1/30/2004

Iberismos

Agora que já tínhamos o lince ibérico, dispensávamos bem um mello ibérico. Esperemos que seja espécie que não se reproduza muito.

NIM

A propósito de algumas conclusões divulgadas num recente estudo sobre «Relações sexuais forçadas em estudantes universitários», João Pereira Coutinho desanca, no último «Expresso», a ingenuidade dos protagonistas – sexólogos responsáveis e «donzelas» inquiridas. Destas, cerca de um quarto revelam-se incapazes de processar as consequências de um mau domínio das regras básicas do «velho engate», acordando «na cama errada» por terem escorregado nas «palavras certas» e descartado «o mais eficaz contraceptivo oral – a palavrinha NÃO». Concordo em grande parte com a admoestação (ou não fosse ela tipicamente lupina!), mas entendo que o seu merecido alvo serão os sexólogos, não tanto as «donzelas» que candidamente deram testemunho – quiçá manipulado – das suas vicissitudes de capuchinhos debutantes, ainda muito verdes... O tempo brindá-las-á decerto com a dureza indispensável nestas lides e tudo acabará em bem, mesmo que mal. Os «eminentes» sexólogos, em contrapartida, parecem ignorar, talvez por excesso de correcção política, que a coacção, quando filtrada pelo consentimento, não merece castigo, merece apenas, como em qualquer jogo (inofensivo ou perigoso), ganhar e perder.
Sucede porém – e nisto me distancio de J.P.C. – que a lei deste jogo, embora escrita na selva, é suficientemente democrática para favorecer, em muitas situações, a presa. Esta, quando maior e vacinada, é geralmente mais rápida do que o predador e por isso gosta de jogar para ganhar (não necessariamente para casar). Ora a pulsão «predatória» da presa é quase sempre incompatível com o recurso à taxativa, assertiva – enfim, MASCULINA – «palavrinha NÃO». Toda a presa que se preze pratica com desvelo a arte da fuga e, para tal, não pode dar-se ao luxo de ser franca com o predador. Este, aliás, se tiver fair play, consente a duplicidade ouvindo tacitamente – e sem ressentimentos – o NÃO que ela calou mas quis dizer. O pERdador ressentido, por outro lado, tende a compensar com a força bruta o défice de poder, insultando, espancando, molestando, violando...
É claro que o genuíno lobo, apesar da sua reputação sinistra, não entra em filmes de terror: ele é o talismã da allumeuse.


1/27/2004

PortugalSA (4)

