7/31/2009

Ludicando

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Quando
Os eças deixarem de queirozear
Os camilos de branquear
Os guerras de junqueirar
Os almeidas de garrettear
Os fernandos de pessoar
Os negreiros de almadar
Os júlios de dinizar
Os lobos de antunar
E os josés de saramagar,
Onde irá Portugal parar?

7/30/2009

Breve interrupção

Pela minha parte, o azweblog vai tirar cerca de três semanas de férias. Até uma próxima!

7/27/2009

Santos e Pecadores

Sócrates e Cavaco são pessoas de gerações diferentes. Do primeiro se diz, entre outras coisas, que se licenciou a um domingo. Do segundo que, apesar de evidentes bons conhecimentos de Finanças, possui uma fraca cultura geral e é falsamente modesto. Andam ambos na berlinda por razões substancialmente diversas. Para além da história mal-contada da licenciatura obtida numa universidade privada de Lisboa, Sócrates apresenta-se com várias manchas suspeitas. Cavaco, o homem que foi primeiro-ministro com maioria absoluta e agora é presidente da República, deixou o legado do "cavaquismo" algo manchado também com a presença de alguns dos seus membros em operações financeiras menos claras. A escolha que fez para conselheiro de Estado de um desses membros, que entretanto se demitiu, denota ou ignorância, ou ingenuidade. Nenhuma destas qualidades é apreciável num P.R.
Uma primeira conclusão destes factos é de há muito conhecida: não há indivíduos imaculados. Mesmo todo o santo que se preze admite que em tempos foi pecador. “Santos & Pecadores” não é só o nome de um conjunto musical. É uma verdade incontroversa.
Será necessário que um líder, na sua educação global, saiba mentir? Nicolau Maquiavel achava que sim. Apesar de esta passagem de O Príncipe ser um pouco longa, permito-me transcrevê-la: "É tão grande a diferença entre a maneira como se vive e a maneira como se deveria viver que quem trocar o que se faz pelo que se deveria fazer aprende mais a perder-se do que a salvar-se. Quem quer viver exclusivamente como homem de bem não consegue evitar perder-se entre tantos outros que não são bons. Por isso, o príncipe que deseja manter a sua posição precisa, também, de aprender a não ser bom e a servir-se ou não dessa faculdade de acordo com a necessidade." Pessoalmente, não estou em desacordo. A questão é que nós queremos geralmente que o nosso líder seja um santo imaculado. O problema é, afinal, mais nosso do que deles. Um líder não é um deus. Se cometeu crimes, tem obviamente de pagar por eles. Os tribunais estão cá para isso. Mas mentir num negócio, fazer bluff, será um crime? Pensar para consigo, à la Talleyrand, que as palavras servem para dissimular o pensamento será um crime?
Sócrates tem vários calcanhares de Aquiles, que circulam com grande regularidade nos meios de comunicação social. Em período pré-eleitoral, isso entende-se perfeitamente.
Quanto a Cavaco, ele encontra-se hoje numa posição em que está mais distante da governação. Quando foi governante, porém, mostrou uma arrogância que os portugueses acabaram por rejeitar nas urnas. Não é impossível que o mesmo suceda a Sócrates. De Cavaco, disse o seu ex-ministro Cadilhe, que é como um eucalipto: provoca aridez à sua volta. Não se poderá dizer hoje o mesmo de Sócrates, que não apresenta ninguém que possa ser seu sucessor?
Mas há coisas curiosas. Cavaco surge para muitos como o criador, através de um artigo na imprensa, da designação de "monstro" para o aparentemente incontrolável défice das contas públicas. E se ele tivesse contribuído mais do que os socialistas para alimentar esse monstro? O número do último fim-de-semana do jornal i contém o contributo de um professor de Economia da Universidade de Colúmbia, nos EUA. Segundo o Professor Ricardo Reis, desde 1986 que o rácio entre o consumo público e o PIB sobe em média 0,4 por cento por ano quando o PSD está no poder, mas apenas 0,2 por cento quando é o PS a governar. Curioso, não é?
Mas mais curiosas ainda são várias passagens de um artigo publicado nos anos 70 numa revista científica por Cavaco Silva (antes de ser governante): "Pela sua maior rentabilidade eleitoral, os políticos tendem a favorecer a escolha de alternativas em que predominam benefícios directos, imediatos e de fácil percepção e custos indirectos, distantes no tempo e não facilmente identificáveis, aspectos que não são, obviamente, características das escolhas de máximo benefício social." A argumentação enfatiza o curto "horizonte temporal" dos políticos, "porque a duração dos seus mandatos é breve (...) e o seu interesse principal é serem reeleitos de modo a permanecerem no poder", razão por que tendem a "favorecer as opções cujos benefícios se concentram no curto prazo".
No jornal Público de 2005 que incluía esta citação, lê-se: "Enquanto ministro das Finanças de Sá Carneiro e primeiro-ministro dos governos PSD de maioria absoluta, Cavaco Silva aplicou a teoria, voltando-a do avesso. Ou seja, o político Cavaco Silva agiu na lógica da decisão política que o académico Cavaco Silva criticava, fazendo prevalecer, quando lhe convinha, a óptica do curto prazo, ao abrir os cordões à bolsa nos anos de eleições. É natural que assim seja: quem não quer ser lobo não lhe veste a pele." Cabe perguntar se Cavaco Silva, o presidente, aceitaria como naturais neste período pré-eleitoral, medidas de Sócrates do estilo que ele próprio tomou, ou se as censuraria com o seu típico ar austero de grande professor.
É incontestável que na vida há mais pecadores do que santos.

