Dizem os ventos que as marés não dormem esta noite.
Estou assustada à espera que regresses: as ondas já
engoliram a praia mais pequena e entornaram algas
nos vasos da varanda. E ,na cidade, conta-se que
as praças acoitaram à tarde dezenas de gaivotas
que perseguiram os pombos e os morderam.
A lareira crepita lentamente. O pão ainda está morno
à tua mesa. Mas a água já ferveu três vezes
para o caldo. E em casa a luz fraqueja, não tarda
que se apague. E tu não tardes, que eu fiz um bolo
de ervas com canela; e há compota de ameixas
e suspiros e um cobertor de lã na cama e eu
estou assustada. A lua está apenas por metade,
a terra treme. E eu tremo, com medo que não voltes.
(Fado, de Maria do Rosário Pedreira)
10/31/2008
Um pouco de Cesariny para o fim-de-semana
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
10/29/2008
Interculturalidade
A Conferência Gulbenkian que a Fundação voltou a realizar este ano (ontem e hoje) foi bastante interessante. É um verdadeiro privilégio poder ouvir conferencistas de nível muito aceitável vindos de várias partes do mundo. Este ano, a temática da conferência perguntava "Podemos viver sem o outro?" e abordava as possibilidades e os limites da interculturalidade. Dado que o keynote-speaker era um conceituado indiano que presentemente trabalha em Nova Iorque e também na sua cidade-natal (Bombaim), sucedeu que pelo menos três dos oradores vinham da Índia. Esse facto acabaria por proporcionar algo curioso no dia de hoje: depois de o conferencista de abertura se ter referido ontem aos riscos inerentes ao diálogo entre pessoas e nações de culturas diferentes, uma escritora católica indiana abordou hoje alguns pontos de fractura na Índia dos nossos dias. Contemporizador, o keynote-speaker interveio no final da comunicação da sua compatriota para sugerir que talvez não fosse tanto assim. Começou aí um vivo diálogo/debate intracultural que levou a óbvia discordância. Se a questão é assim entre pessoas da mesma cultura, quanto mais difícil não será o diálogo entre pessoas de culturas diferentes!
A este propósito, uma professora de Estudos Islâmicos do U.S. Army War College foi muito contundente no que toca à política americana em países muçulmanos. Esclarecendo que falava em nome pessoal - ela própria é muçulmana -, denunciou o erro de práticas implementadas pelos Estados Unidos no Iraque, Síria e Irão pelo desconhecimento do "outro". Enumerou em detalhe uma série de pontos que lhe permitiram concluir aquilo que, afinal, o senso comum nos diz: Whatever is imposed is opposed.
A existência de limites no diálogo entre culturas diferentes acabou por ser um dos tópicos principais da conferência, pelo menos na parte a que assisti: para que conversas e negociações se possam efectuar produtivamente torna-se necessário que os itens de extrema diferença não sejam lançados para a arena. Caso contrário, isso implicará uma sempre indesejável fricção e ruptura, com atitudes fundamentalistas a surgirem de um lado e do outro.
Uma anotação que faço com todo o prazer relativamente às intervenções da assistência portuguesa é que na sua maioria foram curtas, inteligentemente incisivas e, além disso, em inglês fluente. São perfeitamente visíveis as vantagens dos numerosos intercâmbios e cursos no estrangeiro em que estudantes, professores e outros profissionais participam. Os horizontes estão a alargar-se, uma parte da sociedade portuguesa está claramente mais aberta, e dá-me um gosto especial poder testemunhar este desenvolvimento.
P.S. À noite, foi passada uma série de 18 filmes curtos, documentários com cinco minutos de duração cada. Os filmes foram especialmente encomendados pela Fundação e, francamente, só apetece ter em casa um DVD com aquelas pérolas. Dentro do mesmo tema da conferência, os documentários são muito diversificados e interessantíssimos, com contributos bem realizados por portugueses, japoneses, brasileiros, canadianos, mexicanos, croatas, chineses, iranianos, sérvios, coreanos, argentinos e namíbios. Uma volta ao mundo. Tão longe, tão perto!
A este propósito, uma professora de Estudos Islâmicos do U.S. Army War College foi muito contundente no que toca à política americana em países muçulmanos. Esclarecendo que falava em nome pessoal - ela própria é muçulmana -, denunciou o erro de práticas implementadas pelos Estados Unidos no Iraque, Síria e Irão pelo desconhecimento do "outro". Enumerou em detalhe uma série de pontos que lhe permitiram concluir aquilo que, afinal, o senso comum nos diz: Whatever is imposed is opposed.
