A culpa dos seus maus resultados eleitorais não deve ser assacada ao Governo, mas sim à oposição, nomeadamente ao PS. De facto, ao comportar-se frequentemente de forma deplorável, com envolvimentos obscuros no processo Casa Pia e peixeiradas em Felgueiras e Matosinhos, os socialistas não espicaçaram suficientemente os governantes para que estes governassem melhor o país. O resultado está à vista: mesmo tratando-se do produto de uma coligação PSD-CDS, os resultados apurados cifraram-se num exíguo terço do total das vontades expressas. Para a próxima vez deverão, antecipadamente e com fervor, rezar um rosário inteiro a Nossa Senhora de Fátima para que outro terço se venha juntar a este.
Da oposição espera-se que mantenha o seu comportamento anterior. Noutros tempos, também o Dr. Salazar produzia mais comunistas do que o Dr. Cunhal.
6/14/2004
6/10/2004
Eleições europeias
As eleições para o Parlamento Europeu permitiram-nos recordar o número de membros que cada país elege. É um mapa interessante este do número de parlamentares dentro do outro mapa dos 25 países que constituem a actual União. E levanta-se inevitavelmente a questão: qual foi o critério usado -- terá sido o da área territorial de cada país? O do número de habitantes? Ou o do Produto Interno Bruto (PIB)? Ou, ainda, uma conjugação destes três? O critério da área territorial "tout court" é pouco lógico, pois não parece adequado que áreas desertas valham tanto como áreas habitadas. O critério do número de habitantes seria uma solução mais correcta, pois uma sociedade é composta por pessoas, que portanto são uma componente importante numa União. Quanto ao PIB, também se nos assemelha que deve ser tomado em linha de conta, na medida em que representa o labor de um país em termos de valor acrescentado e desenvolvimento.
Posto isto, francamente não sei de facto qual o critério utilizado para a distribuição do número de membros parlamentares. Portugal tem 24. Tanto a Grécia como a Bélgica e ainda a Hungria contam igualmente com 24. Porém, a Grécia, que é maior que Portugal, tem menos habitantes do que o nosso país. A Bélgica tem uma área menor mas um peso maior no conjunto do PIB da U.E. A Holanda, que é mais pequena em superfície do que Portugal mas tem cerca de 50 por cento mais de habitantes, possui um PIB que é cerca de 4 vezes o nosso. Por isso (?), tem direito a 27 representantes no Parlamento europeu, ou seja mais três do que nós. Por seu lado, a Espanha, que é 5,5 vezes maior do que Portugal e tem quatro vezes mais habitantes, dispõe de 54 membros do Parlamento europeu, ou seja pouco mais do que o dobro dos de Portugal. Entretanto, a Polónia, que tem 1/3 do PIB espanhol, conta com os mesmos 54 membros. À Finlândia, com metade da população de Portugal e um PIB mais elevado, não couberam mais do que 14 membros, dez menos do que a Portugal. A Áustria, que possui sensivelmente a área de Portugal e tem uma população inferior em número mas um PIB consideravelmente maior, dispõe de apenas 18 membros.
De um total de 732 representantes nacionais no Parlamento europeu, a Portugal cabem 3,3 por cento. Curiosamente, França, Itália e Reino Unido têm o mesmo número de membros: 78 cada (32,1 por cento do total no seu conjunto). A Alemanha segue na liderança, com 99 representantes (13,5 por cento), liderança que parece assentar com alguma lógica no país-locomotiva. A Alemanha possui uma população superior a 80 milhões e um PIB que representa mais de vinte vezes o português.
Deixo aqui estas indicações aguardando que uma alma caridosa e sabedora me resolva o enigma do critério ou me responda: ?trata-se de decisões meramente políticas. Quem teve maior força negocial, negociou melhor." Será isso? Quem desblogueia esta minha ignorância?
Posto isto, francamente não sei de facto qual o critério utilizado para a distribuição do número de membros parlamentares. Portugal tem 24. Tanto a Grécia como a Bélgica e ainda a Hungria contam igualmente com 24. Porém, a Grécia, que é maior que Portugal, tem menos habitantes do que o nosso país. A Bélgica tem uma área menor mas um peso maior no conjunto do PIB da U.E. A Holanda, que é mais pequena em superfície do que Portugal mas tem cerca de 50 por cento mais de habitantes, possui um PIB que é cerca de 4 vezes o nosso. Por isso (?), tem direito a 27 representantes no Parlamento europeu, ou seja mais três do que nós. Por seu lado, a Espanha, que é 5,5 vezes maior do que Portugal e tem quatro vezes mais habitantes, dispõe de 54 membros do Parlamento europeu, ou seja pouco mais do que o dobro dos de Portugal. Entretanto, a Polónia, que tem 1/3 do PIB espanhol, conta com os mesmos 54 membros. À Finlândia, com metade da população de Portugal e um PIB mais elevado, não couberam mais do que 14 membros, dez menos do que a Portugal. A Áustria, que possui sensivelmente a área de Portugal e tem uma população inferior em número mas um PIB consideravelmente maior, dispõe de apenas 18 membros.
De um total de 732 representantes nacionais no Parlamento europeu, a Portugal cabem 3,3 por cento. Curiosamente, França, Itália e Reino Unido têm o mesmo número de membros: 78 cada (32,1 por cento do total no seu conjunto). A Alemanha segue na liderança, com 99 representantes (13,5 por cento), liderança que parece assentar com alguma lógica no país-locomotiva. A Alemanha possui uma população superior a 80 milhões e um PIB que representa mais de vinte vezes o português.
