11/14/2003

O Acórdão n.º 5/2003

Já leram o Acórdão n.º 5/2003 do Supremo Tribunal de Justiça?
(Não se assustem. Não vem aí outro comentador jurídico. Essa corporação já tem demasiados membros, quase tantos quantos os comentadores desportivos. Depois queixamo-nos da falta de profissionalismo da população «activa». A rapaziada é o máximo naquilo que não tem nada a ver com o «emprego». Deixassem-nos chegar a seleccionadores nacionais, treinadores «dum grande» ou juízes do caso Casa Pia e veriam como as «coisas» (os grandes problemas nacionais) tinham solução imediata, simples e perfeita. Vejam a garantia contida na expressão «Ah! Se fosse eu a mandar…» e comparem-na com a fragilidade da presunção daquele «que não tinha dúvidas e raramente se enganava»).

Não leram o Acórdão? Eu também não! Só li o seu sumário na folha de capa do Número 241 do Diário da República (série I-a), que transcrevo:
«Para o preenchimento valorativo do conceito de acto análogo à cópula a que se refere o artigo 201.º,n.º2, do Código Penal de 1982, versão originária, é indiferente que tenha havido ou não emissio seminis».

Que é isto? Julgam que eu sou algum rato de sacristia para saber latim? Magistrados de topo de gama (ou pelo menos de topo de carreira) a atentarem contra a língua mátria? (Tia Natália! Não te agites…A tua irrequietude não foi suficiente para evitar estes desastres, mas tinha graça e eu recordo-a/te com saudade).
Meritíssimos. Não conhecem expressões adequadas em português de Portugal? Podiam ter procurado! Se fossem ao blog do Pipi, teriam encontrado diversas alternativas legítimas. Se se actualizassem e estudassem pelos novos programas (aqueles congeminados pelos pedagogos da 5 de Outubro e que obrigam ao acompanhamento do Big Brother), não teriam sentido a necessidade de recorrer a estrangeirismos.

Ou será que o latim está para as cópulas como o inglês está para a informática? Julgava que era o francês, caso tivesse de definir uma linguagem técnica para uma actividade tão simples, bela e universal.
Mas, pensando melhor, é uma hipótese plausível. Se assim não fosse, porque é que os padres estudam latim? Para captarem os detalhes (na confissão, claro…).
Eu, embora velho ratão, ainda sou muito ingénuo …

Mesmo assim não me conformo. Ao que isto chegou!
Noutros tempos, ainda militava naquela escola de engenharia do Arco do Cego, quando, ao sair, ouvi uma das militantes do passeio, que circunda exteriormente a escola, propor:
- Vai uma farra a três?
Assim! Em português no original! Qual “ménage à trois”! Qual quê!

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