5/19/2017

AS SUGESTÕES DO JOÃO MIGUEL

Bolsa de Bilhetes
2 plateias para sábado, dia 20, às 17h00, Gulbenkian, Idomeneo, de Mozart, transmissão diferida da Temporada do MET. Preço de assinatura 18,50€, cada, atribuíveis por ordem de chegada dos pedidos por mail (indicar telemóvel para contacto)
A decorrer
Abertas inscrições para o colóquio Quem faz o quê: processos criativos em azulejo (na sala  5.2 da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 7 de Junho; 0 €; detalhes: https://blogazlab.wordpress.com/)
Dias 20 e 21, das 14h00 às 19h00, entre o Museu das Artes de Sintra e o Terreiro Rainha D. Amélia, Sons da Rua de Sintra, no âmbito do Festival de Música de Sintra (detalhe: http://festivaldesintra.pt/sons-da-rua/ )
Até dia 21, das 12h00 às 20h00 (dia 21 fecha às 18h00), na Cordoaria Nacional, ARCOLISBOA 2017 (15€)
De 20 a 27, Festa no Chiado 2017 ( http://www.cnc.pt/uploads/FNC_2017.pdf )
Sexta-feira, dia 19
às 11h00, no Jardim do Arco do Cego, Livros no Jardim
às 13h00, na RTP2, Design PT – Victor Palla
às 15h30, na Cinemateca, Carmen Jones, de Otto Preminger
às 18h00, na Zona de Congressos da Gulbenkian, ciclo Conheçer uma obra – guia de audição: The Rite of Mountains, de G. Wenjing, por Sérgio Azevedo (0€)
às 18h30, na Cinemateca, Bom Dia Tristeza, de Otto Preminger
às 19h00, na Antena 2, transmissão em directo do concerto da Temporada Gulbenkian: The Rite of Mountains, de Guo Wenjing e Heróica, de L. V Beethoven, com Li Biao (percussão) e Orquestra Gulbenkian, dirigidos por Muhai Tang
às 21h00, no Salão Nobre do IST, recital de piano (Schumann e Chopin), por Jorge Moyano (0€, convites disponíveis na receção do pavilhão central, de 2ªf a 6ªf, entre as 08h30 e as 17h)
às 21h00, no Auditório da Universidade Nova de Lisboa, Campus de Campolide, Quinta Sinfonia de Schubert e Concerto para Piano N.º 5, Op. 73, Imperador, de L. v. Beethoven, com Pedro Silvestre (piano) e a Orquestra Académica Metropolitana, dirigidos por Jean-Marc Burfin (5 €)
Sábado, dia 20
Noite dos Museus (detalhes: http://w3.patrimoniocultural.pt/museus2017/public/ ): Fundação Arpad-Vieira da Silva, aberta até 23h e grátis
às 11h00, no Jardim do Arco do Cego, Livros no Jardim
às 11h00, na Antena 2, A Propósito da Música: Vida e Obra de Bach, por Alexandre Delgado
às 11h45, no Jardim do Palácio Fronteira, passeio temático: Um jardim e os seus azulejos - o Jardim do Palácio Fronteira, por Ana Paula Correia (13€, inscrição até às 12h da véspera: fcfa-cultura@fronteira-alorna.pt ou 217784599)
às 12h00, na Casa-Museu Medeiros e Almeida, Sábados no Museu (visita guiada de 1h) (0€)
às 12h10, na TSF, Encontros com o Património: Terras sem Sombra
às 15h00, na TV5, Tendance XXI (magazine; 28’) *
às 15h00, no Palácio da Mitra de Marvila (Rua do Açúcar, 56-64), visita guiada do ciclo Lugares de Memória de D. Tomás de Almeida, I Patriarca de Lisboa (0€; inscrição prévia: 21324 08 69/66/87)
às 15h30, no Mosteiro das Monjas Dominicanas do Lumiar (Quinta do Frade - à Praça Rainha D. Filipa), ciclo de Conferências do Mosteiro: O desenho visível e invisível da vida, por Maria Emília Leitão (0€)
às 15h30, na Cinemateca, A Mulher Infiel, de Claude Chabrol e A Sereia do Mississipi, de François Truffaut
às 16h30, na Quinta da Piedade, Sintra, 52º Festival de Sintra, recital de piano (F. Liszt), por Gottlieb Wallisch (10€)
às 16h30, no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor, Poesia e Música: A Canção de Bob Dylan, por Pedro Pyrrait. (0€)
