12/14/2018

AS SUGESTÕES DO JOÃO MIGUEL

A decorrer  
Dias 15 e 16, no Convento dos Cardaes, Natal Solidário: Brunch (das 12h00 às 15h), Chá (das 15h30 às 19h) e Loja (das 12h às 19h)
Até dia 22, às 21h00 de sextas e sábados, na Casa da Achada, ciclo Peter Nestler (http://centromariodionisio.org/programacao.php)
Até dia 22, Natal em Lisboa (detalhes: https://www.culturanarua.pt/programacao/ )
Até dia 23, na Gulbenkian, Festa dos Livros 2018
O Museu da Água (Aqueduto das Águas Livres, Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, Reservatório da Patriarcal e Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos) está aberto, gratuitamente, durante todos os fins-de-semana de 2018
Até dia 31, no El Corte Inglés (Ponto de Informação, Piso 0), inscrições (grátis) para o curso de O Egito Faraónico (por Luís Manuel de Araújo; 7 sessões, às 18h30 de terças, com início a 8 de Janeiro)
Até dia 2 de Janeiro, no El Corte Inglés (Ponto de Informação, Piso 0), inscrições (grátis) para o curso de Contos da Passagem do Tempo (por Joel Costa; 7 sessões, às 18h00 de segundas e quartas, com início a 9 de Janeiro)
Na bilheteira do CCB, abertas as inscrições para o ciclo de História: Os Grandes Conflitos da História - Da Idade Média ao século XX, por B. Vasconcelos e Sousa, N. Gonçalo Monteiro e Rui Ramos (no CCB, às 12h, 5, 12, 19, 26 Janeiro, 2, 9, 16, 23 Fevereiro e 9 Março; 36 € ciclo, 5 € avulso)
Sexta-feira, dia 14
às 9h55, na Mezzo, Paco de Lucia, Light & Shade (55’)
às 11h19, na RTP2, A Ciência dos Desentendimentos Conjugais
às 14h45, na TV5, #Chic en Versionfrançaise (magazine; 14’) *
às 18h00, no Museu Nacional de Arte Antiga, reabertura dos acessos à Capela das Albertas e apresentação do Presépio dito dos Marqueses de Belas
às 18h00, no Museu da Música, recital (Beethoven e Mendelssohn), com os músicos da Orquestra Sinfónica Juvenil: Ricardo Salavessa (violino), Mohan Shaw (violoncelo) e Bernardo Marques (piano) (0€)
às 18h30, no Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, 5 curtas com Artistas e Museus (0€)
às 21h00, na Igreja de São Luís dos Franceses, Concerto Natal, com Coro da Universidade Nova de Lisboa
às 21h00, na Casa Fernando Pessoa, Je suis Bovary, com Leonor Barata e Patrícia Portela (5€)
às 24h15, na Mezzo, An evening with Avishaï Cohen – Alfa Jazz Fest
Sábado, dia 15
às 4h30, na ARTE, Une nuit à Florence - Trésors de la Renaissance (55’) **
às 5h25, na TV5, #Versionfrançaise - Jean-Baptiste Viot/Le chef Michel Rostang/Prune et ses jupes (magazine; 28’) *
às 10h00, na Médiathèque de l'Institut Français du Portugal, Samedi Piano, com Kinga Somogyi (0€)
das 10h às 18h, no Jardim da Estrela, Crafts & Design (Mercado de Design e Artesanato Contemporâneo) edição: " Magic Christmas" (0€)
às 14h00 (repete às 14h30 e 15h00), no Centro Ismaili (Avenida Lusíada, 1), visita guiada (0€; inscrições 21 722 90 41 ou nationalcouncil@cism.com.pt)
às 14h59, na TV5, Tendance XXI - LVMH/Le rubanier Julien Faure/Armagnac Marquis de Montesquiou (magazine; 28’) *
às 15h00, no Museu Nacional de Arqueologia, a visita guiada Da Mitologia e da Astronomia II, por Ana Lóio (0€; inscrições: mbarata@mnarqueologia.dgpc.pt)
às 16h00 (repete às 21h30), no Centro Ismaili (Avenida Lusíada, 1), música do Al-Andalus, com Begoña Olavide (canto e saltério medieval) e Javier Bergia (canto, guitarra, darbuka e cântaro) (0€; senhas no local: dia 14, das 16h às 19h; dia 15 das 14h às 21h)
às 16h00, na RTP2, Liga de Basquetebol; FC Porto x Vitória
às 17h00, na Sé Patriarcal de Lisboa, Concerto Natal, com Coro da Universidade Nova de Lisboa