No seu livro mais conhecido, Max Weber defende que a América se tornou rica através de comunidades originalmente puritanas que, com os seus princípios de austeridade, honestidade, ética e amor pelo trabalho acabaram por construir algo que não era o seu objectivo principal: uma sociedade materialmente próspera. Mais tarde, para justificar a riqueza de muitos americanos foi adoptado o conceito de que a riqueza é um sinal de Deus de que a pessoa rica está nas Suas boas graças. Logo, para manter esse estado de graça divina, os ricos deveriam empenhar-se na prossecução da sua riqueza. Esta terá sido a maneira inteligente de tornear a importante questão bíblica de que mais fácil será um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Hoje a América é, obviamente, muito diferente, mas alguns dos postulados antigos são considerados parte integrante da sua cultura.
Todas as nações possuem uma cultura própria, a qual é frequentemente condicionada por factos políticos. Quando na Inglaterra do século XVII o Parlamento derrotou o rei, vindo este a ser enforcado na praça pública, este facto político influenciou decisivamente um individualismo que já vinha de trás mas que se acentuou e contribuiu para levar ingleses aos quatro cantos do mundo, incluindo naturalmente a América e a Austrália.
Pelo contrário, em França a vitória da realeza e do absolutismo conduziu a uma hegemonia do poder real que é ainda hoje patente no centralismo presidencialista e em tantos outros aspectos.
E em Portugal? Estou em acreditar que no nosso país a influência do absolutismo, a existência da Inquisição durante séculos, uma fraquíssima educação generalizada e, em tempos mais modernos, uma polícia de Estado muito activa condicionaram a nossa cultura de tal forma que nem períodos liberais nem revoluções de Abril têm conseguido modificá-la substancialmente. A ideia de salvador-da-pátria mantém-se, encarnada em cada governo para o bem e para o mal. O poderio dos fortes, apesar de contestado, continua a prevalecer impune, eximindo-se a impostos, conservando o sigilo fiscal que só a ele beneficia e escudando-se em corporativismos cancerígenos para a democracia. No Parlamento, eleito por votos conquistados através de um marketing escandalosamente despesista e mentiroso, os grupos votam em bloco – tal como em regimes ditatoriais e totalitários --, e considera-se isso perfeitamente normal. É o autoritarismo a prevalecer sobre a consciência individual, tal como no passado sucedia. E esse facto é considerado normal exactamente porque a cultura não se alterou na sua essência.
Mas algo se alterou, e muito. A mentalidade católica, que sempre lutou pelo comedimento da ambição, deixou-se invadir pelas potentes forças do marketing global. E o povo português, que possuía uma dose de poupança elevada para-o-que-desse-e-viesse, passou, para enfileirar com o mundo protestante mais avançado e rico, a gastar o que não tinha. Com isso ganhou prazer e dívidas. Ao quebrar o seu equilíbrio, o povo tem vindo igualmente a quebrar princípios éticos e valores sociais que lhe eram peculiares. É uma sequência lógica do salve-se quem puder. Com o pé-de-meia muito desfalcado e uma situação de grande precariedade laboral que era desconhecida, a crise instalou-se. Como corolário, a situação é de desnorte. À boa maneira da cultura centralista de sempre – os esquerdistas fizeram o mesmo logo após o 25 de Abril --, a direita faz instalar os seus homens e mulheres em lugares-chave para melhor controlarem o sistema. Até enveredam por uma regionalização recusada há anos em referendo e agora feita à socapa para melhor controlo político das regiões.
Os custos que uma situação destas provoca são elevadíssimos. Não se trata apenas dos custos de pagar subsídios de desemprego a um número de pessoas que daria para encher todos os lugares dos novíssimos estádios de futebol do Euro-2004. São principalmente os custos sociais. São os valores postos em causa. São os projectos nos quais ninguém praticamente embarca com gosto, porque se sente uma indesmentível imoralidade no ar. E se não se produz com vontade, produz-se menos. E se se produz menos, cria-se menos riqueza, que é o único objectivo aparente dos que governam.
É mais fácil construir grandes edifícios de cimento ou auto-estradas do que liderar pessoas. Portugal está à deriva pela contradição enorme entre o conceito de democracia e a sua prática, pela ponte há muito quebrada entre as promessas que são feitas e a sua execução. Histórias como a da recente decisão do tribunal sobre o caso de uma escandalosa podridão social em Guimarães, a que o povo pouco reage, mostram bem que continuamos com tolerância a mais, sem vontade de lutar, ditatorialmente manietados pelo sistema. Não peçam às pessoas que colaborem de livre vontade nestas circunstâncias. Elas só o farão por dinheiro. Quando assim sucede, a coisa está negra. Ninguém acredita. Quem não confia no que faz nem em quem o dirige fica longe de produzir o seu melhor. Traz o seu leito bem seco o rio da confiança.
É aqui que seria bom voltar à austeridade, honestidade, ética e respeito pelo trabalho dos puritanos. Eles, sem o quererem, criaram riqueza. Assim, nós criaremos quezílias sobre quezílias, que redundam em custos – e estes ocasionam o oposto da prosperidade que os governantes propalam. Os anarcas de 1975 tinham razão quando escreviam nas paredes: “Desculpem esta democracia. A ditadura segue dentro de momentos.”

1/26/2004

Sugestôes - aditamento

Terça-feira, 27, às 21.30, Palácio Fronteira Poesia de Florbela Espanca.