às 22h00, no Museu Condes de Castro Guimarães, concerto de piano a 4 mãos (Bach, Piazzola, Mozart, Schubert, Schumann, Grieg, Chopin, Debussy, Fauré, Ravel, Tchaikovsky, Foster, Milhaud, Satie, Scott Joplin e Gershwin), pelo Dueto Preto no Branco: Cristina Aleixo e Nuno Félix (0€)
às 22h00, na Fábrica Braço de Prata, Ensemble de Saxofones da Metropolitana
Domingo, dia 21
às 10h50, na ARTE, Metropolis - Newcastle upon Tyne / Biennale de Venise / Richard Siegal (43’)
às 12h20, na ARTE, Les couleurs du Maroc - Vert (26’)
às 12h50, na ARTE, Les couleurs du Maroc - Rouge (26’)
às 16h00, na Igreja Senhora da Boa Nova, Galiza – Estoril, 100 Anos – Nossa Senhora de Fátima (Fr. Schubert, A. Vivaldi, M. Frisina, W. A. Mozart, W. Boyce, G. Caccini,  O. Gjeilo, W. A. Mozart e G. Fr. Händel), com Inês Simões (soprano) e a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, dirigidos por Nikolay Lalov (0€)
às 16h00, na Antena 2, Musica Aeterna: A vida e a obra de Luigi Boccherini, por João Chambers
às 17h00, na ARTE, Le choix de peindre - Vincent Van Gogh (54’)
às 17h00, no Jardim da Torre de Belém, OUT JAZZ, com 5teto de José Menezes (0€)
às 17h00, no Teatro-Cine, Torres Vedras, Temporada Darcos 2017: Quinta Sinfonia de Schubert e Concerto para Piano N.º 5, Op. 73, Imperador, de L. v. Beethoven, com Pedro Silvestre (piano) e a Orquestra Académica Metropolitana, dirigidos por Jean-Marc Burfin (5 €)
às 18h00, no Centro Cultural de Cascais, ciclo OCCO convida: Viva o Amor, recital de canto e piano (E. Toldra, X. Montsalvatge, A. Ginastera), com Sivan Rotem (soprano) e Paulo Pacheco (piano), solistas da Orquestra Câmara de Cascais Oeiras (3€)
às 19h30, no Palácio Nacional de Sintra, 52º Festival de Sintra, recital (de Joseph Haydn a Anton Webern), com Hugo Wolf Quartet (15€)
às 24h00, na ARTE, Musique classique, enfin populaire ! (documentário; 53')
Segunda-feira, dia 22
às 12h59, na RTP Memória, Bartolomeu Cid dos Santos - Por Terras Devastadas (61’)
às 12h59, na TV5, Des Racines & des Ailes – Terre de Languedoc (110’)
às 14h10, na ARTE, Les couleurs du Maroc - Ocre (26’)
às 14h40, na ARTE, Sur les toits des villes – Buenos Aires (52’)
às 17h00, no Instituto Politécnico de Coimbra, ciclo Música e Ciência: conferência (A Música no Espaço e no Tempo, conferencista Carlos Fiolhais) e concerto (Sinfonia N.º 5 de Franz Schubert, com a Orquestra Académica Metropolitana, dirigida por Miguel Conceição)
às 19h00, no Palácio Foz, Como Antigamente ... (recital de música brasileira), com Márcio Ivens e Raul Camacho (piano) (0€)
às 21h00, no Salão Nobre do IST, recital de piano (Schumann e Chopin), por Jorge Moyano (0€, convites disponíveis na receção do pavilhão central, de 2ªf a 6ªf, entre as 08h30 e as 17h)
às 23h12, na RTP2, Visita Guiada (40’)
às 23h40, na RTP2, O Segredo de um Cuscuz, de Abdellatif Kechiche (147’)
Terça-feira, dia 23
às 12h45, na RTP2, Visita Guiada – Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Lisboa (40’)
às 14h58, na TV5, #versionfrançaise (magazine; 28’)
às 15h30, na Mezzo, A Viúva Alegre, F. Lehár (2015, MET, maestro Andrew Davis, encenação Susan Stroman, elenco: Renée Fleming (Hanna Glawari), Kelli O'Hara (Valencienne), Nathan Gunn (Comte Danilovitch), Alek Shrader (Camille de Rosillon), Thomas Allen (Baron Zeta), Jeff Mattsey (Vicomte Cascada), Alexander Lewis (Raoul de St. Brioche), Carson Elrod (Njegus), Emalie Savoy (Sylviane)), 138’)
às 16h30, no Auditório Municipal Maestro César Batalha, Galerias Alto da Barra, Oeiras, Masterclass da História do Cinema – O Ator: Intriga Internacional, de A, Hitchcok (senhas a partir das 15h30; 0 €)
às 17h00, na Antena 2, A Propósito da Música: Vida e Obra de Bach, por Alexandre Delgado
