12/18/2007

Auscultadores nos ouvidos

Ainda se lembram deles? Os walkmans já terão cerca de 30 anos e, quando surgiram, representaram um novo conceito: o de ouvir música de forma estritamente individual. Os japoneses criadores dessa nova tecnologia perguntaram-se se a moda iria pegar. Pegou, e de que maneira! Estava-se já num tempo de individualismo, que aparelhos como o walkman vieram aumentar. A rádio que se ouvia em conjunto - ao serão, é possível que ainda haja quem se recorde! -, e posteriormente a televisão que se via juntamente com a família e os amigos, tendem francamente a desaparecer como emissores para plateias familiares. Com a difusão de aparelhos de TV e os seus múltiplos canais, os leitores de DVD, os mini-centros de música onde se ouve o posto ou o CD favorito, é decerto mais frequente encontrar vários aparelhos em cada casa do que apenas um. Isto significa que, mesmo no seu quarto, no quarto ao lado, na sala comum ou na cozinha, cada um pode ver o programa de televisão que mais lhe agrada, sem ter que partilhar com outra pessoa ou impor os seus gostos a outrem.
Os ipods vieram permitir a existência de uma biblioteca musical num pequeno espaço. Auscultadores enchem a cabeça de quem ouve com músicas favoritas. Se dantes se dizia, Out of sight, out of mind, agora a tendência clara é para Out of hearing, out of thinking.
Para mim foi normal, mas ao mesmo tempo curioso, ver ontem no metro que passava pela Cidade Universitária uma moça chegar sorrateiramente junto de uma amiga, certamente colega de faculdade, que estava a ouvir música com um auscultador. “Posso ouvir um bocadinho?” E, com um gesto rápido, sacou-lhe o auscultador do ouvido e colocou-o no seu. Music sharing. Porque não? Sempre é melhor que pedir uma fumaça ou uma passa.

