7/16/2009
Pergunta a quem me souber responder
Até quando é que Alberto João Jardim vai continuar a dizer as enormidades que diz, sem que alguém ponha cobro aos seus desmandos?!
7/14/2009
Pode a liberdade oprimir?

Acha bem aquilo que vê na foto? Como se trata obviamente de algo encenado, é possível que a sua reacção não seja forçosamente negativa, mas imagine que havia combates deste tipo entre pequeníssimos Davides que podem a todo o momento ser arremessados para fora das cordas do ringue pelos poderosos Golias, que têm muitas vezes o seu peso. O que pensaria?
Este slide pretende apenas ilustrar uma das minhas citações favoritas: "Entre o forte e o fraco é a liberdade que oprime e a lei que liberta." Apesar do aparente paradoxo de a liberdade poder oprimir, felizmente para o pequeno David a lei não permite que haja combates entre pessoas com diferenças tão notórias em matéria de peso, de idade e, no geral, de compleição física. Se fosse apenas o mais forte a decidir, ele possivelmente não hesitaria em lutar contra o pequenote, arranjando até talvez o argumento de que primeiro tinha sido provocado por ele. Mas como a lei não consente que tal se faça, se o grandalhão se sentir incomodado com a presença do pequeno, procurará outras maneiras de eliminar o seu potencial adversário. Por exemplo, conseguindo que a justiça feche os olhos. Por outras palavras, comprará a justiça se esta não for suficientemente forte e isenta.
A nossa sociedade está cheia destes combates. Poderosas multinacionais contra empresas de relativamente pequena dimensão. Grandes fábricas que asfixiam através de política de preços ou outros meios fabriquetas bem menores. Governos autoritários contra cidadãos indefesos. Países militarmente bem apetrechados contra outros pobremente equipados. Hipermercados contra lojecas de bairro.
O.K. E se a lei existir mas não for aplicada ou só se aplicar a uns tantos mais fracos? É aqui que se diz que os mais fortes têm a faca e o queijo na mão. Eles dão o emprego, mas com salários reduzidos e em condições precárias. Eles despedem colectivamente os seus empregados para mais tarde readmitirem alguns graças a subsídios entretanto concedidos pelo Estado para obviar à situação de desemprego. Eles apoiam os políticos governantes que prometem este mundo e o outro, e depois apenas nos trazem à memória a clássica e certeira frase de Friedrich Schlegel: "As promessas de ontem dos políticos são os impostos de hoje."
Este slide serve modestamente para nos fazer lembrar a extraordinária importância da justiça, a sério, na nossa sociedade.
7/13/2009
O que ressalta é o que atrai a malta
Volta e meia, se acho que nas minhas sobrancelhas há alguns pêlos brancos a mais, agarro numa tesoura e zás!, corto uns tantos que estejam mais espigados. Geralmente faço um único corte, porque a experiência me diz que essa é a técnica mais correcta. Faço a operação em frente ao espelho grande da casa de banho e, como seria previsível, os pêlos cortados caem na bacia do lavatório. Algo estranhamente, porém, quando olho para o lavatório o que me salta à vista são os pêlos pretos que vieram juntamente com os brancos no tal corte, efectuado com cuidado mas a eito.
É claro que não há qualquer mistério nem toque de magia no facto de eu ver cabelos pretos e não os brancos que pretendi cortar. No branco da bacia do lavatório sobressaem os pretos porque os brancos se confundem com a cor da bacia.
Creio que é assim também na vida. O que ressalta para nós é aquilo que se opõe à cor natural das nossas ideias e da nossa mente no geral. O que sobressai é aquilo que é diferente e contrastante. O que berra. Tudo o resto tende a passar despercebido. Está lá, mas é como se não estivesse. Desse resto já nada vemos, exactamente como sucede com o facto de eu não encontrar à primeira vista os pêlos brancos que acabei de cortar.