às 18h00, no Convento dos Remédios, Évora, concerto do ciclo Música no Inverno: recital de violoncelo e piano, com Bruno Borralhinho (violoncelo) e Christoph Berner (piano)
às 19h50, na ARTE, Monuments sacrés – Mosquées: Art et espace (90’) **
às 21h00, no Auditório Senhora da Boa Nova, Galiza – Estoril, Concerto de Inverno 2018 (J. Braga Santos, G. Fauré e I. Stravinsky), com a Orquestra Sinfónica de Cascais, dirigida por Nikolay Lalov (15€)
às 21h30, na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Silveira, Concerto de Natal e Reis, pela Camerata Vocal de Torres Vedras
às 22h35, na Mezzo, Count Basie - Jazz Archive (51’)
Domingo, dia 16
às 5h00, na ARTE, La magie des grands musées - Le musée d'Histoire de l'art, Vienne (53’)
das 10h às 18h, no Jardim da Estrela, Crafts & Design (Mercado de Design e Artesanato Contemporâneo) edição: " Magic Christmas" (0€)
às 10h10, na TSF, Encontros com o Património: O Património de Cister
às 10h20, na ARTE, Metropolis - Pristina / Ebony Bones / Eddie Izzard (43’)**
às 10h30, no Museu Nacional de Arte Antiga, Festa de Natal no MNAA: visita orientada, Presépio Português - do Convento da Carnota aos Marqueses de Belas (0€)
às 11h30, no Museu Nacional de Arte Antiga, Festa de Natal no MNAA: visita orientada, A Nova Galeria de Têxteis (0€)
às 14h35, na ARTE, Picasso, l'inventaire d'une vie (111’)
às 14h56, na TV5, #Versionfrançaise (magazine; 28’) *
às 15h00, no Museu Nacional de Arte Antiga, Festa de Natal no MNAA: visita orientada, Presépio Português - do Convento da Carnota aos Marqueses de Belas (0€)
às 15h00, no Museu Nacional do Azulejo, Festa de Natal no MNAz: visita, Presépio da Madre de Deus (0€; inscrição até 16h do dia 14)
às 15h04, na TV5, #Versionfrançaise - Jean-Baptiste Viot/Le chef Michel Rostang/Prune et ses jupes (magazine; 28’) *
às 15h15, no Museu Nacional do Azulejo, Festa de Natal no MNAz: visita orientada ao Museu e Convento da Madre de Deus (0€; inscrição até 16h do dia 14)
às 15h30, no Museu Nacional de Arte Antiga, Festa de Natal no MNAA: visita orientada à exposição temporária, Terra Adentro - A Espanha de Joaquín Sorolla (3€)
às 16h00, numa sala de cinema UCI no El Corte Inglês e no Arrábida Shopping, transmissão via satélite, em diferido, do bailado Don Quixote, produção do Bolshoi (13,70€)
às 16h00, no Museu Nacional de Arte Antiga, Festa de Natal no MNAA: visita orientada, O Presépio dos Marqueses de Belas (0€)
às 16h00, no Palácio dos Aciprestes, Linda-a-Velha, Homenagem a Bach (J.S. Bach), com Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras: Lilia Donkova (violino), Santiago Medina Gutiérrez (viola) e Viktoria Chichkova (violoncelo) (0€)
às 16h06, na TV5, 300 Millions de Critiques (magazine; 55’) *
às 16h25, na ARTE, La magie des grands musées - Le Rijksmuseum d'Amsterdam (53’)
às 16h30, no Museu Nacional do Azulejo, Festa de Natal no MNAz: Concerto de Natal,  com o Coro de Santo Amaro de Oeiras e Orquestra Sinfónica da PSP
às 16h30, na Igreja da Graça, Torres Vedras, Concerto de Natal e Reis, pela Camerata Vocal de Torres Vedras
às 17h00, na Igreja de Santa Maria de Belém – Mosteiro dos Jerónimos, Concerto Natal, com Coro da Universidade Nova de Lisboa
às 17h00, no Centro Cultural de Cascais, concerto (Antonin Dvorák), pelo Moscow Piano Quartet (5€)
às 18h00, no Convento dos Remédios, Évora, Concerto de Natal, com Coro Polifónico “Eborae Mvsica”, Rodrigo Gomes (piano), Jorge Vinhas (violino), dirigidos por Eduardo Martins
às 23h15, na RTP2, Afinidades: Maria João Seixas entrevista Jorge Bacelar (40’)
às 24h05, na ARTE, Sur la route de Jérusalem avec Jordi Savall - La ville des deux paix (75’)