às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo Tesouros do património arquitetónico de Portugal: Património Arquitetónico Português, por João Carlos dos Santos (0€)
às 17h00, no Auditório da Biblioteca da F. Ciências Tecnologia, Universidade Nova, Caparica, CineClube, ciclo filmes de Animação: O Caminho para El Dorado (0€)
às 18h00, na Fundação Arpad-Vieira da Silva, sessão do Curso de História da Arte Masculino || Feminino: Sofonisba Anguissola e Lavinia Fontana num mundo de homens, por Fernando António Baptista Pereira (10 €)
às 22h00, no Salão Nobre do IST, recital de violino e piano, com Ricardo Rupp Salavessa e Marina Dellalyan (0€, convites disponíveis na receção do pavilhão central, de 2ªf a 6ªf, entre as 08h30m e as 17h)
às 27h00, na Mezzo live HD, Gregory Porter à Jazz Sous Les Pommiers (63’)
Quarta-feira, dia 24
às 15h30, na Cinemateca, O Leque de Lady Windermere, de Otto Preminger
às 16h00, na Sala de Actos de Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, conferência: Rio de Janeiro - azulejos portugueses em nossa terra carioca, por Dora Alcântara (0€)
às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo Tesouros do património arquitetónico de Portugal: A Arquitectura Mendicante dos Séculos XIII e XIV, por Catarina Villamariz (0€)
às 17h30, na Reitoria da Universidade de Lisboa, ciclo de cinema América, América, para onde vais?: A Fúria da Razão, de D. Siegel (0€)
às 18h00, no Auditório 3 da Gulbenkian, conferência: Conviver - Religiões, Conflitos e Paz, por Mario Giro (0€)
às 18h00, no Teatro São Luiz, debate Racismo e Cidadania (Portugal), com Francisco Bethencourt, Joacine Katar Moreira, Jorge Vala, Mamadou Ba e Teresa Beleza (0€)
às 18h30, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, conferência do ciclo Tardes de Matemática: Um Atuário é... um Matemático?, por Gracinda Guerreiro (0€)
às 18h30, no Centro Nacional de Cultura, conferência do ciclo O que Está a Mudar com o Papa Francisco?: Que Igreja estamos a construir?, com António Marujo, Isabel Balbino e José Manuel Pereira de Almeida (0€)
às 19h59, na TV5, Des Racines & des Ailes – La Drôme, entre Vercors et Provence (110’)
às 21h00, no Salão Nobre do IST, recital de piano (Schumann e Chopin) por Jorge Moyano (0€, convites disponíveis na receção do pavilhão central, de 2ªf a 6ªf, entre as 08h30 e as 17h)
às 21h30, na TVI 24, comentário semanal de Ricardo Monteiro (integrado na 21ª Hora, ontem começou às 22h02)
às 21h30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, Livros Proibidos em Portugal – Corpo e Identidades: O Nome da Rosa, de Humberto Eco, com Ricardo Araújo Perreira e Nicolau Santos (moderador) (0 €)
às 22h30, na Mezzo, Gregory Porter à Jazz Sous Les Pommiers (63’)
às 23h00, no RTP2, Sur le Pas de Cézanne
Quinta- feira, dia 25
às 14h00, no ISEL, Área Departamental de Física, palestra: Alguns aspectos Matemáticos na Tapeçaria O Número, por Luís Trabucho (0€)
às 17h30, na Biblioteca de Belém, palestra: As Mulheres nos Museus, com Simonetta Luz Afonso, Catarina Alfaro e Teresa Salles (moderadora)
às 18h30, no Grande Auditório da Gulbenkian, apresentação da Temporada 17/18 (0€)
às 18h30, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, ciclo de cinema As Imagens Reencontradas: Gloria, de J. Cassavetes (0€)
às 19h00, no ISEG, Concerto Aberto Antena 2, (C. Carneyro, L. Freitas Branco, R. Coelho e Caio Facó), com Francisco Moser (violino), Válter Freitas (violoncelo) e Philippe Marques (piano) (0€)
às 19h30, na Mezzo, Attica Blues (90’)