7/22/2009

AS MÃOS DOS PRETOS

Lamentando ser um texto um pouco longo para o blogue, não resisto, no entanto, a transcrever "As mãos dos pretos", um belíssimo conto do moçambicano Luís Bernardo Honwana, inserido no livro "Nós Matámos o Cão Tinhoso":



Já nem sei a que propósito é que isso vinha, mas o Senhor Professor disse um dia que as palmas das mãos dos pretos são mais claras do que o resto do corpo porque ainda há poucos séculos os avós deles andavam com elas apoiadas ao chão, como os bichos do mato, sem as exporem ao sol, que lhes ia escurecendo o resto do corpo. Lembrei-me disso quando o Senhor Padre, depois de dizer na catequese que nós não prestávamos mesmo para nada e que até os pretos eram melhores do que nós, voltou a falar nisso de as mãos deles serem mais claras, dizendo que isso era assim porque eles, às escondidas, andavam sempre de mãos postas, a rezar.
Eu achei um piadão tal a essa coisa de as mãos dos pretos serem mais claras que agora é ver-me a não largar seja quem for enquanto não me disser porque é que eles têm as palmas das mãos assim tão claras. A Dona Dores, por exemplo, disse-me que Deus fez-lhes as mãos assim mais claras para não sujarem a comida que fazem para os seus patrões ou qualquer outra coisa que lhes mandem fazer e que não deva ficar senão limpa.
O Senhor Antunes da Coca-Cola, que só aparece na vila de vez em quando, quando as coca-colas das cantinas já tenham sido todas vendidas, disse-me que tudo o que me tinham contado era aldrabice. Claro que não sei se realmente era, mas ele garantiu-me que era. Depois de eu lhe dizer que sim, que era aldrabice, ele contou então o que sabia desta coisa das mãos dos pretos. Assim:
“Antigamente, há muitos anos, Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, Virgem Maria São Pedro, muitos outros santos, todos os anjos que nessa altura estavam no céu e algumas pessoas que tinham morrido e ido para o céu, fizeram uma reunião e decidiram fazer pretos. Sabes como? Pegaram em barro, enfiaram-no em moldes usados e para cozer o barro das criaturas levaram-nas para os fornos celestes; como tinham pressa e não houvesse lugar nenhum, ao pé do brasido, penduraram-nas nas chaminés. Fumo, fumo, fumo e aí os tens escurinhos como carvões. E tu agora queres saber porque é que as mãos deles ficaram brancas? Pois então se eles tiveram de se agarrar enquanto o barro deles cozia?!”.
Depois de contar isto o Senhor Antunes e os outros Senhores que estavam à minha volta desataram a rir, todos satisfeitos.
Nesse mesmo dia, o Senhor Frias chamou-me, depois de o Senhor Antunes se ter ido embora, e disse-me que tudo o que eu tinha estado para ali a ouvir de boca aberta era uma grandessíssima pêta. Coisa certa e certinha sobre isso das mãos dos pretos era o que ele sabia: que Deus acabava de fazer os homens e mandava-os tomar banho num lago do céu. Depois do banho as pessoas estavam branquinhas. Os pretos, como foram feitos de madrugada e a essa hora a água do lago estivesse muito fria, só tinham molhado as palmas das mãos e as plantas dos pés, antes de se vestirem e virem para o mundo.
Mas eu li num livro que por acaso falava nisso, que os pretos têm as mãos assim mais claras por viverem encurvados, sempre a apanhar o algodão branco de Vírginia e de mais não sei aonde. Já se vê que a Dona Estefânia não concordou quando eu lhe disse isso. Para ela é só por as mãos desbotarem à força de tão lavadas.
Bem, eu não sei o que vá pensar disso tudo, mas a verdade é que ainda que calosas e gretadas, as mãos dum preto são sempre mais claras que todo o resto dele. Essa é que é essa!
A minha mãe é a única que deve ter razão sobre essa questão de as mãos de um preto serem mais claras do que o resto do corpo. No dia em que falámos disso, eu e ela, estava-lhe eu ainda a contar o que já sabia dessa questão e ela já estava farta de se rir. O que achei esquisito foi que ela não me dissesse logo o que pensava disso tudo, quando eu quis saber, e só tivesse respondido depois de se fartar de ver que eu não me cansava de insistir sobre a coisa, e mesmo assim a chorar, agarrada à barriga como quem não pode mais de tanto rir. O que ela me disse foi mais ou menos isto:
“Deus fez os pretos porque tinha de os haver. Tinha de os haver, meu filho, Ele pensou que realmente tinha de os haver... Depois arrependeu-se de os ter feito porque os outros homens se riam deles e levavam-nos para as casas deles para os pôr a servir como escravos ou pouco mais. Mas como Ele já não os pudesse fazer ficar todos brancos porque os que já se tinham habituado a vê-los pretos reclamariam, fez com que as palmas das mãos deles ficassem exactamente como as palmas das mãos dos outros homens. E sabes porque é que foi? Claro que não sabes e não admira porque muitos e muitos não sabem. Pois olha: foi para mostrar que o que os homens fazem, é apenas obra dos homens... Que o que os homens fazem, é feito por mãos iguais, mãos de pessoas que se tiverem juízo sabem que antes de serem qualquer outra coisa são homens. Deve ter sido a pensar assim que Ele fez com que as mãos dos pretos fossem iguais às mãos dos homens que dão graças a Deus por não serem pretos”.
Depois de dizer isso tudo, a minha mãe beijou-me as mãos.
Quando fugi para o quintal, para jogar à bola, ia a pensar que nunca tinha visto uma pessoa a chorar tanto sem que ninguém lhe tivesse batido.