A existência de limites no diálogo entre culturas diferentes acabou por ser um dos tópicos principais da conferência, pelo menos na parte a que assisti: para que conversas e negociações se possam efectuar produtivamente torna-se necessário que os itens de extrema diferença não sejam lançados para a arena. Caso contrário, isso implicará uma sempre indesejável fricção e ruptura, com atitudes fundamentalistas a surgirem de um lado e do outro.
Uma anotação que faço com todo o prazer relativamente às intervenções da assistência portuguesa é que na sua maioria foram curtas, inteligentemente incisivas e, além disso, em inglês fluente. São perfeitamente visíveis as vantagens dos numerosos intercâmbios e cursos no estrangeiro em que estudantes, professores e outros profissionais participam. Os horizontes estão a alargar-se, uma parte da sociedade portuguesa está claramente mais aberta, e dá-me um gosto especial poder testemunhar este desenvolvimento.
P.S. À noite, foi passada uma série de 18 filmes curtos, documentários com cinco minutos de duração cada. Os filmes foram especialmente encomendados pela Fundação e, francamente, só apetece ter em casa um DVD com aquelas pérolas. Dentro do mesmo tema da conferência, os documentários são muito diversificados e interessantíssimos, com contributos bem realizados por portugueses, japoneses, brasileiros, canadianos, mexicanos, croatas, chineses, iranianos, sérvios, coreanos, argentinos e namíbios. Uma volta ao mundo. Tão longe, tão perto!
10/26/2008
Democraticidade e tirania onomástica
Desculpe-se-me um título destes para um assunto tão simples e corriqueiro. O tema, trivial mas eventualmente útil, nada tem a ver com a sumptuosidade em epígrafe mas tem alguma relação com o seu significado. Basicamente o que pretendo perguntar é: quem tem um filho, deve dar-lhe apenas um nome próprio ou escolher dois?
Durante a minha vida profissional fui obrigado a ler muitos milhares de nomes e a decorar uma boa porção deles. Alguns eram tão neutros que não causavam o mínimo comentário, como foi o caso de Carlos Vieira da Silva ou Maria Teresa Brito Sousa. Outros, porém, obrigavam a fazer uma pausa na leitura e a usar uma língua mais ou menos desentaramelada: Ambrósio, Asdrúbal, Austregésilo, Leovegildo, Adalberta, Aldegundes, Felismina, Felizarda. Pessoalmente, sempre achei que um nome apenas estaria bem, i.e., João, Leonor, Vasco, Nuno, Sílvia. Porém, com o avançar da minha consciência democrática, passei claramente a preferir o conjunto de dois nomes, tanto para rapaz como para rapariga. Explico porquê.
Geralmente a situação passa-se desta forma: os pais conversam entre si o nome a dar ao bebé, questionam alguns membros da família, eventualmente os futuros padrinhos e, já está! O que pode "já estar" é o nome de "Adalberta". Isto significa que a criancinha vai crescer, passar a rapariga, a mulher adulta e sempre, inexoravelmente, a arcar sobre os ombros com este nome que, francamente, denota pouca caridade da parte de quem o escolheu.
Ora, admitindo que a rica madrinha tivesse feito questão de que o seu próprio nome passasse para a sua afilhada, bastaria um ligeiro toque para amenizar a dor que a criança iria um dia certamente experimentar. A tirania ficaria menorizada se, por exemplo, a criança se denominasse “Adalberta Isabel”. Com este simples passe de mágica, que a madrinha católica não deixaria de aprovar pela sua devoção a Santa Isabel, a criança poderia a determinada altura escolher ser “Isabel” em vez de Adalberta. O seu primeiro nome ficaria apenas para o registo escrito, mas socialmente a pessoa em questão cresceria entre os seus amigos e familiares como Isabel. (Para a abastada madrinha continuaria a ser Adalberta Isabel, claro!).
Seguindo esta linha de pensamento, mesmo dois nomes pouco controversos como Vasco e Rafael poderão ser preferíveis a simplesmente Vasco, ou simplesmente Rafael. Imaginemos que o rapaz a certa altura percebe que lhe puseram o nome de Vasco por causa daquele irmão do pai que ele detesta. Se lhe tivessem chamado Vasco Rafael, ele passaria a escolher Rafael e assim cortaria com qualquer ligação mental ao seu pouco-amado tio. Com raparigas, Ana Paula permite o uso de “Ana”, de “Paula” ou de “Ana Paula”. Três hipóteses, de entre as quais a portadora do nome pode um dia escolher a que mais lhe agrada. Com um nome só, não tem escolha! É daí que advém a citada tirania.