12/17/2007

Verso e reverso


Imagine que, num exame de História, lhe pedem para responder a uma pergunta sobre as grandes linhas do Renascimento nos séculos XV e XVI. O mais natural é que na sua resposta se refira a um vasto movimento cultural que marca o fim da convencionada Idade Média, com o despertar na Europa de um entusiasmo pelos estudos clássicos, um renovada afirmação do papel que está reservado ao homem na Terra, a redescoberta da ciência, e a importância das viagens marítimas de descobrimento no aparecimento de uma enorme curiosidade relativamente ao mundo. Após escrever sobre tudo isto, deter-se-á. Colocará um ponto final.
Deveria, no entanto, ter parado aí? Montaigne, que viveu no século XVI e foi, portanto, testemunha da sociedade desse tempo, escreveu: "Tudo rui à nossa volta, em todos os grandes Estados, seja de cristandade, seja em outras partes. Olhai, e encontrareis uma evidente ameaça de mudança e ruína." A que se devia este posicionamento preocupado de Montaigne? Ao desmoronamento de antigas crenças e concepções, "que davam ao homem a certeza do seu saber e segurança no que fazia. O século XVI desmoronou tudo: a unidade política, religiosa e espiritual da Europa; a certeza da ciência e da fé; a autoridade da Bíblia; o prestígio da Igreja e do Estado."
Daqui terá nascido, como sabemos, um vasto período de cepticismo que levou a duas vias: uma de profunda reanálise da sociedade e do conhecimento em Inglaterra e França, nomeadamente com Bacon e Descartes. A outra que conduziu, inversamente, ao arreigamento de antigas mentalidades, intransigentemente apegadas à cultura anterior. É, afinal, este o processo da Reforma (protestante) em países como a Inglaterra, a Holanda, em vários Estados da futura Alemanha, na Suiça, etc. e da Contra-Reforma da Igreja católica, em nações como a Espanha e Portugal, com profundos efeitos até aos nossos dias - até porque as viagens de descoberta e conquista levaram os povos ibéricos a obter o domínio de toda a América Latina, deixando para a cultura cristã predominantemente de raiz protestante a América do Norte.
O que pretendo fazer aqui, de forma necessariamente breve devido aos constrangimentos impostos pelo blogue, é uma sumária comparação entre essa situação do passado e o actual estado do mundo, naquilo a que se convencionou chamar "globalização". Tal como Montaigne o foi no século XVI, nós estamos a ser testemunhas de uma enorme agitação e mesmo revolução. Aliás, não somos apenas testemunhas. Somos participantes.
Geralmente quem fala sobre a globalização exalta as suas potencialidades. Mas é difícil de escamotear o facto de que a incerteza reina e a relativa segurança das décadas que antecederam os dias de hoje tem vindo a diluir-se. Ressurgem conceitos que se poderiam julgar definitivamente ultrapassados, como a precariedade do trabalho, a desumanização das relações laborais, a mentalidade que vira costas ao social para embarcar furiosamente no lucro puro e duro.
Será que o conceito de globalização ocorre pela primeira vez? Então, e a actividade de séculos dos portugueses nos mares da Índia, da China e do Japão? E as armadas espanholas que transportavam enormes quantidades de mercadorias, de ouro a prata, de especiarias a cerâmica, entre as Filipinas e a América Latina e a Europa? E a grandiosa frota holandesa, que ia tão longe que precisou de criar um crucial entreposto na ponta de África onde Atlântico e Índico confluem, que depois se transformou na África do Sul mas que entretanto permitiu que se fizessem com notável sucesso viagens a Ceilão e à Indonésia? E que dizer da mais poderosa de todas as frotas comerciais e de guerra - a britânica - que formou variadíssimos empórios comerciais, logrou impor-se em todo o vasto continente indiano, vergou o poderio chinês, entrou pela Nigéria dentro e tornou viável a colónia que mais tarde se haveria de transformar nos Estados Unidos da América? Esta globalização que hoje vivemos é, apenas, mais uma globalização. Certamente diferente das outras pelos meios tecnológicos que utiliza, mas tão ou mais exploradora do homem do que todas as outras.
Entretanto, porque terminaram as globalizações anteriores? Porque eram ciclos e não processos lineares que se pudessem estender indefinidamente. Porque as questões em jogo não permitiam continuar o processo da mesma forma. Daí resultaram nuns casos meras querelas, noutros conflitos em maior escala e, em certas conjunturas, sanguinolentas guerras entre as nações colonialistas europeias promotoras dessa globalização.
Não creio que estejamos presentemente à beira de uma guerra, mas é curioso ver como as nações se agregam em blocos para assim se tornarem mais poderosas. Sob o ponto de vista militar, EUA e Rússia continuam a ser os países mais poderosos num mundo global que está muito longe de ser um vastíssimo estado de direito, pelo que, quer queiramos quer não, a derradeira divisa continua a ser might is right (o poder está na força). Daí que ameaças verbais contem pouco contra o real poder das armas. Já nos teremos esquecido de factos ainda recentes como os bombardeamentos de Belgrado, Bagdade e Beirute, todos por aviões ocidentais? O que puderam as populações de Beirute, Bagdade e Belgrado fazer contra as bombas despejadas do ar?
Ameaças fortes, tais como desequilíbrios sérios nas moedas, valorizações e desvalorizações substanciais a fomentarem desemprego e descida do nível de vida, largos movimentos migratórios, elevados preços de matérias-primas e especulação financeira de grande gabarito podem, a prazo indeterminado, conduzir a conflitos bélicos de pequena, média ou grande envergadura. Tudo é uma incógnita. É por isso que convém recordar as palavras de Montaigne sobre o seu tempo. Tanto a (boa) globalização como o seu reverso são factos a tomar em linha de conta.

Nota: As linhas entre aspas foram retiradas de uma conferência de Manuel Cícero, a que assisti na Gulbenkian há uns meses.