Quarta-feira,28, pelas 22, Café dos Teatros (S.Luís) Uma Ária à Mesa.

Quinta-feira, 29, às 21.30, Palácio Fronteira Poesia de António Boto.

Vem aí o Béjart Ballet Lausanne – 30 de Abril a 2 de Maio.

1/23/2004

Novidades...A-Z Weblog

Como já alguns repararam, há algumas novidades no A-Z Weblog. Para além disto andar a animar gradualmente, passámos a ter um contador de visitas, um espaço de citações aleatórias (btw, aceitam-se citações para colocar na base de dados que neste momento tem apenas cinco: enviar para hl28@clix.pt ou colocar nos comentários) e uma troca de links com outros blogs para ajudar ao tráfego do A-Z Weblog na blogoesfera (tipo I scratch your back, you.....). Os comentários dos bloguistas a estas novas "funcionalidades" são bem-vindos quer seja para construir, destruir, deitar abaixo, sugerir ou qualquer outra coisa que se lembrem.

1/22/2004

Matriz de Acontecimentos (22 Jan.)


Download do ficheiro das Sugestôes (22 Jan.)

Tempos de nevoeiro...

É sempre tempo de agradecer a Fernando Pessoa as palavras que deixou gravadas para que, por ele, as usemos quando necessário. São tempos de nevoeiro, de bruma, de fumo, que vivemos num País que teima em fado e submissão. São tempos de esclarecimento, de clarificação, para que não se perca o sinal de reprovação.
É a hora!

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Já percebi tudo!



Já percebi tudo! Está Tudo explicado!
Segundo o editorial do Diário de Notícias de ontem (21/01/2004), início do último parágrafo:

«Portugal tem um quarto da população espanhola...»

Arrepiante não é? E logo espanhóis ...
Trata-se de uma verdadeira praga, muito superior às dos brasileiros, caboverdeanos (naturais de Cabo Verde que torcem pelo Esporting), caboverdianos (naturais de Cabo Verde que preferem o Rigoletto à Cesária Évora), «cidadãos de leste»...

Naturalmente que nós temos alguma culpa neste processo pois impigimos-lhes o Saramago, o Futre, o Figo, o Carlos Queirós e mais uns alguns futebolistas que não consigo precisar (está visto! Tenho de estudar mais para estar à altura deste blogue...). Quanto ao Dani parece-me que era uma boa tentativa, mas toparam-na e devolveram o rapaz.

Claro que a vingança foi terrível e paga pelos inocentes. São os melómanos que têm de aturar a Montserrat Caballé (e filha) e os benfiquistas a quem saiu o J M Camacho.

Deixando os casos particulares e passando a uma análise mais global, compreende-se que não há grande mérito no facto de Espanha estar tão bem situada em termos comunitários. Varreram o lixo para o quintal do vizinho que, como já não estava muito bem, ficou «afundado» com esta manobra.

E qual foi o governante que efectivou o afundamento?
O seu apelido é espanholado, nasceu perto da fronteira, tem uma inteligência brilhantíssima (essencial para uma operação tão maquiavélica) e que se demitiu logo que consumou o golpe! Já perceberam porque é que até
rapou o bigode?

Eu disse que estava tudo explicado. Não disse?

1/15/2004

Comentários...

Como alguns de vós já repararam, o sistema de comentários desapareceu!!!! Isto deveu-se a uma falha no servidor onde eles estão alojados. Espero conseguir repor essa magnífica funcionalidade até ao próximo fim-de-semana. Até que isso seja feito... o blog continua....

1/11/2004

Bem-te-quero

Haverá algo mais caracteristicamente português, dentro do masoquismo que enforma o fado e tanto da nossa vida, do que a opção pelo nome da flor que nos diz se o nosso amor nos quer bem? Das alternativas possíveis -- bem-me-quer e mal-me-quer -- escolheu-se a segunda. Tanto gosto de sofrer, tanta melancolia atlântica nesta escolha!