7/21/2009

Quando o -s final português tem uma conotação específica

Começo por dizer que nunca encontrei este assunto abordado em nenhuma gramática da língua portuguesa. No entanto, tenho também de confessar que estou muito longe de ter consultado todas as gramáticas existentes.
O que vou aflorar em seguida não é uma regra, mas estou convencido de que constitui uma tendência muito acentuada da língua portuguesa. Se eu falo de um gira-discos, de um amola-tesouras ou de um abre-latas, estou a usar substantivos que terminam em –s apesar de estarem na sua forma singular. Que "um", artigo indefinido singular, venha seguido de um singular terminado em -s, nada tem de anómalo (os vocábulos "lápis" e "cútis" também terminam em –s no singular). Aliás, um gira-discos é uma simplificação de "aparelho que faz os discos girar", da mesma maneira que "um amola-tesouras" expressa "um indivíduo que amola tesouras" e um abre-latas traduz "um utensílio para abrir latas". É por isso que o hífen existe tanto em gira-discos como em amola-tesouras e em abre-latas. Estas palavras não têm qualquer conotação, negativa ou positiva. São objectivas.
Contudo, existem na nossa língua numerosas palavras que no singular terminam em –s e possuem por vezes uma forte conotação negativa. Tanto quanto me lembro, nunca aprendemos isto na escola, mas começamos a entender o processo quando ouvimos determinadas palavras e nos apercebemos da sua conotação. Posteriormente, podemos ser nós próprios os promotores de novos vocábulos, criativos e perfeitamente explícitos, i.e. imediatamente compreensíveis à vista ou ao ouvido de qualquer pessoa.

Lancemos uma mirada sobre duas dezenas de termos comuns:

Um choramingas
Um queixinhas
Um cobardolas
Um borrabotas
Um medricas
Um maricas
Um larilas
Um panilas
Um piegas
Um merdas
Um troca-tintas
Um arolas
Um vira-casacas
Um lambe-botas
Um lambe-cus
Um artolas
Um vira-latas
Um lamechas
Um lambe-pratos
Um tira-dentes