12/14/2007

Ainda o acordo ortográfico

Sinto que já não deveria voltar neste blogue ao tema do acordo ortográfico. Há uma boa razão: não suscitou qualquer comentário. Mesmo assim, não me conformo, repetindo embora algumas das minhas ideias-chave. A primeira é que não sou de maneira nenhuma contra mudanças, desde que elas façam sentido e tenham lógica no contexto de uma determinada sociedade e língua. A segunda, também básica, é que não entendo por que razão sociedades diferentes que tiveram a sua evolução própria e são hoje, politicamente, nações independentes, hão-de querer unificar a sua ortografia, se a sua maneira de pronunciar as palavras é por vezes bem diferente. Haverá sempre alguém a ser forçado, e nada justifica isso. Parece que só a parte comercial é que interessa. Até nisto, Santo Deus! A língua, seja na sua forma oral, seja na escrita, não é algo em que se possa mexer como se manipula um produto!
No outro dia, calhei ter ao pé de mim uma edição datada de 1820 de uma obra do Padre António Vieira. Tirei, de propósito, algumas notas. Naquela altura, escreviam-se muitas consoantes duplas que mais tarde se verificou serem desnecessárias, v.g. accender, appetite, aquelle, intelligencia, annos, elle, nellas, soccorro, efficaz, occulto, succede, supponho; ditongos nasais que pareceriam muito esquisitos hoje: satisfaçaõ, naõ, irmaõ, irmãa, maõ, lãa, ladroens, varoens, Capitaens; não se acentuavam palavras nitidamente esdrúxulas como temerario, prudencia, misericordia, lisongeas, materia e Alfandega; muitas palavras graves eram desnecessariamente acentuadas, v.g. pódem, Angòla, cautélas, tomára, óvos, póde, démos; a 3ª pessoa do plural dos verbos no indicativo presente era muito estranha, como se pode ver em trabalhaõ (trabalham), entendaõ, saibaõ, etc.
Ora bem, tudo isto foi corrigido, felizmente. Hoje a língua portuguesa está melhor graficamente, mais rápida na escrita e mais lógica. Não achei mal uma das últimas mudanças que se fizeram, que foi retirar a acentuação nos advérbios de modo (terminados em –mente, como somente, tecnicamente, etc.) Não estou em desacordo com alterações que estejam de acordo com a nossa pronúncia e sejam passíveis de simplificação reflectida e lógica.
Estou, no entanto, totalmente em desacordo com o facto de termos ou que puxar por outros países ou andar a reboque deles. Se o tempo do colonialismo acabou, não se diga uma coisa e faça-se outra. Não temos rigorosamente nada a ver com a grafia do português que se fala no Brasil. Nem devemos tentar mudar a ortografia usada pelos brasileiros nem eles a nossa. Idem para os angolanos e moçambicanos. Os países independentes tomam o rumo que querem. Ponto final.
Repare-se no exemplo dado pelo inglês do Reino Unido e pelo inglês dos Estados Unidos, que, naturalmente, faz com que os nossos computadores estejam equipados com um inglês UK e um inglês USA. O mesmo poderá suceder, se é que não sucede já - e com naturalidade - entre o português de Portugal e o português do Brasil. Quando leio um livro brasileiro, noto logo nas primeiras linhas que está escrito em português do Brasil. Tudo bem. Sigo em frente. Quando um brasileiro lê um livro de um autor português, repara imediatamente que existem diferenças substanciais, e que estas estão longe de se resumir a ortografia. Isto está correcto e é normal. É a evolução natural das sociedades e das línguas. Para quê alterar o que está bem? Colonialismo no sentido inverso? Se quem anda a tratar desta errada uniformidade ortográfica fosse plantar batatas, seria bem melhor! Talvez ao andar de cabeça baixa para plantar as ditas percebesse melhor a dimensão do problema.