O mais curioso é que já tenho notado que, em certos casos, mesmo para os pais um nome simples não chega. Carece de uma bengala, especialmente quando esses pais estão menos contentes com o rapaz ou rapariga em questão. Ainda há dias ouvi uma mãe dizer para a sua pequena filha, em tom de ralhete, "I-nês Ma-ri-a, não mexas aí!" Questionei a mãe: "Ela é Inês Maria!? Não sabia!" A resposta não se fez esperar: “Na realidade, ela é só Inês, mas preciso de mais qualquer coisa quando quero repreendê-la!" Este era um dado que não me ocorria, confesso. Mas contra factos não há argumentos.
Durante a minha vida profissional fui obrigado a ler muitos milhares de nomes e a decorar uma boa porção deles. Alguns eram tão neutros que não causavam o mínimo comentário, como foi o caso de Carlos Vieira da Silva ou Maria Teresa Brito Sousa. Outros, porém, obrigavam a fazer uma pausa na leitura e a usar uma língua mais ou menos desentaramelada: Ambrósio, Asdrúbal, Austregésilo, Leovegildo, Adalberta, Aldegundes, Felismina, Felizarda. Pessoalmente, sempre achei que um nome apenas estaria bem, i.e., João, Leonor, Vasco, Nuno, Sílvia. Porém, com o avançar da minha consciência democrática, passei claramente a preferir o conjunto de dois nomes, tanto para rapaz como para rapariga. Explico porquê.
Geralmente a situação passa-se desta forma: os pais conversam entre si o nome a dar ao bebé, questionam alguns membros da família, eventualmente os futuros padrinhos e, já está! O que pode "já estar" é o nome de "Adalberta". Isto significa que a criancinha vai crescer, passar a rapariga, a mulher adulta e sempre, inexoravelmente, a arcar sobre os ombros com este nome que, francamente, denota pouca caridade da parte de quem o escolheu.
Ora, admitindo que a rica madrinha tivesse feito questão de que o seu próprio nome passasse para a sua afilhada, bastaria um ligeiro toque para amenizar a dor que a criança iria um dia certamente experimentar. A tirania ficaria menorizada se, por exemplo, a criança se denominasse “Adalberta Isabel”. Com este simples passe de mágica, que a madrinha católica não deixaria de aprovar pela sua devoção a Santa Isabel, a criança poderia a determinada altura escolher ser “Isabel” em vez de Adalberta. O seu primeiro nome ficaria apenas para o registo escrito, mas socialmente a pessoa em questão cresceria entre os seus amigos e familiares como Isabel. (Para a abastada madrinha continuaria a ser Adalberta Isabel, claro!).
Seguindo esta linha de pensamento, mesmo dois nomes pouco controversos como Vasco e Rafael poderão ser preferíveis a simplesmente Vasco, ou simplesmente Rafael. Imaginemos que o rapaz a certa altura percebe que lhe puseram o nome de Vasco por causa daquele irmão do pai que ele detesta. Se lhe tivessem chamado Vasco Rafael, ele passaria a escolher Rafael e assim cortaria com qualquer ligação mental ao seu pouco-amado tio. Com raparigas, Ana Paula permite o uso de “Ana”, de “Paula” ou de “Ana Paula”. Três hipóteses, de entre as quais a portadora do nome pode um dia escolher a que mais lhe agrada. Com um nome só, não tem escolha! É daí que advém a citada tirania.
O mais curioso é que já tenho notado que, em certos casos, mesmo para os pais um nome simples não chega. Carece de uma bengala, especialmente quando esses pais estão menos contentes com o rapaz ou rapariga em questão. Ainda há dias ouvi uma mãe dizer para a sua pequena filha, em tom de ralhete, "I-nês Ma-ri-a, não mexas aí!" Questionei a mãe: "Ela é Inês Maria!? Não sabia!" A resposta não se fez esperar: “Na realidade, ela é só Inês, mas preciso de mais qualquer coisa quando quero repreendê-la!" Este era um dado que não me ocorria, confesso. Mas contra factos não há argumentos.
10/23/2008
Mais uma questão de ética deplorável

Nos anos 60 do século passado, americanos e ingleses estiveram na primeira linha das nações que exigiam a descolonização. "África para os africanos" foi o seu slogan principal. Por seu lado, "independência" e "libertação" eram as palavras que mais ressoavam no grande areópago das Nações Unidas em Nova Iorque.