às 21h00, no Teatro São Luiz, Guitarra de Ontem e de Hoje, com Pedro Caldeira Cabral (15€)
às 23h55, na TV5, 300 Millions de Critiques (magazine; 55’)
A seguir:
Dia 26, às 8h35, na Mezzo, Jazz Festival de Cannes 1958: Sidney Bechet, Dizzy Gillespie, Stan Getz... - Jazz Archive (53’)
Dia 26, às 13h00, na RTP2, Design PT – Rafael Bordalo Pinheiro
Dia 26, às 14h40, na ARTE, Sur les toits des villes – Paris (52’)
Dia 26, às 18h00, na Zona de Congressos da Gulbenkian, ciclo Conheçer uma obra – guia de audição: The Dream of Gerontius, de E. Elgar, por Alexandre Delgado (0€)
Dia 26, às 21h30, no Palácio Nacional de Queluz, 52º Festival de Sintra, Richard Galliano Trio (15€)
Dia 26, às 21h30, no Grande Auditório da Gulbenkian, ciclo Solistas da Orquestra Gulbenkian (A. Vivaldi, Pedro Antonio Avondano, Alessandro Marcello e Georg Friedrich Händel) (0 €)
Dia 27, às 15h00, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, passeio: Rota das Simetrias (desde o Jardim Botânico até à Praça do Município; a matemática da rua; a história da Calçada Portuguesa de Lisboa) (3,5€; inscrições: geral@museus.ulisboa.pt ou 213 921 808)
Dia 27, às 15h30, na Capela do Rato, conversa: Ser Igreja no mundo - Histórias de vida, com Adelino Ascenso, Luís Mah e Leonor Xavier (0€)
Dia 27, às 18h00, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, Recordar os Esquecidos (evocação de livros e autores que caíram no esquecimento), com Alice Vieira e João Morgado (0€)
Dia 27, às 21h30, no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, Outra Vida, pelos Sons do Bairro (10€)
Dia 27, às 21h30, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, Ferreira do Alentejo, Festival Terras sem Sombra, Um Espaço Comum: Aspectos da Tradição Lírica em Portugal e Espanha, com Helena Gragera (meio-soprano) e Antón Cardó (piano) (0€)
Dia 28, às 9h30, na Casa das Histórias Paula Rego, partida do autocarro para visita, guiada ao mosteiro da Penha Longa (0 €; inscrição, a partir do dia 22, fmsm@cm-cascais.pt, 214 815 328)
Dia 28, às 11h00, no Teatro Thalia, O Dia Seguinte - Venha Ouvir uma Orquestra por Dentro!: I. Stravinsky - Suíte do bailado Pulcinella, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida por Pedro Neves (7€)
Dia 28, às 11h00, no Museu Gulbenkian/Coleção Moderna, à descoberta das colecções visita orientada Entre a ditadura e a democracia – a arte na segunda metade do século XX, por Hilda Frias  (6€)
Dia 29, às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo Tesouros do património arquitetónico de Portugal: Arquitetura gótica, por Luís Serro (0€)
Dia 29, às 19h00, no Palácio Foz, O Imaginário Popular na Canção Brasileira, com Vanessa Piló (0€)
Dia 30, às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo Tesouros do património arquitetónico de Portugal: Arquitetura no Norte de Portugal nos séculos XVI a XVIII: obras, programas e arquitetos, por Manuel Rocha (0€)
Dia 31, às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo Tesouros do património arquitetónico de Portugal: Arquitetura barroca, por Matilde Sousa Franco (0€)
Dia 31, às 18h00, no Foyer do Grande Auditório da Gulbenkian, ciclo de mesas-redondas Almada Negreiros, uma maneira de ser moderno: Discursos sobre Almada Negreiros, com Osvaldo Manuel Silvestre, Luís Trindade, Mariana Pinto dos Santos (0€)
Dia 2, às 21h00, no Grande Auditório da Gulbenkian, O Stradivarius português (Sergei Taneyev, Nikolai Myaskovsky e Sergei Rachmaninov), com Pavel Gomziakov (violoncelo Stradivarius, do rei D. Luís) e Andrey Korobeinikov (piano) (0€, distribuição, no dia, na bilheteira da FCG a partir das 10h00 )