às 27h20, na ARTE, Les petits secrets des grands tableaux: Femmes d'Alger dans leur appartement, Eugène Delacroix, 1834 (28’) **
Segunda-feira, dia 17
às 12h09, na TV5, Itineris - Venise ( 13’) *
às 14h40, na TV5, #Chic en Versionfrançaise (magazine; 14’) *
às 18h00, no Auditório 3 da Gulbenkian, conversa Escritores de Eça de Queirós – Ficções da ficção, com Mário de Carvalho, Miguel Real e José Eduardo Agualusa (0€)
às 23h00, na TSF, Encontros com o Património: O Património de Cister
às 23h10, na RTP2, Visita Guiada - Miranda do Douro
às 23h35, na RTP2, As Asas do Desejo, de Wim Wenders
às 24h07, na Antena 1, Crónicas da Idade Mídia, com Ruben de Carvalho
às 27h10, na ARTE, Les petits secrets des grands tableaux: La vie mélangée, Vassily Kandinsky, 1907 (28’) **
Terça-feira, dia 18
às 13h00, na RTP2, Visita Guiada - Palácio de Queluz
às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo Museus — Arte, Cultura e Sociedade: Museus do futuro — os museus digitais e interactivos, por Alexandre Matos (0€)
às 17h00, na Biblioteca Nacional de Portugal, Veneza e os Limites da Moralidade (Claudio Monteverdi, Orlando di Lasso, Alessandro Stradella e Cipriano de Rore), com Os Músicos do Tejo (0€)
às 18h00, numa sala de cinema UCI no El Corte Inglês e no Arrábida Shopping, transmissão da ópera L’italiana in Algeri, de Gioachino Rossini, produção do Gran Teatre del Liceu (13,70€)
às 18h30, na Gulbenkian, recital de piano (Vianna da Motta), por João Costa Ferreira na apresentação de livro José Vianna da Motta correspondência com Margarethe Lemke (1885-1908) (0€)
Quarta-feira, dia 19
às 16h00, na Mezzo, Autour de Nina (Simone) – à Jazz à la Villette (86’)
às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo Museus — Arte, Cultura e Sociedade: Museus e a problemática da conservação e restauro das colecções, por Maria de Lurdes Esteves (0€)
às 19h00, na Sala de Âmbito Cultural de Lisboa (Piso 6) do El Corte Inglés, conferência: Natal - o paraíso perdido, por António Valdemar (0€, inscrição: Ponto de Informação, Piso 0, ou relacoespublicas@elcorteingles.pt)
às 19h00, na Basílica dos Mártires, Concerto de Natal, com Francisca Gomes Ferreira (flauta), Estêvão Gomes Ferreira (violoncelo), Coro Cantus Certus (Coro do Tribunal de Contas), dirigidos por Luís Almeida (0€)
às 19h59, na TV5, Des racines & des ailes: Le goût de l'Aude et du Pays catalan (115’) *
às 21h30, na Academia das Ciências, Concerto de Natal, com o Coro Regina Coeli (0€)
às 22h10, na ARTE, Le vieux qui ne voulait pas fêter son anniversaire (o livro que inspira o filme é uma delícia;108’) **
às 22h30, no Hot Club, Silent Words, com Afonso Pais (guitarra) e João Paulo Esteves da Silva (piano) (7,5 €?)
às 24h07, na Antena 1, Radicais Livres, com Ruben de Carvalho e J. N. Pinto
às 24h20, na Mezzo, Count Basie - Jazz Archive (51’)
Quinta-feira, dia 20
às 15h30, na Cinemateca, The Misfits (Os Inadaptados), de John Huston
às 18h30, na Sociedade Portuguesa de Autores, Páginas Francesas (M. Emmanuel, F. Poulenc e F. Schmitt), com os solistas da Metropolitana: Nuno Inácio (flauta), Nuno Silva (clarinete) e Anna Tomasik (piano) (0€)
às 19h00, na Sala de Âmbito Cultural de Lisboa (Piso 6) do El Corte Inglés, Concerto de Natal, com Quarteto de Metais de Jovens Solistas da Metropolitana (0€, inscrição: Ponto de Informação, Piso 0, ou relacoespublicas@elcorteingles.pt)
às 21h30, no Auditório Recreios da Amadora, Concerto de Natal (G. Tartini, G. Fr. Händel e C. Saint-Säens), com Sofia Bagulho (soprano), Carolina Figueiredo (mezzo-soprano), Marta Queiroz (alto), Bruno Almeida (tenor), André Henriques (barítono), Coro do Conservatório de Música de Cascais e Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, dirigida por Nikolay Lalov (5€)