É por este motivo, para dar alguns exemplos, que os estrangeiros que nos visitam nos ensinam inadvertidamente a olhar para objectos e pormenores que, de tão consabidos por nós, nos passam absolutamente despercebidos. É também por isso que o olhar e a mente de um arquitecto, de um engenheiro, de um médico, de um psicólogo, nos podem ensinar muita coisa se não tivermos nós próprios formação naquelas áreas. É ainda por isso que, quando fazemos uma viagem fora do nosso país, os residentes locais estranham por vezes que estejamos a tirar fotografias a algo que para eles nada tem de especial. É igualmente por isso que na cultura dos outros procuramos aqueles pontos que divergem dos nossos, os quais chegamos a criticar e a ridicularizar, em vez de nos concentrarmos nos imensos itens comuns que possuímos mas preferimos ignorar. E afinal, ocorre-me agora, não será esta a mesmíssima razão que dantes levava todo o moleiro que se prezava a ter um cão de cor preta? Pelo menos na minha região de moinhos costumava ser assim: o cão do moleiro era sempre preto, já que a farinha era branca e o cão estava lá para guardar o moinho e não para comer a farinha.
Na próxima vez que aparar as sobrancelhas vou procurar com mais atenção os pêlos brancos que cortei.
É claro que não há qualquer mistério nem toque de magia no facto de eu ver cabelos pretos e não os brancos que pretendi cortar. No branco da bacia do lavatório sobressaem os pretos porque os brancos se confundem com a cor da bacia.
Creio que é assim também na vida. O que ressalta para nós é aquilo que se opõe à cor natural das nossas ideias e da nossa mente no geral. O que sobressai é aquilo que é diferente e contrastante. O que berra. Tudo o resto tende a passar despercebido. Está lá, mas é como se não estivesse. Desse resto já nada vemos, exactamente como sucede com o facto de eu não encontrar à primeira vista os pêlos brancos que acabei de cortar.
É por este motivo, para dar alguns exemplos, que os estrangeiros que nos visitam nos ensinam inadvertidamente a olhar para objectos e pormenores que, de tão consabidos por nós, nos passam absolutamente despercebidos. É também por isso que o olhar e a mente de um arquitecto, de um engenheiro, de um médico, de um psicólogo, nos podem ensinar muita coisa se não tivermos nós próprios formação naquelas áreas. É ainda por isso que, quando fazemos uma viagem fora do nosso país, os residentes locais estranham por vezes que estejamos a tirar fotografias a algo que para eles nada tem de especial. É igualmente por isso que na cultura dos outros procuramos aqueles pontos que divergem dos nossos, os quais chegamos a criticar e a ridicularizar, em vez de nos concentrarmos nos imensos itens comuns que possuímos mas preferimos ignorar. E afinal, ocorre-me agora, não será esta a mesmíssima razão que dantes levava todo o moleiro que se prezava a ter um cão de cor preta? Pelo menos na minha região de moinhos costumava ser assim: o cão do moleiro era sempre preto, já que a farinha era branca e o cão estava lá para guardar o moinho e não para comer a farinha.
Na próxima vez que aparar as sobrancelhas vou procurar com mais atenção os pêlos brancos que cortei.
7/08/2009
O mundo evolui

Quando José Sócrates fala do avanço tecnológico a implementar através da distribuição de um pequeno computador Magalhães a todas as crianças do ensino básico estatal, compreendemos de imediato a bondade da inciativa. Por uma vez vamos presenciar um extraordinário salto na literacia dos mais jovens do nosso país. Quando chegarem ao 5º Ano, ainda por cima já com boas luzes de Inglês na cabeça, ver-se-á como a educação aumenta o valor destas crianças e as transforma em pessoas muito mais inteligentes.