Esta informação está disponível, e é actualizada, no blog http://azweblog.blogspot.com e no facebook ( https://www.facebook.com/pages/Sugestôes/582224458542163 )
Bom fim de semana!
 JMiguel          

* Depois da emissão fica disponível em http://www.tv5mondeplus.com/toutes-les-videos

** Depois da emissão talvez fique disponível em http://www.arte.tv/guide/fr/plus7/?country=PT 

6/17/2014

Forma e Substância

          Creio que mesmo se Antero de Quental tivesse vivido um século mais tarde, ele não iria em futebóis. Para o malogrado escritor e pensador, possivelmente o actual Campeonato do Mundo que se está a realizar no Brasil passaria praticamente ao lado. No entanto, o que há dias sucedeu no Espanha-Holanda e hoje ocorreu no Portugal-Alemanha não pôde deixar de me fazer lembrar as teses de Antero expostas na sua famosa comunicação sobre as Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. É que a Espanha, aureolada com o pesado título de campeã do mundo, se viu destroçada por uma Holanda voluntariosa e combativa que logrou o espantoso resultado de 5-1. No jogo que Portugal disputou há horas com a Alemanha, o que aconteceu não foi tão diferente assim. O resultado final de 4-0 não tem discussão.

          E assim os dois povos peninsulares foram copiosamente batidos por dois países do Norte da Europa. Na sua famosa comunicação sobre o atraso peninsular, Antero referia-se, como todos sabemos, à Contra-Reforma, que comparou desfavoravelmente com a Reforma Protestante, à Monarquia Absoluta castradora de liberdade e de espírito de iniciativa, e ao sistema económico que derivou dos Descobrimentos e respectivas colónias (há bens que vêm por mal). 

          Pergunta-se: e o que é que isto tem a ver com o futebol? Nada, pelo menos aparentemente. Mas há um ponto, que creio ter sido também intuído por Antero, que é a diferença entre o primado da forma e o primado da substância. Geralmente, os países do Sul continuam a defender muito o primado da forma, o que os faz falarem e escreverem muito – e no futebol gesticular e discutir as decisões dos árbitros -, prestando menos do que a atenção devida à substância. No jogo de Portugal, conforme transmitido e relatado pela RTP1, foi notória a constante intervenção do locutor sobre um programa do canal que ninguém deveria perder, onde a posteriori se discutiria tudo sobre o jogo, com as melhores declarações, entrevistas e comentários. Bla, bla, bla, bla. O que é isto senão a forma? Entretanto, usando a mesma atitude de apreço primordial pela substância, os alemães iam impiedosamente caminhando para a nossa baliza, coleccionando golos. Originalmente, “goal”, de onde deriva a palavra portuguesa “golo”, significa “objectivo”, e esta é a substância da questão.

          Como português e também como cidadão ibérico custou-me muito ver os dois países da Ibéria serem estrondosamente derrotados por dois países do Norte europeu, mas sou forçado a reconhecer que a superioridade dessas duas equipas foi inegável. Todos sabemos que no futebol podem existir grandes surpresas, mas nos dois encontros em apreço foi menos o milagre e mais a realidade que se impôs. 

5/16/2014

Fugir do Paraíso?