às 23h43, na TV5, 300 Millions de Critiques (magazine; 55’) *
às 25h50, na Mezzo, Autour de Nina (Simone) – à Jazz à la Villette (86’)
Dia 21, às 13h00, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, A Arte do Trio de Cordas (J. Sibelius, K. Penderecki, F. Schubert e P. Hindemith), com os solistas da Metropolitana: José Pereira (violino), Joana Tavares (viola) e Catarina Gonçalves (violoncelo)  (0€)
Dia 21, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, Páginas Francesas (Francis Poulenc, Maurice Emmanuel e Florent Schmitt), com os solistas da Metropolitana: Nuno Inácio (flauta), Nuno Silva (clarinete) e Anna Tomasik (piano) (0€)
Dia 21, às 19h00, na Mezzo e Mezzo live HD, transmissão em directo de la Monnaie , Bruxelas, Don Pasquale, de Donizetti - Alain Altinoglu (maestro), Laurent Pelly (encenação), Michele Pertusi (Don Pasquale), Danielle de Niese (Norina), Joel Prieto (Ernesto), Lionel Lhote (Dottor Malatesta)
Dia 21, às 22h30, no Hot Club, Elas e o Jazz, com Marta Hugon (voz), Joana Machado (voz), Mariana Norton (voz), João Pedro Coelho (piano), Romeu Tristão (contrabaixo), André Sousa Machado (bateria) (7,5 €?)
Dia 22, às 16h00, no Museu Nacional de Arte Antiga, A Arte do Trio de Cordas (J. Sibelius, K. Penderecki, F. Schubert e P. Hindemith), com os solistas da Metropolitana: José Pereira (violino), Joana Tavares (viola) e Catarina Gonçalves (violoncelo)  (0€)
Dia 22, às 16h00, na Igreja Paroquial de Paço de Arcos, Concerto de Natal (T. Albinoni, G. Tartini e C. Saint-Säens), com Sofia Bagulho (soprano), Carolina Figueiredo (mezzo-soprano), Marta Queiroz (alto), Bruno Almeida (tenor), André Henriques (barítono), Sergio Pérez (trompete), Coro do Conservatório de Música de Cascais e Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, dirigida por Nikolay Lalov (0€)
Dia 22, às 21h30, na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes (Passeio do Levante, Parque das Nações), ciclo Natal em Lisboa: concerto pelo Coro Gospel Collective (0 €)
Dia 22, às 22h30, no Hot Club, Elas e o Jazz, com Marta Hugon (voz), Joana Machado (voz), Mariana Norton (voz), João Pedro Coelho (piano), Romeu Tristão (contrabaixo), André Sousa Machado (bateria) (7,5 €?)
Dia 23, às 16h00, no Museu do Oriente, Páginas Francesas (Francis Poulenc, Maurice Emmanuel e Florent Schmitt), com os solistas da Metropolitana: Nuno Inácio (flauta), Nuno Silva (clarinete) e Anna Tomasik (piano) (0€)
Dia 23, às 15h00, numa sala de cinema UCI no El Corte Inglês e no Arrábida Shopping, transmissão via satélite, do bailado O Quebra Nozes, produção do Bolshoi (13,70€)
Dia 23, às 16h00, no Auditório Senhora da Boa Nova, Galiza – Estoril,, Concerto de Natal (T. Albinoni, G. Tartini e C. Saint-Säens), com Sofia Bagulho (soprano), Carolina Figueiredo (mezzo-soprano), Marta Queiroz (alto), Bruno Almeida (tenor), André Henriques (barítono), Sergio Pérez (trompete), Coro do Conservatório de Música de Cascais e Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, dirigida por Nikolay Lalov (6€)
Dia 27, às 13h25, na Casa-Museu Medeiros e Almeida, A Pausa do Mês: Escritório Dominicanos (0€)
Dia 27, às 18h00, no Palácio Foz, recital de piano (E. Grieg, C. Debussy e Enrique Granados), por Anne Kaasa (0€)
Dia 28, às 16h00, no Auditório do CCB, Ciclo Belém Cinema >Grande Auditório, Grande Écran, Grandes Clássicos: Fantasia, de W. Disney (7€)
Dia 29, às 16h00, no Auditório do CCB, transmissão em diferido do bailado La Bayadère, dançado pelo Royal Ballet (12€)