12/11/2007

Discutindo a legalização da prostituição

Um artigo de Francisco Sarsfield Cabral (FSC) no Público de ontem referia-se a "uma anunciada petição ao Parlamento no sentido de legalizar a prostituição em Portugal". Já há muitos anos que leio com agrado os artigos assinados por FSC sobre economia. São equilibrados, informativos e colocam os pontos nos ii com a objectividade própria de um economista.
O artigo intitulado "Vender o corpo" não versa um assunto predominantemente económico, pois, nas palavras de FSC, "o cerne da questão - legalizar ou não a prostituição - é de natureza ética." E é aqui que, feliz ou infelizmente, entramos numa discussão tipo legalização do aborto, em que as opiniões se extremam. Creio que a habitual objectividade de FSC desaparece quando afirma, ao falar dos países escandinavos, da Holanda e da Alemanha, que nesta última "uma mulher desempregada que se recuse a ir para um bordel arrisca-se a perder o subsídio de desemprego." O que é isto?! Quem acredita que, num país como a Alemanha, se uma operária, uma secretária, uma gestora, uma professora perder o seu emprego, a Segurança Social lhe propuser ir para um bordel e ela recusar, perderá o direito ao subsídio atribuído a quem está desempregado?
Por este caminho fundamentalista, a discussão irá indubitavelmente descambar na falta de ética, o que, para um assunto confessadamente ético por natureza, não parece ser o melhor começo.

12/10/2007

Sobre a aprendizagem de línguas

"O síndroma do –s" (02/12) gerou algumas perguntas, a que tentarei dar resposta. Além dos comentários registados, recebi algumas questões que me foram colocadas por e-mail. Na suposição de que determinadas perguntas carecem de uma resposta que será eventualmente de interesse para mais leitores, permito-me responder com novo texto nesta parte principal do blog. Fica combinado que (1) voltarei ao síndroma do -s devido à questão do apóstrofo, (2) tratarei noutro post o assunto do a ou an em inglês antes de substantivo e, já a seguir, tentarei responder a uma questão mais genérica que me foi colocada por M. Alfacinha: porque é que, embora conheçamos as regras de uma língua estrangeira, continuamos por vezes a cometer erros?