            No final da década de ’60 e no início dos anos ’70 do século passado, houve uma enorme vaga de emigração portuguesa para a Europa. Para o Brasil já tinha sido comum. Para os Estados Unidos e Canadá era algo mais recente. Mas para a Europa e com tal força aquela onda emigratória era inédita. Os anos ’60 e início dos ’70 coincidiram com a Guerra Colonial, mas esta esteve longe de ser a grande força motriz por trás da debandada de portugueses para França, Alemanha, Luxemburgo e outros países da Europa. Os baixos salários que os trabalhadores auferiam em Portugal quando comparados com os que eram pagos no estrangeiro falaram mais alto e levaram muitos e bons braços da terra portuguesa para fora da pátria.
            Curiosamente, essa foi também a altura em que o Portugal turístico, que era então em imagens publicitárias “o segredo mais bem guardado da Europa” atingiu (em 1964) o seu primeiro milhão de visitantes estrangeiros, número largamente superado anos depois.
            De entre os locais descobertos para o turismo sobressaía, como alguns se lembrarão, o nosso Algarve. O Algarve era publicitado como um paraíso de sol e de tranquilidade para visitantes endinheirados. Porém, mesmo do Algarve saíam centenas de emigrantes para os países europeus. Este facto levou a certa altura o Bispo do Algarve a comentar ironicamente que podia imaginar o gosto de alguém em largar o Inferno, mas que lhe era extremamente difícil entender que alguém estivesse interessado em abandonar o Paraíso. Tinha a sua lógica o comentário do Bispo.
            Embora a História, como se sabe, não se repita, é um facto que ela muitas vezes rima. Presentemente, os arautos do Governo português proclamam que a sua governação tem sido um sucesso; que a economia está a dar a volta e a recuperação já começou; que as exportações têm aumentado substancialmente; que, ao contrário do que muita gente esperava, o Governo se decidiu por uma “saída limpa”, calando assim as calhandras que só falavam de desastres. Voltámos à narrativa do Paraíso português!
            Ora, parece que de maneira algo semelhante àquela que levou tantos trabalhadores algarvios a emigrarem do seu Paraíso nas décadas atrás mencionadas, também agora é do Paraíso português propalado pelo actual Governo que duas conceituadas instituições financeiras decidem cessar a sua actividade em Portugal, i.e. abandonar o Paraíso. As duas instituições são sobejamente conhecidas. Uma delas é o Banco Barclays, a outra o BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria). O primeiro está em Portugal há pelo menos 40 anos; o segundo está entre nós há um número inferior de anos: apenas há 23. Segundo o jornal espanhol El País, a operação portuguesa não oferece a rentabilidade esperada. É talvez um pouco mais do que isso, diga-se: nos últimos três anos de actividade em Portugal, o BBVA registou perdas que chegaram aos 133 milhões de euros. Para paraíso não está mal.
            Será que tanto os trabalhadores algarvios de há décadas como os bancos internacionais aqui referidos são insensíveis aos encantos do Paraíso?

5/06/2014

"A gente" e "as pessoas" serão uma e a mesma coisa?


O dicionário de língua portuguesa que geralmente uso diz-me, entre outras acepções do termo, que “gente” é um conjunto de pessoas, o género humano, a humanidade, o povo. É de facto esta a noção que a maioria de nós tem relativamente à palavra. Logo, pode parecer à primeira vista que “as pessoas” e “a gente” são a mesmíssima coisa. Talvez não seja bem assim.  

Na utilização linguística que vemos e ouvimos todos os dias, “a gente” surge-nos geralmente em expressões positivas, desculpantes ou vitimizadoras para quem fala. Há, portanto, uma tendência para nos incluirmos no “a gente” a que nos referimos. Exemplificando:

“Se a gente não é informada da razão do atraso na partida do avião, como é que podemos saber o que se passa?”
“Se não houver saída por esta rua, a gente vai lá por trás, por umas travessas, e sai na mesma.”
“O Governo precisa de dinheiro e a gente é que paga.”
“A gente” é geralmente sinónimo de “uma pessoa”, expressão que é também positiva e na qual igualmente tendemos a incluir-nos.
“Como é que uma pessoa pode decorar isto tudo – duzentas páginas - para um exame?”
“E depois querem que uma pessoa não proteste!”
“Como é que querem que uma pessoa possua sentido crítico, se na escola não nos ensinam a pensar criticamente, a pôr as coisas em dúvida?”