Esta informação está disponível, e é actualizada, no blog http://azweblog.blogspot.com e no facebook ( https://www.facebook.com/pages/Sugestôes/582224458542163 )
Bom fim de semana!


* Depois da emissão talvez fique disponível em http://www.tv5mondeplus.com/toutes-les-videos , mas um dos operadores de cabo já disponibiliza a gravação automática de sete dias deste canal
** Depois da emissão talvez fique disponível em http://www.arte.tv/guide/fr/plus7/?country=PT

6/17/2014

Forma e Substância

          Creio que mesmo se Antero de Quental tivesse vivido um século mais tarde, ele não iria em futebóis. Para o malogrado escritor e pensador, possivelmente o actual Campeonato do Mundo que se está a realizar no Brasil passaria praticamente ao lado. No entanto, o que há dias sucedeu no Espanha-Holanda e hoje ocorreu no Portugal-Alemanha não pôde deixar de me fazer lembrar as teses de Antero expostas na sua famosa comunicação sobre as Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. É que a Espanha, aureolada com o pesado título de campeã do mundo, se viu destroçada por uma Holanda voluntariosa e combativa que logrou o espantoso resultado de 5-1. No jogo que Portugal disputou há horas com a Alemanha, o que aconteceu não foi tão diferente assim. O resultado final de 4-0 não tem discussão.

          E assim os dois povos peninsulares foram copiosamente batidos por dois países do Norte da Europa. Na sua famosa comunicação sobre o atraso peninsular, Antero referia-se, como todos sabemos, à Contra-Reforma, que comparou desfavoravelmente com a Reforma Protestante, à Monarquia Absoluta castradora de liberdade e de espírito de iniciativa, e ao sistema económico que derivou dos Descobrimentos e respectivas colónias (há bens que vêm por mal). 

          Pergunta-se: e o que é que isto tem a ver com o futebol? Nada, pelo menos aparentemente. Mas há um ponto, que creio ter sido também intuído por Antero, que é a diferença entre o primado da forma e o primado da substância. Geralmente, os países do Sul continuam a defender muito o primado da forma, o que os faz falarem e escreverem muito – e no futebol gesticular e discutir as decisões dos árbitros -, prestando menos do que a atenção devida à substância. No jogo de Portugal, conforme transmitido e relatado pela RTP1, foi notória a constante intervenção do locutor sobre um programa do canal que ninguém deveria perder, onde a posteriori se discutiria tudo sobre o jogo, com as melhores declarações, entrevistas e comentários. Bla, bla, bla, bla. O que é isto senão a forma? Entretanto, usando a mesma atitude de apreço primordial pela substância, os alemães iam impiedosamente caminhando para a nossa baliza, coleccionando golos. Originalmente, “goal”, de onde deriva a palavra portuguesa “golo”, significa “objectivo”, e esta é a substância da questão.

          Como português e também como cidadão ibérico custou-me muito ver os dois países da Ibéria serem estrondosamente derrotados por dois países do Norte europeu, mas sou forçado a reconhecer que a superioridade dessas duas equipas foi inegável. Todos sabemos que no futebol podem existir grandes surpresas, mas nos dois encontros em apreço foi menos o milagre e mais a realidade que se impôs. 

5/16/2014

Fugir do Paraíso?