Cometeremos uma enorme injustiça, porém, se considerarmos que são apenas os humanos que têm capacidade para usufruir do privilégio de efectuar progressos notórios. Outros animais menos racionais têm manifestado uma verdadeira escalada no grau de apreensão das coisas. E, diga-se, não é através do Magalhães que o fazem. Muita perseverança e treino aplicado explicam grande parte do sucesso obtido. As fotos acima foram ambas tiradas em África. A primeira tirei-a há mais de trinta anos num mercado da medina de Fez, em Marrocos. No alforge de um macho que acabou de ver a sua arreata atada à volta de uma árvore, vê-se um bem armado carneiro que continua confortavelmente encafuado após fazer a viagem de casa do seu amo até àquele local para ser vendido a um comprador interessado. Enquanto tirei a foto, o carneiro em questão não protestou minimamente. O transporte tinha sido agradável. Eram assim as coisas nos anos 70 do século passado. Três décadas depois, repare-se no progresso extraordinário que um animal da mesma espécie consegue alcançar. Já não precisa de macho para o transportar. Enquanto o seu dono utiliza uma bicicleta e já não um animal de tiro, o bicho agarra-se com firmeza às costas do seu amo, coisa que o pobre carneiro da década de 70 não teria certamente sabido fazer sem longos estudos e prática aturada. Aqui temos dois paradigmas educacionais: um no mundo europeu através de crianças e do Magalhães, outro no mundo africano por meio de animais e de muito treino. Por este rápido evoluir, onde irá o nosso planeta parar?
7/07/2009
Uma questão que tenho comigo mesmo
Retiro de um dos clássicos estudos do Prof. Jorge Dias sobre o carácter nacional português uma passagem relativamente breve que considero oportuna: "Ao contrário do que muitos disseram, o português não degenerou; as virtudes e os defeitos mantiveram-se os mesmos através dos séculos, simplesmente as suas reacções é que variam conforme as circunstâncias históricas. No momento em que o português é chamado a desempenhar qualquer papel importante, põe em jogo todas as suas qualidades de acção, abnegação, sacrifício e coragem e cumpre como poucos. Mas se o chamam a desempenhar um papel medíocre, que não satisfaz a sua imaginação, esmorece e só caminha na medida em que a conservação da existência o impele. Não sabe viver sem sonho e sem glória. Esta maneira de ser torna particularmente difícil a tarefa dos governantes, sobretudo em períodos históricos em que as circunstâncias não permitem desempenhar uma acção que lhes agrade e desencadeie as energias."
Estamos aqui? Quando dizem que Sócrates mudou após os resultados das últimas eleições (e portanto tudo o que diz agora soará a falso), o que dizer das extraordinárias mudanças que se notam em Manuela Ferreira Leite – mais alegre, sorridente e confiante – alterações de que ninguém parece interessado em falar? Serão o sonho e a glória a falarem mais alto?
A Sócrates a generalidade dos media trata presentemente como na conhecida fábula do leão moribundo: o antigo rei da selva é alvo do ataque de outros animais, inclusive do burro que, depois de alguma hesitação temerosa, chega mesmo a dar um coice no corpo que está prestes a perder a vida.
Será que ele foi leão? Será que está moribundo? Ou estaremos basicamente a ver os mesmos portugueses que, poucos dias antes do 25 de Abril de 1974, saudaram vibrantemente Marcelo Caetano num estádio de futebol e, logo após a revolução feita pelos militares, deliraram com a sua deposição?
Estamos aqui? Quando dizem que Sócrates mudou após os resultados das últimas eleições (e portanto tudo o que diz agora soará a falso), o que dizer das extraordinárias mudanças que se notam em Manuela Ferreira Leite – mais alegre, sorridente e confiante – alterações de que ninguém parece interessado em falar? Serão o sonho e a glória a falarem mais alto?
A Sócrates a generalidade dos media trata presentemente como na conhecida fábula do leão moribundo: o antigo rei da selva é alvo do ataque de outros animais, inclusive do burro que, depois de alguma hesitação temerosa, chega mesmo a dar um coice no corpo que está prestes a perder a vida.
Será que ele foi leão? Será que está moribundo? Ou estaremos basicamente a ver os mesmos portugueses que, poucos dias antes do 25 de Abril de 1974, saudaram vibrantemente Marcelo Caetano num estádio de futebol e, logo após a revolução feita pelos militares, deliraram com a sua deposição?
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