            Pelo contrário, quando utilizamos – e fazemo-lo com grande frequência – a expressão “as pessoas”, colocamo-nos geralmente de fora e tendemos a expressar uma crítica, na qual nos incluímos apenas como bom elemento observador e não como alvo da opinião geralmente negativa que é expressa. Exemplificando:
          
                “As pessoas estão a ficar cada vez mais porcas. Agora nem põem o lixo nos contentores.”
            “As pessoas estão todas a monte aqui à frente no autocarro, quando há tantos lugares vagos lá atrás!”
            “As pessoas agora não sabem nada de História ou de Geografia de Portugal. No meu tempo sabíamos tudo de cor e salteado.”
            “As pessoas agora não querem trabalhar. Preferem receber subsídio de desemprego.”
          
           Como no nosso país criticar há muito que se transformou numa instituição nacional, quando ouvimos alguém usar “as pessoas” como sujeito de uma oração sabemos antecipadamente que vamos ter algo reprovativo. Em princípio não ofende ninguém em particular ou, visto de outro ângulo, atinge toda a gente, com clara e óbvia excepção de quem formula a censura, que se arvora em professor ou professora do povo: se pudesse, endireitaria este mundo e o outro. Infelizmente, não pode. À guisa de compensação, invectiva tudo e todos.
            
          
Se prestarmos atenção, encontraremos este quadro em muitos lados e em variadíssimas ocasiões. E se a nossa atenção for implacável, talvez nos encontremos também nós próprios a pintar esse quadro de “as pessoas”.

4/20/2014

AGUENTAR OU NÃO, EIS A QUESTÃO


          Num dos pelotões militares que, como oficial miliciano, me atribuíram para a obrigatória recruta, encontrei um soldado que era na altura campeão nacional de 5 000 metros. Nas boas instalações que tínhamos no quartel, ele treinava diariamente ao ar livre a sua corrida, de uma maneira que para mim constituiu alguma novidade: corria 100 metros para um lado, descansava uns segundos, corria 100 metros em sentido contrário, e ali estava um ror de tempo exercitando-se sem cansaço aparente. Eu tinha na altura uma razoável preparação física e, falando com ele, admiti que não aguentaria treinar durante tanto tempo. “É preciso praticar”, dizia-me ele. “Depois aguenta-se melhor.” Era o clássico conceito de Practice makes perfect aplicado à corrida. “Mas há uns que aguentam melhor e outros que não aguentam mesmo”, contestei eu. O soldado, que corria por um dos grandes clubes do país, admitiu naturalmente que isso também era verdade e confessou-me, a meu pedido, onde é que arranjara aquela resistência toda: “Fiz muito contrabando lá na minha terra. Tinha que percorrer grandes distâncias.”

          De facto, a prática é muito importante, mas só testando as pessoas se vê se elas aguentam ou não um determinado esforço. Mudando de agulha neste discurso, quero lembrar que o Governo do nosso país nos tem aplicado doses maciças de impostos e de cortes nos rendimentos que vêm testando a nossa capacidade de suportar esses esforços. 

        Aumentou a pobreza no país, o desemprego tornou-se uma praga, foi reduzida a assistência na doença mas, melhor ou pior, o povo tem na generalidade aguentado o sacrifício. Tem crescido o número de suicídios e divórcios, tem diminuído o número de crianças nascidas, morre-se em Portugal mais do que se nasce. Mas há ainda muita gente que vem aguentando, gente que parece ser em número demasiado elevado na óptica do Governo. O ideal era que desaparecessem mais pessoas, através de morte natural ou auto-infligida, ou através da emigração para outras paragens.

          Todavia, o Governo, que se preocupa primordialmente com as contas públicas e tem os seus alvos fiscais preferidos, já pode dizer agora, após três anos de experiências agravadamente repetidas, que os esforços apodados de temporários vão passar a definitivos. A prática mostrou que há muita gente que os aguenta, pelo que não há argumentos que possam destruir os factos.

          O “aguenta, aguenta!”, que se tornou célebre depois de saído da boca de um conhecido banqueiro português, não consistiu apenas em palavras. Foi todo um processo para verificar as reacções e os respectivos resultados.

          O antigo soldado do meu pelotão tinha razões de sobra para confiar na prática do treino.