseguir encontrar, um livrinho da D. Quixote publicado nos anos 70 (antes do 25 de Abril) com o título Ensino Primário e Ideologia. A autora, minha colega de curso, é Maria de Fátima Bívar, que mais tarde adoptou o nome literário de Maria Velho da Costa. O livro é um mimo. A não perder!)
Se têm miúdos vizinhos, ou familiares, em idade de 10 a 14, coloquem-lhes as mesmas questões. Espero que os resultados que venham a obter sejam melhores do que aqueles que consegui apurar.
1/03/2007
Recordando a Buda e a Boneca
Disse Robert Browning num dos seus poemas: «O que é interessante é o perigoso limiar das coisas / um ladrão honesto / um assassino terno / um ateu supersticioso». E com certeza é também interessante - atrevo-me a dilatar esta curta lista de criaturas paradoxais - um rafeiro puro. Exemplarmente os podengos, cães que caçam coelhos. De raça morfologicamente tão atípica que mais parecem rafeiros - «por extensão qualquer cão» (dicionário Houaiss).
Fui dona (e serva) de vários cães. Um deles uma rafeira «por extensão» podenga, pois revelou-se brilhante predadora de coelhos. Outra, de novo uma ela e praticamente o negativo da primeira, aparentava ser uma podenga de pêlo cerdoso pura, mas o certo é que apenas a vi tentar timidamente caçar algo que todos os cães, mesmo não sendo de caça ou raça, caçam: gatos. Neste segundo caso, notoriamente podenga «por extensão qualquer cão». Ambas as cadelas tinham em comum, nas suas distintas maneiras de ser mestiças, a plasticidade dos sobreviventes genuínos, talento raramente partilhado pelos seus irmãos de raça pura.
Aprecio, como Nietzsche (que sem dolo inspirou uma posteridade de racistas puros e duros) a pureza dos impuros, ou seja, essa «grande saúde» que ele definiu assim: «aquela que não basta ter, a que se adquire e é necessário adquirir, constantemente, por ser sacrificada sem cessar.»
Fui dona (e serva) de vários cães. Um deles uma rafeira «por extensão» podenga, pois revelou-se brilhante predadora de coelhos. Outra, de novo uma ela e praticamente o negativo da primeira, aparentava ser uma podenga de pêlo cerdoso pura, mas o certo é que apenas a vi tentar timidamente caçar algo que todos os cães, mesmo não sendo de caça ou raça, caçam: gatos. Neste segundo caso, notoriamente podenga «por extensão qualquer cão». Ambas as cadelas tinham em comum, nas suas distintas maneiras de ser mestiças, a plasticidade dos sobreviventes genuínos, talento raramente partilhado pelos seus irmãos de raça pura.
Aprecio, como Nietzsche (que sem dolo inspirou uma posteridade de racistas puros e duros) a pureza dos impuros, ou seja, essa «grande saúde» que ele definiu assim: «aquela que não basta ter, a que se adquire e é necessário adquirir, constantemente, por ser sacrificada sem cessar.»
O preço da magia
"O TERCEIRO PASSO" é muito mais do que um talentoso filme sobre o mundo da magia, pois proporciona uma abissal e caleidoscópica reflexão sobre o tema do duplo e a sua tragédia (nem contigo, nem sem ti...). Obrigatório para geminianos!
Ficamos a saber que, para realizar o terceiro passo (the prestige), é preciso, no segundo (the rotation), sujar as mãos - não apenas moralmente, por vezes também literalmente. Além do mais, num papel que lhe assenta que nem uma luva, surge o sempre enigmático David Bowie a mostrar-nos que o verdadeiro mistério do mister não reside de todo em "tirar" da cartola coelhos, mas sim a própria cartola.
Ficamos a saber que, para realizar o terceiro passo (the prestige), é preciso, no segundo (the rotation), sujar as mãos - não apenas moralmente, por vezes também literalmente. Além do mais, num papel que lhe assenta que nem uma luva, surge o sempre enigmático David Bowie a mostrar-nos que o verdadeiro mistério do mister não reside de todo em "tirar" da cartola coelhos, mas sim a própria cartola.
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