Ontem, a britânica Câmara dos Lordes deu o seu parecer relativamente a um caso que ocorreu exactamente entre 1967 e 1973. Não se tratou de nenhum acto de independência, libertação ou descolonização. Pelo contrário. O que se passou foi a expulsão pura e dura dos habitantes nativos das suas casas e terras em ilhas que em certa medida se assemelham às paradisíacas Maldivas e não ficam longe destas. As ilhas Chagos constituem um arquipélago de atóis no meio do Oceano Índico. Nos anos 60 já eram território britânico. Um entendimento entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, as duas grandes "nações descolonizadoras", fez com que a maior das ilhas - Diego Garcia - fosse concessionada aos americanos para estabelecimento de uma base militar. Na altura dizia-se que as ilhas eram atóis praticamente desertos. Afinal havia pelo menos duas mil pessoas a viverem lá. Contra indemnizações que muitos acabaram por não receber, os nativos foram enviados para outros locais. Alguns deles foram convencidos a irem passar férias fora, com a oferta de um bilhete. O problema é que esse bilhete não contemplava a viagem de regresso. Em 1973 completou-se a total desafectação das pessoas do arquipélago. Diego Garcia, a ilha mais a sul e hoje uma das maiores bases aéreas dos americanos em todo o mundo, pronta a actuar em conflitos na Ásia ou em África, foi entretanto convenientemente apetrechada. Nela convivem cerca de dois mil militares, ao lado de bombardeiros de longo raio de acção e aviões de vigilância e controlo. Constitui, aliás, pedra basilar para ataques aéreos ao Afeganistão e ao Iraque.
Os 500 antigos habitantes que ainda estão vivos, juntamente com quatro mil descendentes, pretendem voltar às suas terras. Há oito anos conseguiram que o Supremo decidisse que os expropriados podiam voltar a todos as ilhas, com excepção de Diego Garcia. O veredicto final pertenceria, no entanto, à Câmara dos Lordes. Ora, os mesmos países que apoiaram os judeus no seu regresso à terra prometida de Israel recusam categoricamente o regresso destas pessoas. Os mesmos países que repetidamente trompetearam através dos seus media a urgência da independência de tantos povos acabaram por fazer pior do que o oposto daquilo que proclamavam. A Câmara dos Lordes deu ontem razão ao governo britânico: os habitantes de Chagos estão proibidos de voltar ao seu arquipélago. Na votação final, o júri assim o decidiu, por três votos contra dois.
Ontem, a britânica Câmara dos Lordes deu o seu parecer relativamente a um caso que ocorreu exactamente entre 1967 e 1973. Não se tratou de nenhum acto de independência, libertação ou descolonização. Pelo contrário. O que se passou foi a expulsão pura e dura dos habitantes nativos das suas casas e terras em ilhas que em certa medida se assemelham às paradisíacas Maldivas e não ficam longe destas. As ilhas Chagos constituem um arquipélago de atóis no meio do Oceano Índico. Nos anos 60 já eram território britânico. Um entendimento entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, as duas grandes "nações descolonizadoras", fez com que a maior das ilhas - Diego Garcia - fosse concessionada aos americanos para estabelecimento de uma base militar. Na altura dizia-se que as ilhas eram atóis praticamente desertos. Afinal havia pelo menos duas mil pessoas a viverem lá. Contra indemnizações que muitos acabaram por não receber, os nativos foram enviados para outros locais. Alguns deles foram convencidos a irem passar férias fora, com a oferta de um bilhete. O problema é que esse bilhete não contemplava a viagem de regresso. Em 1973 completou-se a total desafectação das pessoas do arquipélago. Diego Garcia, a ilha mais a sul e hoje uma das maiores bases aéreas dos americanos em todo o mundo, pronta a actuar em conflitos na Ásia ou em África, foi entretanto convenientemente apetrechada. Nela convivem cerca de dois mil militares, ao lado de bombardeiros de longo raio de acção e aviões de vigilância e controlo. Constitui, aliás, pedra basilar para ataques aéreos ao Afeganistão e ao Iraque.
Os 500 antigos habitantes que ainda estão vivos, juntamente com quatro mil descendentes, pretendem voltar às suas terras. Há oito anos conseguiram que o Supremo decidisse que os expropriados podiam voltar a todos as ilhas, com excepção de Diego Garcia. O veredicto final pertenceria, no entanto, à Câmara dos Lordes. Ora, os mesmos países que apoiaram os judeus no seu regresso à terra prometida de Israel recusam categoricamente o regresso destas pessoas. Os mesmos países que repetidamente trompetearam através dos seus media a urgência da independência de tantos povos acabaram por fazer pior do que o oposto daquilo que proclamavam. A Câmara dos Lordes deu ontem razão ao governo britânico: os habitantes de Chagos estão proibidos de voltar ao seu arquipélago. Na votação final, o júri assim o decidiu, por três votos contra dois.
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