PortugalSA (3)

Conta a lenda que em tempos muito antigos chegaram ao norte da Península Ibérica dois santos, ambos combatentes na luta contra a moirama. Um deles chamava-se Iago, o outro Pelaio. Com o correr dos anos, o nome do primeiro transformou-se em Santiago, hoje o santo mais popular de toda a Galiza. O “l” intervocálico do nome do segundo caíu, como é regra por estes lados nas palavras pronunciadas muitas vezes, o que fez mudar o nome para “Paio” e, com a santificação, São Paio. Este outro campeão da luta contra os mouros cujo nome muitos aglutinaram numa única palavra – Sampaio -- terá descido ao território português, onde prossegue hoje insistentemente a sua luta. Vive numa mansão cor-de-rosa em local designado pelo mesmo nome do lugar de nascimento de Jesus: Belém.

Ou pela calada ou em público com voz tonitroante, quer no país quer no estrangeiro, o São Paio adoptado português tem lutado bravamente, qual Vieira pregador, contra os permanentes desmandos que vê à sua volta. Um topa-tudo que não pode ser tapa-tudo. O que encontra ele e prontamente desmascara do alto da sua tribuna? O incumprimento da justiça, ele que antes de ser canonizado cursou leis; o sistema de compadrio e favorecimento dos ricos em detrimento das massas de pobres que se vão avolumando. Clama por um verdadeiro Estado de direito, por efectiva igualdade de oportunidades espelhada em factos e não estagnada em palavras, protesta denodadamente contra as informalidades a que deseufemisticamente chama “cunhas”. Pede solidariedade durante todo o ano e não apenas pelo Natal, berra contra gastos desnecessários enquanto a justiça fiscal continua emperrada. É uma voz ética que se levanta em face de um conjunto governativo que actua como mero ariete de interesses económicos dos suspeitos do costume. Protótipo de santo, comove-se sentidamente com a sorte adversa de muitos. Tal como o “martelo dos hereges” que outro canonizado de Lisboa de nome António foi, ergue a sua voz exigindo transparência e constante espírito de cruzada contra os não-cumpridores das regras. Paladino do consenso, não se calou perante as vozes de guerra que ouviu à sua volta e esforçou-se, embora em vão, por levá-las ao correcto caminho da paz.

Voz que se ergue quase num deserto de orelhas moucas, São Paio é bem o testemunho do país que poderíamos ser mas que enquanto deixarmos todos os rios continuarem a correr apenas para o mar infelizmente não seremos. Talvez seja por isso que existem governantes – e os lobbies que lhes estão por detrás – que querem ver o santo pelas costas. Pretendem substitui-lo por um homem mais da sua confiança, para que Portugal tenha cada vez menos vozes discordantes e maior identidade de opiniões habilmente forjadas pela concentração dos media nas mãos dos mesmos. É um conceito de “democracia” de que os portugueses dos tempos da União Nacional ainda bem se recordam.

Valha-nos São Paio!

1/10/2004

O Principio do Pato

Talleyrand -- para os que porventura possam não saber ou não se recordar -- foi um homem de estado e diplomata francês que viveu entre 1754 e 1838. Uma vida longa num período tão conturbado, que englobou o reinado de Luis XVI, a vivência da Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte e Luis Filipe, permitiu a Talleyrand ser bispo, embaixador, ministro e conselheiro político. Possivelmente, de toda a sua extensa e acidentada vivência nada nos foi legado de tão popularizado como a sua lapidar frase: "A palavra foi dada ao homem para dissimular o pensamento."

Muitos homens honestos e de boa fé contestarão, relativamente a si próprios, esta conhecida máxima, pois para eles é a sinceridade que conta. Admitirão, porém, que muito do que se diz está frequentemente a quilómetros de distância do que se pensa.

Marshall McLuhan, o teorizador dos conceitos da comunicação televisiva, afirmou, muito mais recentemente do que Talleyrand, que o homem mediaticamente bem sucedido é aquele que consegue fazer passar aos espectadores como sincera uma mensagem em que ele próprio não acredita.