            No final da década de ’60 e no início dos anos ’70 do século passado, houve uma enorme vaga de emigração portuguesa para a Europa. Para o Brasil já tinha sido comum. Para os Estados Unidos e Canadá era algo mais recente. Mas para a Europa e com tal força aquela onda emigratória era inédita. Os anos ’60 e início dos ’70 coincidiram com a Guerra Colonial, mas esta esteve longe de ser a grande força motriz por trás da debandada de portugueses para França, Alemanha, Luxemburgo e outros países da Europa. Os baixos salários que os trabalhadores auferiam em Portugal quando comparados com os que eram pagos no estrangeiro falaram mais alto e levaram muitos e bons braços da terra portuguesa para fora da pátria.
            Curiosamente, essa foi também a altura em que o Portugal turístico, que era então em imagens publicitárias “o segredo mais bem guardado da Europa” atingiu (em 1964) o seu primeiro milhão de visitantes estrangeiros, número largamente superado anos depois.
            De entre os locais descobertos para o turismo sobressaía, como alguns se lembrarão, o nosso Algarve. O Algarve era publicitado como um paraíso de sol e de tranquilidade para visitantes endinheirados. Porém, mesmo do Algarve saíam centenas de emigrantes para os países europeus. Este facto levou a certa altura o Bispo do Algarve a comentar ironicamente que podia imaginar o gosto de alguém em largar o Inferno, mas que lhe era extremamente difícil entender que alguém estivesse interessado em abandonar o Paraíso. Tinha a sua lógica o comentário do Bispo.
            Embora a História, como se sabe, não se repita, é um facto que ela muitas vezes rima. Presentemente, os arautos do Governo português proclamam que a sua governação tem sido um sucesso; que a economia está a dar a volta e a recuperação já começou; que as exportações têm aumentado substancialmente; que, ao contrário do que muita gente esperava, o Governo se decidiu por uma “saída limpa”, calando assim as calhandras que só falavam de desastres. Voltámos à narrativa do Paraíso português!
            Ora, parece que de maneira algo semelhante àquela que levou tantos trabalhadores algarvios a emigrarem do seu Paraíso nas décadas atrás mencionadas, também agora é do Paraíso português propalado pelo actual Governo que duas conceituadas instituições financeiras decidem cessar a sua actividade em Portugal, i.e. abandonar o Paraíso. As duas instituições são sobejamente conhecidas. Uma delas é o Banco Barclays, a outra o BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria). O primeiro está em Portugal há pelo menos 40 anos; o segundo está entre nós há um número inferior de anos: apenas há 23. Segundo o jornal espanhol El País, a operação portuguesa não oferece a rentabilidade esperada. É talvez um pouco mais do que isso, diga-se: nos últimos três anos de actividade em Portugal, o BBVA registou perdas que chegaram aos 133 milhões de euros. Para paraíso não está mal.
            Será que tanto os trabalhadores algarvios de há décadas como os bancos internacionais aqui referidos são insensíveis aos encantos do Paraíso?

5/06/2014

"A gente" e "as pessoas" serão uma e a mesma coisa?


O dicionário de língua portuguesa que geralmente uso diz-me, entre outras acepções do termo, que “gente” é um conjunto de pessoas, o género humano, a humanidade, o povo. É de facto esta a noção que a maioria de nós tem relativamente à palavra. Logo, pode parecer à primeira vista que “as pessoas” e “a gente” são a mesmíssima coisa. Talvez não seja bem assim.  

Na utilização linguística que vemos e ouvimos todos os dias, “a gente” surge-nos geralmente em expressões positivas, desculpantes ou vitimizadoras para quem fala. Há, portanto, uma tendência para nos incluirmos no “a gente” a que nos referimos. Exemplificando:

“Se a gente não é informada da razão do atraso na partida do avião, como é que podemos saber o que se passa?”
“Se não houver saída por esta rua, a gente vai lá por trás, por umas travessas, e sai na mesma.”
“O Governo precisa de dinheiro e a gente é que paga.”
“A gente” é geralmente sinónimo de “uma pessoa”, expressão que é também positiva e na qual igualmente tendemos a incluir-nos.
“Como é que uma pessoa pode decorar isto tudo – duzentas páginas - para um exame?”
“E depois querem que uma pessoa não proteste!”
“Como é que querem que uma pessoa possua sentido crítico, se na escola não nos ensinam a pensar criticamente, a pôr as coisas em dúvida?”