Deixo aqui estas indicações aguardando que uma alma caridosa e sabedora me resolva o enigma do critério ou me responda: ?trata-se de decisões meramente políticas. Quem teve maior força negocial, negociou melhor." Será isso? Quem desblogueia esta minha ignorância?
6/07/2004
Na sequência do que o Peter Pan acaba de escrever, e precisamente pelas razões implícitas nesse texto, é que era importante que a Europa se fortalecesse, para poder fazer face a uns Estados Unidos cada vez mais perigosamente imperialistas e belicistas.
Numa altura em que acabam de chegar à casa europeia nações culturalmente mais distantes, parece-me que a campanha para as eleições europeias seria uma oportunidade privilegiada de conhecimento mútuo, de esclarecimento, de propostas de vivência em comum em matérias que todos os dias e a todos nos tocam. E, consequentemente, uma oportunidade potencialmente geradora de união, união essa que a sabedoria popular diz fazer a força.
E o que vemos nós, portugueses, na campanha eleitoral em curso cá na lusa terra? Já alguém se sentiu minimamente esclarecido por alguma acção desta campanha?
Quem de entre nós, cidadãos comuns, sabe o suficiente sobre os projectos (e principalmente sobre a diferença entre eles) existentes para o espaço comunitário, de modo a votar conscienciosamente no partido A ou B?
Os políticos estão a prestar o pior dos serviços à democracia. Entretidos no ping-pong do ataque pessoal, paradigma da baixeza com que se anda a fazer política, não querem perceber que o povo espera deles seriedade, rigor, empenhamento, e não apitos, aventais e troca de insultos.
Numa altura em que acabam de chegar à casa europeia nações culturalmente mais distantes, parece-me que a campanha para as eleições europeias seria uma oportunidade privilegiada de conhecimento mútuo, de esclarecimento, de propostas de vivência em comum em matérias que todos os dias e a todos nos tocam. E, consequentemente, uma oportunidade potencialmente geradora de união, união essa que a sabedoria popular diz fazer a força.
E o que vemos nós, portugueses, na campanha eleitoral em curso cá na lusa terra? Já alguém se sentiu minimamente esclarecido por alguma acção desta campanha?
Quem de entre nós, cidadãos comuns, sabe o suficiente sobre os projectos (e principalmente sobre a diferença entre eles) existentes para o espaço comunitário, de modo a votar conscienciosamente no partido A ou B?
Os políticos estão a prestar o pior dos serviços à democracia. Entretidos no ping-pong do ataque pessoal, paradigma da baixeza com que se anda a fazer política, não querem perceber que o povo espera deles seriedade, rigor, empenhamento, e não apitos, aventais e troca de insultos.
6/06/2004
O Dilema
A Europa do poder -- a Alemanha, a França, a Rússia, inter alia -- encontra-se presentemente num dilema: aprovar ou não o novo plano dos Estados Unidos de uma maior intervenção da ONU no Iraque. Por um lado, não colaborar pode significar um agravar da situação, com consequências que atingem os próprios europeus, v.g. a alta dos preços do petróleo. Em contrapartida, colaborar implica automaticamente dar um aval à política de Bush e contribuir até para a sua (indesejada) reeleição. Ora, como grande parte da Europa gostaria que "a nação mais forte" recebesse uma lição exemplar pelo seu comportamento belicista, anti-democrático apesar de proclamado em nome da democracia, o dilema está criado.
Muitos europeus sentem que, desde a instalação das Nações Unidas em Nova Iorque após a 2ª Guerra Mundial, o sol passou a nascer a ocidente. Creio que devido à arrogância exibida pela América nos últimos anos, a Europa sentiria algum gosto em ver os Estados Unidos serem coagidos a praticar um acto de contrição. E isso não sucedeu ainda. Na Europa há muitos católicos que quando pensam reflexivamente nas palavras do Padre Nosso -- "perdoai-nos, Senhor, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido" -- consideram, com alguma lógica humana, que se perdoarem as ofensas ao mais poderoso ele continuará muito provavelmente a cometer as mesmas ou até outras mais graves.
Dir-me-ão: "E onde está a defesa dos valores do Ocidente?" É um facto que a Europa e a América partilham muitos dos valores da civilização ocidental. Porém, o próprio Papa terá há dias lembrado a Bush que não estava muito de acordo com os seus princípios bélicos. Estaremos confrontados com a hipótese de um novo e inédito Cisma do Ocidente? Pelo menos, dá que cismar...
Muitos europeus sentem que, desde a instalação das Nações Unidas em Nova Iorque após a 2ª Guerra Mundial, o sol passou a nascer a ocidente. Creio que devido à arrogância exibida pela América nos últimos anos, a Europa sentiria algum gosto em ver os Estados Unidos serem coagidos a praticar um acto de contrição. E isso não sucedeu ainda. Na Europa há muitos católicos que quando pensam reflexivamente nas palavras do Padre Nosso -- "perdoai-nos, Senhor, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido" -- consideram, com alguma lógica humana, que se perdoarem as ofensas ao mais poderoso ele continuará muito provavelmente a cometer as mesmas ou até outras mais graves.
Dir-me-ão: "E onde está a defesa dos valores do Ocidente?" É um facto que a Europa e a América partilham muitos dos valores da civilização ocidental. Porém, o próprio Papa terá há dias lembrado a Bush que não estava muito de acordo com os seus princípios bélicos. Estaremos confrontados com a hipótese de um novo e inédito Cisma do Ocidente? Pelo menos, dá que cismar...
6/03/2004
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