Somos assim. Revemo-nos perfeitos em Deus e depois, admitindo as nossas fraquezas e justificando-as com uma razão plausível -- geralmente de carácter pessoal, raramente objectiva -- desviamo-nos, sem problemas, da perfeição que encontramos no Deus criador.

O prestidigitador é, assumidamente, um homem que faz truques para ludibriar (e divertir) a assistência. O seu braço direito conduz o olhar dos espectadores, enquanto o braço esquerdo manobra. É uma situação que lembra um dito irónico do princípio do século: "quando um ministro faz um discurso, nunca se deve seguir o braço direito com que ele gesticula, mas sempre o esquerdo, com que ele se abotoa".

Uma vez ilustrada com vários exemplos esta ideia de desfasamento frequente entre a realidade e a palavra, passemos ao "princípio do pato", muito dos nossos dias.

O leitor já terá decerto participado em colóquios, simpósios, seminários, congressos e parafernália quejanda. Se não participou, terá tido mesmo assim ocasião de os ver referidos na imprensa escrita, na televisão ou na rádio. Não lhe terá escapado a tónica usada e abusada sobre a palavra qualidade. Da qualidade de vida à qualidade da construção, passando pela qualidade do turismo, da paisagem, da educação e tantos outros itens.

Atento, o leitor queda-se a olhar para aquele edifício ali, que vai ter vinte fogos, construído no lugar de duas antigas moradias. Oitenta pessoas irão viver na área de terreno outrora ocupada apenas por oito. O leitor contempla as estatísticas de turismo, que lhe falam de muitos visitantes mais que, no entanto, ficam menos tempo e gastam menos dinheiro. O leitor observa a paisagem antes recoberta de frondosos e simpáticos pinheiros, hoje substituídos, após um incêndio ocasional, por uma massa muito maior de inóspitos eucaliptos. O leitor ouve palavras bonitas sobre educação e depois vê salas de aula frequentemente superlotadas, a quantidade dos alunos a prevalecer sobre a qualidade do ensino.

O enigma está resolvido. Já tínhamos o princípio de Peter, que se tornou famoso, sobre os senhores competentes que, ao serem promovidos, se tornam menos competentes. Agora passamos a ter o princípio do pato: qualidade = quantidade.

De facto, quase sempre o apregoado conceito de qualidade acaba por se converter no de quantidade -- com o desígnio encapotado de aumentar os lucros ou reduzir os custos. Note-se que as palavras “qualidade” e “quantidade” têm sufixos iguais ("dade"); e, muito importante, têm também inicialmente as mesmas três letras: "qua". Se uma se conjuga com a outra, passamos a ter qua qua, como o pato faz.

O princípio do pato está enunciado, em parte para que você, leitor, na próxima vez que ouvir alguém insinuando-se com a balela da qualidade se resguarde, reflicta e ... seja menos pato.

1/02/2004

DECANTANDO E RINDO

Longe de mim ousar, sequer em pensamento, competir com as sugestões creditadíssimas do nosso querido João Ratão! Não resisto todavia à tentação de publicitar parte da parte líquida da merenda que na noite da passagem de ano subtraí ao palato da avòzinha (a sua «isca» já não é o que era...) PARA MELHOR BEBÊ-LA na companhia de uma restrita mas exigente alcateia: Monte d'Oiro Reserva 2000, um memorável tinto. Deve ser decantado umas horas antes da degustação, tal o vigor demonstrado. Deve também ser comprado quanto antes, pois o preço, já doloroso, ameaça tornar-se estratosférico. Quer isto dizer que vai envelhecer maravilhosamente (em todo o caso, muito melhor do que eu...).
Elevando um pouco o nível da conversa, permito-me ainda aconselhar a integral das sinfonias do Ludwig, pelo Simon Rattle, a preço FNAC Verde muito democrático.