12/31/2003

GRATEFUL UNDER PRESSURE

Votos de saúde e CORAGEM - «grace under pressure» segundo Hemingway - num 2004 que tantas privações (e condenações...) promete!
Grata ao Peter Pan pelas simpáticas palavras de estímulo, decerto induzidas pela aura generosa de alguma fada Sininho...

12/27/2003

PortugalSA (2)

Foi o biógrafo contratado para o lançar na campanha presidencial que mo revelou: aquela mania dos casinos que ele tem não é de agora. Já lhe vem desde a infância. Um dia, quando fez cinco anos, uma bem intencionada tia ofereceu-lhe um porquinho-mealheiro. “Para as tuas economias. Dinheiro a dinheiro enche o porco o celeiro!” O sobrinho entendeu a mensagem mais do que bem. Rapidamente pensou: “Se eu tiver também um porquinho destes tanto em casa da minha tia como dos meus outros tios, então sim, a coisa vale a pena!” E passou do pensamento à acção. Os pais acharam graça à ideia, a titi adorou a sugestão do sobrinhito e lá lhe compraram mais uns tantos porquinhos que se iam enchendo nas casas de familiares à medida que uma moeda hoje, outra amanhã, por vezes uma nota, iam sendo introduzidas na ranhura.

Já crescido e sem idade para ter mealheiros em forma de porquinhos, licenciado em Direito e político consagrado, alargou naturalmente as suas ambições e candidatou-se à presidência da Câmara de uma estância de veraneio possuidora de um casino bastante popular. Teve, logicamente, sucesso. A queda vinha-lhe da infância. Anos depois, sonhou mais alto e, de novo com a ideia do casino em mente, candidatou-se à capital, cidade onde coincidentemente o capital mais abunda. E ganhou. Apoiando-se em personalidades mediáticas, prometeu mundos e fundos. Das suas promessas destacava-se a construção de um casino. Gerou-se alguma polémica. Calou as pessoas através da contratação de um arquitecto estrangeiro de renome. O preço pedido calou-o a ele. Foi aí que lhe ocorreu que, melhor do que o conceito de “casino-na cidade” seria o de “cidade-casino”. Se uma parte significativa da população, ao jeito do jogo do monopólio e das slot-machines, tivesse que deitar uma moeda para parcar em qualquer rua ou passar em zonas históricas da cidade, o tlim-tlim das moedas seria muito mais contínuo e rentável do que os velhos porquinhos das abençoadas tias.

“Moeda-no-slot é algo que me dá sorte” transformou-se na sua inconfessada divisa. Sempre para engrandecimento da cidade, claro. E é assim que vamos ter a revisão do sistema de parqueamento nas ruas, que “está longe de atingir os proveitos possíveis”. Vamos ver aumentadas as taxas nos locais mais críticos. E, como ele diz, “para descongestionar a zona vamos fazer com que toda e qualquer latinha que passe pela Baixa lisboeta tilinte.”

Não é impunemente que se obtém o nome de Sant’Anna Slotes.

12/23/2003

Bom Natal!

Porque no Natal reavivamos recordações da infância, aqui deixo os meus desejos de que todos tenham um bom natal, partilhando convosco esta Carta ao Menino Jesus, e esperando, do fundo do coração, que o 2004 seja, como pede o autor do poema, um ano de mais compaixão e bom-senso para todos os Homens, e sobretudo para os quem têm responsabilidades na marcha deste conflituoso mundo.



Meu Querido Menino Jesus:

Creio não me levarás a mal
se durante todo o ano eu Te esqueço
e só escrevo p’lo Natal
para Te pedir umas prendas
que se calhar não mereço.
Mas não quero que Te ofendas.

Hoje, Jesus, tenho a pedir-Te muito mais
do que fazia noutros remotos natais.
Ainda que possa parecer futilidade,
peço-Te que dês muito bom-senso
e um pouco de compaixão também
a esta desvairada humanidade.

Se foste Tu mesmo quem,
num supremo acto de amor,
sofreu ignominiosa paixão
para seres o nosso redentor,
será assim tão difícil, então,
fazeres o que Te peço, Senhor?!


BOM NATAL!

12/21/2003

Mensagens natalícias em jeito de balanço

À Ariadne, votos de Natal feliz! Aprecio a erudição, ponderação e sensibilidade que ressaltam dos seus escritos. O seu gosto pelo mundo antigo, pela história e o seu espírito crítico de alerta para com o presente vão decerto merecer-lhe atenção nos seus novos contributos em 2004.

O João Ratão é o grande esteio do blog, com sugestões semanais que o Sete-Sóis tem vindo a melhorar substancialmente do ponto de vista gráfico. A sua ratice leva-o a comentários curtos e incisivos. Boas Festas e um 2004 verdadeiramente electrizante!

Ao Capuchinho cabe a escrita mais irreverente e impetuosa. Gosto. A sua alusão a Wittgenstein fez-me finalmente ler algo do filósofo, de quem tinha apenas numerosas referências. A viagem wittgensteiniana ao interior da mente, com as suas noções de linguagem expressiva e descritiva, ajudou-me a teorizar melhor o desassossego de Pessoa (o “Fernando Pessoas”, na imagem feliz de Saramago), o expressionismo na pintura, e, inter alia, o “Eu não sou eu/nem sou o outro/Sou qualquer coisa de intermédio/Pilar da ponte de tédio/que vai de mim para o outro”, do Mário de Sá-Carneiro, retomado pelo O’Neill. Muitos presentes no seu Natal, Capuchinho.

Ao Sete-Sóis, alma generosa a quem me liga uma amizade especial, um viva pelas suas contribuições linguísticas e um agradecimento pela disponibilização dos seus conhecimentos informáticos a todos nós, utilizadores do blog. Para o Sete-Sóis e a Sete-Luas um Natal muito feliz, com a sua bela Carolina.

Para o velho camarada Rui um abração, na esperança de que os muitos afazeres diários ainda lhe dêem para arquitectar os textos acutilantes que tão bem sabe escrever.

O blog está de boa saúde, a rampa de lançamento funcionou, a viagem continua. Um óptimo 2004 para todos!

12/18/2003

SUGESTÔES: Matriz de Acontecimentos (18 Dez.)


Download do ficheiro das Sugestôes (18 Dez.)