Em cada uma destas linhas encontramos um certo desvio do padrão normal que rege a língua portuguesa. Esse desvio consiste no facto de "um" ser um artigo indefinido singular e de o substantivo que se lhe segue terminar em –s, que é característico da formação de plurais. Se constituir uma certa anomalia, por que razão existirá? Que significado tem?
Embora não seja talvez importante dizê-lo, creio que esta inconsistência relativamente ao português-padrão é tomada subconscientemente mas é, por outro lado, suficientemente expressiva para ser de pronto aceite pela comunidade linguística.
Na mesma medida em que estas palavras constituem um desvio, também existe um desvio em todos estes substantivos qualificativos, cheios de expressividade, relativamente a um padrão convencional do ponto de vista da sociedade que utiliza o idioma.
Sociologicamente, estes substantivos aplicam-se a modelos que não são na generalidade dignos de admiração e, pelo contrário, são objecto por parte do núcleo duro da sociedade de um certo desprezo, uma reprovação que pode ser maior ou menor, mais ou menos ridícula ou com laivos de sátira. Esses modelos, representados por indivíduos e pelos seus comportamentos, existem na sociedade, mas são, pelo menos parcialmente, vistos como uma aberração quando postados em confronto com um paradigma imaginado e desejável.
Analisemos os casos um pouco mais em pormenor.
Todos temos a noção de que a generalidade da sociedade admira os homens valentes, possuidores de coragem para enfrentar situações difíceis e perigosas. O homem que não consegue ser assim denota medo ou constitui um desvio para um ser efeminado. Daqui advêm termos como "o medricas", "o maricas", "o borrabotas" e "o cobardolas". "O piegas", "o choramingas" e "o queixinhas" entram também neste grupo (todos terminados em -s). Daqui sobressai a admiração social pelo estoicismo, pelo aguentar a dor sem chorar, a tortura, se preciso for, sem revelar nomes de outrem.
A sociedade repudia de uma maneira geral os desvios ao padrão normal de relacionamento sexual entre homem e mulher. Esses desvios são punidos por vocábulos cuja formação igualmente terminada em –s denuncia o estigma aposto. Assim, falamos de "um larilas", "um maricas", "um panilas".
A sociedade admira igualmente os indivíduos íntegros, que se revelam consistentes no seu comportamento e são merecedores da nossa confiança. Os outros são classificados de maneira diferente. São "troca-tintas", "vira-casacas", "lambe-botas" ou, com maior agressividade, "lambe-cus".
Se um dentista é apodado de "tira-dentes", não o estamos exactamente a elogiar.
Se alguém que gosta de comer muito é apodado de "lambe-pratos", não o consideramos um gourmet, antes vemo-lo como um comilão desenfreado que rapa tudo.
"Um lamechas", com as suas lamechices, é mais um untador amoroso do que um pinga-amor.
Um cão rafeiro, que tem de procurar por si comida onde a encontrar, é "um vira-latas".
Um indivíduo que genericamente não presta é "um merdas".
Um indivíduo que usa barba e que não respeitamos muito ou mesmo despeitamos pode passar a ser "o barbas", se usar uma pêra passará a ser "o pêras", se for senhor de um notório bigode passará possivelmente a ser "o bigodes".
Da mesma maneira, alguém que tem necessidade de corrigir a vista com lentes será, depreciativamente, chamado "caixa d’óculos" ou, com um tom mais amigo mas jocoso, "o vidrinhos". Repare-se que todos estes qualificativos mais ou menos depreciativos terminam em –s.
Em termos práticos, se eu quiser criar palavras mais ou menos satíricas, ofensivas ou desprestigiantes para as pessoas a quem elas se aplicam, por vezes com laivos de comicidade, tenho apenas de arranjar vocábulos comuns apropriados e juntar-lhes um –s. Assim, se eu estiver a falar de um larápio e lhe chamar "o mãozinhas", toda a gente entenderá imediatamente. As alcunhas também se fazem assim. Se quiser referir-me a um indivíduo que fala muito e pelo meio diz coisas inconvenientes, posso chamar-lhe "o bocas". Se quiser ridicularizar um orelhudo, chamo-lhe "o orelhas". Se quiser criticar um governante por ele prometer muito e realizar pouco, chamo-lhe "o promessas".
Afinal, não era também nesta linha que Oliveira Salazar era apodado de "o Botas"? De resto, ele tinha ainda uma outra designação deste tipo que derivava do facto de a imprensa nunca anunciar, por razões de segurança, que Sua Excelência se ia deslocar a uma determinada cidade, por exemplo, Coimbra. Só no dia seguinte é que os jornais informavam: "O Senhor Presidente do Conselho esteve ontem em Coimbra." Nesta base, que nome foi arranjado para ele pela oposição? O "Esteves". (Hermann José usou mais tarde este nome, que para muitas pessoas significava alguma coisa que dava vontade de rir,sob uma outra vertente. Mais uma vez, encontramos aqui o –s a finalizar uma palavra singular e a conferir-lhe um significado muito especial.)
Para demonstrar a veracidade desta constatação pelo seu oposto, tomemos duas palavras semelhantes a várias outras que se encontram listadas acima: "mariola" e "carola". Dizer "um mariolas" não é vulgar porque a palavra acaba por ter uma conotação mais terna do que de reprovação. "Saíste-me um bom mariola!" é uma graça, diz-se com um sorriso e é como tal aceite.
Quanto a "carola", repare-se no exemplo "Se não fosse o carola do Sr. Carlos, o nosso clube já não existia." "O carolas", que não se usa, emprestaria ao Sr. Carlos uma conotação negativa quando aquilo que se pretendia era elogiá-lo. A língua estaria em contradição com o sentido que queria expressar, logo a comunidade não aceitaria, como não aceitou, o termo "carolas".
Quod erat demonstrandum.