Todos sabemos que ensinar e aprender estão, pelo menos em princípio, intimamente ligados. A aprendizagem da língua materna é uma das primeiras actividades humanas. O ensino faz-se, regra geral, de pais para filhos. Mãe, pai, avós & Cª são exímios a ensinar e têm nos bebés atentos alunos, conquanto eles pareçam por vezes algo distraídos. Porque as crianças de berço nada sabem, os ensinantes martelam as palavras, como se estivessem a martelar as teclas de um piano. É uma técnica universal. Repetem as sílabas para que as palavras encaixem melhor no cérebro que se está a desenvolver. É dessas repetições que vem a palavra bebé, conjuntamente com mamã, papá, xixi, cocó, papa, teté, popó, e até o tau-tau. A criança vai absorvendo. Um dia acabará por substituir essas palavras por outras mais adultas, mas reservá-las-á no seu cérebro para falar mais tarde com os seus próprios filhos. Os exemplos acima são de substantivos, uma das partes mais simples da língua. Porém, quando uma criancinha começa a ter de construir frases, o caso muda de figura e torna-se mais complexo. A diferença nos verbos entre passado, presente e futuro implica desde logo a assimilação da noção de tempo, algo que não é intuitivo mas que a criança vai assimilando. Na realidade, vai assimilando tão bem que, pouco a pouco, vai apreendendo e construindo para si própria as regras básicas da (sua) língua. Os adultos vão continuando a falar com ela, e quanto mais o miúdo ou a miúda tiverem de compreender, tanto melhor se expressarão quando precisarem de o fazer. A criança criou, entretanto, o seu software linguístico baseado nos padrões de regularidade que foi captando. Previsivelmente, a mesma criança claudicará nas excepções. E não são tão poucas como isso. Um adulto já há muito que passou essa fase porque esteve exposto à língua durante muito mais tempo. Porém, é normalíssimo e até saudável que uma criança se engane nos tempos verbais e diga posi em vez de pus, di em lugar de dei, ou fazi querendo dizer fiz. São coisas que geralmente provocam o riso dos adultos, mas que não são mais do que o reflexo da apreensão da base da língua (ele pôs, logo eu posi; se eu vi, eu di; ela faz, logo eu fazi). Na mesma linha, é natural que as crianças falem em cãos e não digam logo cães. Aprenderam a regra do padrão normal por si próprias, e é agora que vão começar a lidar com as excepções, o que levará o seu tempo.
Ora, na aprendizagem de uma língua estrangeira, uma criança, um adolescente ou um adulto já tem normalmente que contar com o seu próprio substrato linguístico, por si criado e profundamente enraizado. Vamos supor que a língua estrangeira é o inglês. Para aprender de cor expressões como good morning, good night, thank you, good-bye, ou substantivos como school, book, pen, pencil, ball e coisas simples como estas, a criança não necessita de criar outro software, embora entenda que se trata de uma língua diferente da sua. Contudo, quando precisar de usar adjectivos e substantivos, formas verbais ou construir frases negativas ou interrogativas, aí tem mesmo que criar outro software na sua cabeça. Se as novas estruturas lhe forem explicadas de forma simples, em processo gradual e dando-lhe a possibilidade de ela própria começar a aplicar os conceitos, aprenderá com relativa facilidade. E quanto a fazer erros? Recordemos os exemplos dados, reais, de eu posi, eu di, eu já fazi, e outros, que a criança nunca ouviu da boca de um adulto mas que criou à sua maneira, dentro da regularidade padrão que ela própria edificou. Na aprendizagem da língua estrangeira, vai suceder praticamente o mesmo, mas com comparações diferentes: quanto maior for a diferença entre a estrutura da sua língua materna e a do idioma que está a aprender, tanto menos fácil em princípio se torna a aprendizagem.
Paremos aqui um pouco para lembrar que lembrar que, em português, formação é um vocábulo simples, o que normalmente não sucede em inglês. Para este conceito de formação, o inglês usa education and training, o que nos dá uma chave importante. Tomemos education como a explicação teórica e training como a prática. Os dois aspectos completam-se entre si. Quem raramente pratica uma língua tem, logicamente, mais probabilidade de cometer erros. Porquê? Porque não criou as rotinas suficientes. A criação de rotinas é essencial para que, com uma boa base teórica, que estabeleça uma diferença facilmente compreensível entre os dois tipos de software linguístico, o aluno deixe de pensar tanto na forma do que diz e passe a falar ou a escrever com maior fluência. Daí que seja muitíssimo importante, por exemplo, que nas aulas de língua inglesa se use apenas o inglês como idioma, reservando eventualmente o português para o mero significado de um substantivo, adjectivo ou verbo.
Ao longo da minha vida profissional, encontrei alguns óptimos professores de língua inglesa. Para a esmagadora maioria daqueles com quem trabalhei, o inglês era a língua materna. Pessoalmente, aprendi muito com eles, mas também notei que precisavam frequentemente de saber como explicar a estudantes portugueses determinadas questões. Nenhum deles, porém, fazia erros do género de I didn’t knew it, ou It’s twenty miles far from Lisbon ou It’s a five-stars hotel. Por seu lado, os professores portugueses eram geralmente muito bons, sabiam explicar bem, mas podiam de vez em quando ter um slip of the tongue do género de Did he said that?. Acontece a todos. No passado também me aconteceu a mim. É gravíssimo? Não, a não ser que seja frequente. Aí será realmente preciso corrigir urgentemente. Sabe-se a explicação, mas ainda não se conseguiu a automatização total. Eu diria que com a prática muitos dos erros serão eliminados, porque a componente training é essencial. Para adolescentes (e não só), os filmes são um óptimo complemento de aprendizagem, assim como a leitura de peças de teatro modernas (com um diálogo natural e, ainda por cima, escrito) e a participação em programas de intercâmbio como o Erasmus.
Já agora, convém que quem se põe a aprender uma língua não tenha a aspiração de ser cem por cento perfeito. É uma atitude que tende a causar inibição. No fundo, é preferível cometer um deslize linguístico com um sorriso do que falar de forma gramaticalmente correcta com uma cara-de-pau.