            Pelo contrário, quando utilizamos – e fazemo-lo com grande frequência – a expressão “as pessoas”, colocamo-nos geralmente de fora e tendemos a expressar uma crítica, na qual nos incluímos apenas como bom elemento observador e não como alvo da opinião geralmente negativa que é expressa. Exemplificando:
          
                “As pessoas estão a ficar cada vez mais porcas. Agora nem põem o lixo nos contentores.”
            “As pessoas estão todas a monte aqui à frente no autocarro, quando há tantos lugares vagos lá atrás!”
            “As pessoas agora não sabem nada de História ou de Geografia de Portugal. No meu tempo sabíamos tudo de cor e salteado.”
            “As pessoas agora não querem trabalhar. Preferem receber subsídio de desemprego.”
          
           Como no nosso país criticar há muito que se transformou numa instituição nacional, quando ouvimos alguém usar “as pessoas” como sujeito de uma oração sabemos antecipadamente que vamos ter algo reprovativo. Em princípio não ofende ninguém em particular ou, visto de outro ângulo, atinge toda a gente, com clara e óbvia excepção de quem formula a censura, que se arvora em professor ou professora do povo: se pudesse, endireitaria este mundo e o outro. Infelizmente, não pode. À guisa de compensação, invectiva tudo e todos.
            
          
Se prestarmos atenção, encontraremos este quadro em muitos lados e em variadíssimas ocasiões. E se a nossa atenção for implacável, talvez nos encontremos também nós próprios a pintar esse quadro de “as pessoas”.

4/20/2014

AGUENTAR OU NÃO, EIS A QUESTÃO


          Num dos pelotões militares que, como oficial miliciano, me atribuíram para a obrigatória recruta, encontrei um soldado que era na altura campeão nacional de 5 000 metros. Nas boas instalações que tínhamos no quartel, ele treinava diariamente ao ar livre a sua corrida, de uma maneira que para mim constituiu alguma novidade: corria 100 metros para um lado, descansava uns segundos, corria 100 metros em sentido contrário, e ali estava um ror de tempo exercitando-se sem cansaço aparente. Eu tinha na altura uma razoável preparação física e, falando com ele, admiti que não aguentaria treinar durante tanto tempo. “É preciso praticar”, dizia-me ele. “Depois aguenta-se melhor.” Era o clássico conceito de Practice makes perfect aplicado à corrida. “Mas há uns que aguentam melhor e outros que não aguentam mesmo”, contestei eu. O soldado, que corria por um dos grandes clubes do país, admitiu naturalmente que isso também era verdade e confessou-me, a meu pedido, onde é que arranjara aquela resistência toda: “Fiz muito contrabando lá na minha terra. Tinha que percorrer grandes distâncias.”

          De facto, a prática é muito importante, mas só testando as pessoas se vê se elas aguentam ou não um determinado esforço. Mudando de agulha neste discurso, quero lembrar que o Governo do nosso país nos tem aplicado doses maciças de impostos e de cortes nos rendimentos que vêm testando a nossa capacidade de suportar esses esforços. 

        Aumentou a pobreza no país, o desemprego tornou-se uma praga, foi reduzida a assistência na doença mas, melhor ou pior, o povo tem na generalidade aguentado o sacrifício. Tem crescido o número de suicídios e divórcios, tem diminuído o número de crianças nascidas, morre-se em Portugal mais do que se nasce. Mas há ainda muita gente que vem aguentando, gente que parece ser em número demasiado elevado na óptica do Governo. O ideal era que desaparecessem mais pessoas, através de morte natural ou auto-infligida, ou através da emigração para outras paragens.

          Todavia, o Governo, que se preocupa primordialmente com as contas públicas e tem os seus alvos fiscais preferidos, já pode dizer agora, após três anos de experiências agravadamente repetidas, que os esforços apodados de temporários vão passar a definitivos. A prática mostrou que há muita gente que os aguenta, pelo que não há argumentos que possam destruir os factos.

          O “aguenta, aguenta!”, que se tornou célebre depois de saído da boca de um conhecido banqueiro português, não consistiu apenas em palavras. Foi todo um processo para verificar as reacções e os respectivos resultados.

          O antigo soldado do meu pelotão tinha razões de sobra para confiar na prática do treino.